Fotografia: DM

Escolas preparadas mas apreensivas com o arranque do ano escolar

Reportagem especial sobre o arranque do ano letivo.

Rita Cunha
2 Set 2020

Um novo ano escolar está aí à porta e, a juntar a toda uma série de procedimentos que têm de ser adotados e afinados a cada arranque, este ano, completamente atípico face a uma pandemia, leva os Agrupamentos de Escolas a terem de se reinventar e delinear planos que acautelem cenários que, eles próprios, são imprevisíveis. Uma “autêntica aventura” nas palavras de alguns diretores que, apesar do receio, se mantêm otimistas e no empenho da comunidade educativa, desde alunos e encarregados de educação a professores e assistentes operacionais.

Garantir o distanciamento social é o grande desafio a enfrentar, sobretudo nos intervalos, ainda que nem todas as salas de aula permitam colocar as mesas a um metro ou mais de distância. A divisão dos anos por turnos (manhã e tarde) é uma das medidas a implementar pelas escolas, mas também aqui nem todas conseguem evitar que, a dada altura, estes tenham de estar na escola em simultâneo, em “contra-turno”.

Para dar resposta a uma situação atípica e numa tentativa de minimizar ao máximo o risco de contágio e de propagação da Covid-19, os Agrupamentos de Escolas têm delineado os seus planos de contingência que não diferem muito entre si. A distribuição de ‘kits’ de higienização com máscaras, a criação de horários que evitem o cruzamento de alunos e de circuitos de circulação são algumas das medidas previstas.

Um conjunto de situações que, dada a área e o número de salas de aula, não é possível contornar e que deixa os diretores apreensivos. A falta de orientações por parte da Direção-Geral de Saúde (DGS) também não ajuda na tomada de algumas decisões e aumenta o clima de tensão.

Ao Diário do Minho, a vereadora do pelouro da Educação da Câmara Municipal de Braga explicou que «cada comunidade educativa tem procurado preparar-se da melhor maneira indo ao encontro do seu projeto educativo, das orientações do Ministério da Educação, da DGS, das características do seu território», procurando «equacionar todas as variáveis dos vários planos que construíram».

«O município, no âmbito das suas competências, tem procurado ser um parceiro colaborativo e presente», vincou.

Para Lídia Dias, a experiência vivida no final do ano letivo, entre maio e julho, permitiu «ensaiar alguns procedimentos» que «agora serão muito úteis». «Desde junho procurou-se promover o trabalho colaborativo», disse, sublinhando a necessidade de se «aprender e procurar retirar das diferentes situações o maior ensinamento».
«De março até aqui tudo mudou. Acredito que a comunidade está mais preparada, mais consciente», disse. Contudo, alertou que «não há preparação possível para o inesperado» e, «aí, só o bom senso é que nos pode ajudar». «Creio que se cada um fizer a sua parte estaremos mais preparados para os diferentes planos que podem acontecer ao longo deste ano letivo», sustentou.

Por tudo isto, e porque toda a comunidade educativa está empenhada, a vereadora acredita que o ano letivo 2020/2021 poderá decorrer bem, dadas as circunstâncias. «Acredito que estamos todos envolvidos. O regresso à escola, ou a retoma de qualquer outra atividade, tem de ser um exercício de compromisso conjunto. Não depende de uns ou de outros. Depende de todos. O compromisso não é só da porta da escola para dentro. Todas os nossos atos têm um impacto e se formos imprudentes pomos em risco tudo. Por isso, este é um exercício coletivo de enorme cidadania, de enorme responsabilidade», sublinhou.

Falta de assistentes operacionais preocupa

A falta de assistentes operacionais já costuma marcar o arranque de cada ano letivo em todo o país, mas este ano a preocupação por parte dos Agrupamentos de Escolas é ainda maior tendo em conta que são necessários ainda mais do que o número habitual dada a quantidade de serviços que tem de ser assegurada e o controlo que tem de ser feito não só nas entradas e saídas da escola como de qualquer espaço dentro do edifício e no recreio.

João Dantas, diretor do Agrupamento de Escolas D. Maria II, teme mesmo que algumas escolas do 1.º Ciclo encerrem por falta de assistentes operacionais. «Não prevejo que antes de dezembro o concurso que está a decorrer esteja terminado e vamos ter esta situação desde o início e se não for colmatada não teremos outra solução senão fechar», vincou.

Confrontada com esta preocupação por parte dos responsáveis, a vereadora lembrou que «neste momento temos um procedimento concursal a decorrer». Contudo, refere que o mesmo «não estará concluído antes do final deste ano civil». «Por isso, vamos recorrer a outros mecanismos para reforçar os assistentes operacionais», referiu.

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





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