Fotografia: DM

UE tem de agir rapidamente para evitar catástrofe no setor do turismo

Covid-19 é considerada uma bomba-relógio para o setor.

Luísa Teresa Ribeiro
27 Set 2020

A União Europeia (UE) tem de agir rapidamente para evitar a catástrofe no turismo, uma vez que o efeitos devastadores da pandemia são uma «uma bomba-relógio» para este setor. Portugal está no grupo dos países em que esta área de atividade mais foi prejudicada pela Covid-19, com empresas em risco de fechar se não houver medidas europeias que restabeleçam a confiança dos cidadãos e ajudem as empresas.

Este alerta é lançado pelo Comité Económico e Social Europeu (CESE), a propósito do Dia Mundial do Turismo, que hoje se assinala. Este órgão representativo da sociedade civil destaca um relatório adotado na sua reunião plenária deste mês, que considera a ação da UE imprescindível para assegurar a sobrevivência das empresas do setor do turismo e a manutenção dos respetivos postos de trabalho. «Não há tempo a perder: se esperarmos mais seis meses, metade destas empresas podem ter de fechar as portas», adverte este organismo consultivo.

Feito em resposta à Comissão Europeia, o parecer “Turismo e transportes em 2020 e mais além” é assinado pelo grego Panagiotis Gkofas (Grupo Diversidade Europa) e elaborado pelo grupo do qual faz parte o português Barros Vale, indicado para o Grupo dos Empregadores pela Associação Empresarial de Portugal.

«Faço um apelo à Comissão Europeia para que não aguarde até que o setor se afunde nos problemas. Precisamos de um mecanismo que salve as pessoas e as empresas agora. De nada servirá daqui a seis meses, pois as empresas já estarão falidas», afirma Panagiotis Gkofas, citado num comunicado do CESE.

Segundo o documento, a UE deve agir para restabelecer a confiança das pessoas na segurança das viagens, designadamente através de um passaporte sanitário europeu através de um Formulário de Saúde Pública de Localização do Passageiro uniformizado, bem como códigos QR, em conjugação com uma plataforma multilingue de assistência na saúde.

«Se todos os Estados-Membros decidissem adotar a mesma plataforma para o Formulário de Saúde Pública de Localização do Passageiro, todos os laboratórios acreditados poderiam comunicar os resultados através da própria plataforma, criando um passaporte Covid-19 para todos os viajantes que fosse fiável e pudesse assegurar um risco mínimo associado às viagens», defende Panagiotis Gkofas, referido na mesma nota de imprensa.

Assegurar liquidez para as empresas do turismo e seus trabalhadores é outra das prioridades apontadas. Na perspetiva do CESE, «o instrumento SURE, destinado a atenuar os riscos de desemprego, deve proporcionar apoio aos desempregados do setor do turismo, bem como uma compensação salarial às pequenas e médias empresas até, pelo menos, 30 de junho de 2021».

Este organismo defende também a criação de um mecanismo para acompanhar a execução das medidas de apoio. «Tendo em conta as experiências do passado, o CESE considera importante perceber claramente desde o início como são utilizados os fundos da UE, se chegam a quem deles precisa e se os beneficiários sabem de onde vêm», pode ler-se no comunicado.





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