Espaço do Diário do Minho

Ponto por ponto

27 Set 2020
Armindo Oliveira

Portugal, um país de equívocos e de incompreensões. Um país cheio de desacertos e de incongruências. Um país frágil e a empobrecer. Um país confinado nas políticas folclóricas, na economia e nas debilidades sociais. Um país, muitíssimo endividado e sempre de mão estendida.

Portugal tem a sorte de estar situado no espaço europeu e de pertencer a organizações de relevância no contexto mundial. Não fossem os fundos europeus, estaríamos irremediavelmente perdidos – dizem uns. Se não houvesse tanto dinheiro dado, talvez fôssemos mais responsáveis e mais conscientes das nossas limitações. Tínhamos que fazer pela vida – digo eu.

Ponto um – Portugal tem tirado vantagens, muitas vantagens, que se manifestam em pouco, de estar na União Europeia. A União Europeia tem-nos dado pipas de massa há 34 anos e, parece que, vai continuar a despejar mais milhões e mais milhões até, pelo menos, 2030. A União Europeia dá-nos o prestígio e a visualidade que precisamos para termos alguma voz nas diversas organizações internacionais. Na realidade e por incapacidade, desperdiçamos oportunidades soberanas para colocar este país na “carruagem” da frente no que toca ao desenvolvimento.

Ponto dois – Portugal no mundo dos equívocos. Quando pai e filha, marido e mulher, irmãos e primos fazem parte do mesmo governo, muita coisa está mal neste país. Quando uma ministra tem o marido a fazer “negócios” com o governo, muita coisa corre mal neste país. Quando um primeiro-ministro dá a sua anuência para fazer parte de uma comissão de honra de um clube de futebol que tem como candidato uma pessoa com empecilhos na Justiça e onde a disputa pela liderança tem outros candidatos, coisa grave acontece neste país. Quando se nomeia um amigo, não eleito, para tratar de assuntos de Estado, coisa séria se passa neste país. Quando alguns secretários de Estado e alguns deputados da nação aceitam viagens de uma empresa privada para mais tarde retirar potenciais dividendos, muita coisa não funciona bem neste país. Exemplos destes e de outras enormidades são mais do que muitos, o que degrada fortemente as instituições, revolta os cidadãos e destrói a confiança no regime democrático.

Ponto três – Portugal no mundo dos desacertos – Em 2017, morreram nos incêndios 116 pessoas. Repito,116 pessoas de carne e osso. De espírito e com sonhos. O Presidente da República, além de fazer o papel de “ombro amigo” e de porta-voz do governo, afirmava peremptoriamente que “doa a quem doer” tudo iria ser apurado. Até ao momento, está muita coisa por apurar. Assim sendo, alguma coisa não vai bem neste país. Em Tancos, unidade militar, alguns ladrões roubaram material de guerra nas barbas dos militares. Facto incrível e surreal para um país da NATO. O Presidente da República afirmava categoricamente que “doa a quem doer” tudo seria apurado até às últimas consequências. Até ao momento, ainda há muito por esclarecer e muito por apurar. Perante este desacerto, há muita coisa que não joga bem neste país.

Ponto quatro – Portugal no mundo das incongruências. Para um governo que se ufana de esquerda e apoiado pela extrema-esquerda, muito amiga dos pobres e dos reformados, o que aconteceu no Lar de Reguengos, 18 mortos, é coisa muito feia, de incompreensível insensibilidade social e de falta de respeito pelos mais velhos e pelos mais vulneráveis. Com tantas passa-culpas, com tanta desresponsabilização, com tanta afronta a quem fez a auditoria médica e com tantas teias de interesses, muita coisa medonha se passa neste país.

Ponto cinco – Finalmente, a comunicação social deu relevância aos factos que têm relevância. O dr. Costa pretendeu desviar o foco das atenções do problema da sua participação na polémica comissão de honra do tal clube de futebol, com a exoneração apressada de cinco secretários de Estado. A comunicação social não iscou a artimanha e não largou o osso do dr. Costa que o prendou com críticas, assertivas e justas e com comentários bem encorpados pela sua “ingenuidade”. Seria razoável e pedagógico que o dr. Costa usasse, como medida preventiva, o famoso Código de Conduta elaborado pelo seu governo e se recatasse de fazer o papel de “anjinho”. Desta vez, analistas, comentadores, redes sociais pegaram-lhe bem e deram cabo dele. Sem dó e sem piedade. Se houvesse sentido de Estado, um pedido de desculpas público não lhe ficaria mal. Seria um gesto de hombridade e de reconhecimento do erro cometido. Mas, como era de esperar, nada. Só o silêncio, a tradicional desvalorização do caso e esperar que o tempo se encarregue de fazer o esquecimento.



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