Espaço do Diário do Minho

Ponto por ponto

18 Out 2020
Armindo Oliveira

Ainda não percebi. É verdade! É praticamente inexplicável e incompreensível! Tudo gira à volta de duas questões muito simples: Porque é que o país não sai deste atoleiro enorme que tem abafado as aspirações deste povo em ter uma vida mais tranquila e mais promissora? Porquê? O que precisa este país para tomar o rumo certo? O que é? Simplesmente, duas perguntas. As respostas sempre adiadas ou evasivas não conduzem a nada e a lado nenhum. É esta inoperância e esta incapacidade que causam apreensão. Não saímos, de facto, da cepa torta.

Ponto um – Não é por falta de dinheiro, com certeza, se bem que estejamos paradoxalmente endividados. Melhor, estamos falidos, mas vamos cumprindo os serviços mínimos à custa do dinheiro que, entretanto, vem e às carradas da União Europeia. Há 34 anos que o recebemos e de graça. Nem os esbanjamentos descarados e os desvios estratégicos para o bolso de alguns (corrupção) fazem refrear o ímpeto da chegada das pipas de massa. Ao todo, entre o que já recebemos e o que vamos receber, a conta já vai nos doze dígitos. Ou seja, mais de 170 biliões de euros! (O leitor está mesmo a ver e a ter a dimensão real do número? É muito dinheiro, não é?!) Ora, se fosse aplicado com inteligência, com sensatez e com rigor, o país teria outro desenvolvimento e outra qualidade de vida. Não andávamos, de certeza, de mão estendida e a fazer figura triste de um pobre coitado que não tem emenda. Mas, como temos estes políticos no governo não podemos aspirar a mais, para se atingir outros confortos. Somos pequenos e perdemo-nos, há décadas, em “combates à pobreza”, em “solidariedades”, em “igualdades” e agora no politicamente correcto para, no final, ficar tudo na mesma ou cada vez pior. Por este caminho, será que iremos chegar à venezuelização do país? Já faltou mais!

Ponto dois – O dr. Costa possui algumas “estratégias” manhosas para iludir o eleitorado e passar um atestado de menoridade à oposição. A primeira estratégia fundamenta-se num ditado muito conhecido: “os cães ladram e a caravana passa”. A sua aplicação em momentos de fricção política é suficiente para desvalorizar seja o que for mesmo diante dos nossos olhos. Isto é, quando uma alhada surge, por exemplo, a exoneração do presidente do Tribunal de Contas, o dr. Costa “deixa” o pessoal falar, os jornalistas analisar a coisa, os comentadores avançar com opiniões díspares e muitas sem sentido e tempo depois tudo morre num ápice, sem que se aproveite rigorosamente nada da alhada para se aprender alguma coisa. Depois, passa-se uma esponja pelo problema e fica tudo bem. Incrível isto acontecer num país com democracia.

Ponto três – A segunda estratégia fundamenta-se em remover do caminho todos as pessoas que lhe possam fazer frente ou que o estorvam nas suas políticas, sempre balofas. Não as políticas do país. Mas as suas. O dr. Costa é um legítimo herdeiro da prática da arrogância antidemocrática do “quem se mete com o PS leva”. Sócrates era um anjo à beira dele.

Ponto quatro – Os ataques abjectos que toda a comandita do PS desencadeou contra Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas. pelo rigor dos números que apresentava, foram durante dois ou três anos demolidores com o objectivo de a pôr na rua. O mesmo aconteceu com Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal. Depois, foi a vez da Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, magistrada de qualidade superior que começou a pôr o dedo na ferida dos interesses de uns tantos “poderosos”. Até à primeira classificada no concurso para Procurador na União Europeia foi removida, para dar lugar ao segundo classificado. E a purga, inspirado nas práticas estalinistas, continua agora com a não recondução do Presidente do Tribunal de Contas. E mais se verá, com certeza.

Ponto cinco – São estas práticas políticas que vão apodrecendo o regime, vão desmobilizando os cidadãos para se interessarem pela coisa pública e vão ridicularizando as instituições. Com gente desta, não vamos longe. Ou será que vivemos agora na República Popular de Portugal?



Mais de Armindo Oliveira

Armindo Oliveira - 25 Out 2020

Estamos a um ano das eleições autárquicas. Em Braga, pouco interesse despertarão, dado que o assunto está politicamente arrumado. O vencedor está apurado por antecipação, o que é pena. A oposição tem sido tão apagada, tão desprovida de ideias e de energia que causa engulho a qualquer eleitor por mais distraído que ande da cena […]

Armindo Oliveira - 11 Out 2020

Todos sabemos, pelo menos, os mais atentos aos movimentos políticos, que Portugal vegeta ligado à impressora do Banco Central Europeu. Pipas de massa faz-nos estar à tona e permite-nos rabiar como um tonto à procura de nada. Não queremos nada. Só queremos dinheiro dado e fácil. O que importa, no fundo, é contentar a clientela […]

Armindo Oliveira - 4 Out 2020

Este é um tema de reflexão, à partida, incomodativo e fracturante para mentes alinhadas na corrente ideológica de esquerda, aquela corrente que machuca com toda a facilidade as belas páginas da nossa História e denigre tendenciosamente o papel grandioso desempenhado pelos “abutres colonizadores”. Assumo esta reflexão por razões várias, mas fundamentalmente pela razão óbvio que […]


Scroll Up