Espaço do Diário do Minho

A NOVA JUSTIFICAÇÃO PARA NÃO IR À IGREJA

25 Ago 2020
H. José Esteves

Não vou à igreja porque tenho medo do vírus!” Esta é a frase que mais ouvimos desde que recomeçaram as eucaristias com a presença de fiéis. Muitos fiéis, desde meados de março, altura em que as missas comunitárias deixaram de ser celebradas por decisão da Conferência Episcopal Portuguesa, nunca mais entraram numa igreja, ou assistiram a uma missa, dando a justificação de que têm medo de serem infetados com o vírus. Por decisão da Conferência Episcopal Portuguesa, em consonância com a DGS, as igrejas reabriram ao culto comunitário no último fim de semana de maio, sendo que as missas e demais cerimónias religiosas regressaram com regras que visam a segurança dos participantes. Diz a Conferência Episcopal, de forma coerente, que os idosos ou pessoas pertencentes a grupos de risco podem optar pelas missas semanais às dominicais por agregar menor número de fiéis mas, pelo que assistimos nas paróquias e nas eucaristias transmitidas pela televisão, o público presente na missa é de idade bem madura e constatamos também que a afluência de jovens e crianças na missa é quase nula. Será o vírus motivo para não ir à missa? Ou será um peguilho, uma oportunidade, para aqueles que não gostam de ir? Quem não quer, ou não se sente atraído à Igreja, arranja sempre uma desculpa, uma justificação. Os que querem ultrapassam desafios e contratempos, e apresentam-se na primeira linha. Sempre foram típicas as justificações do género “o padre demora muito na homilia”, ou então “o horário da missa não me é adequado” quando, na verdade, a justificação é o “não me apetece” ou “tenho mais que fazer”. Vamos crer, de boa-fé, que realmente têm medo do vírus! Então, supostamente, essas pessoas ainda estão confinadas desde março (ou seja, não saem de casa!), mas sabemos que na realidade não é assim, até porque as vemos no café, quando estamos a sair da igreja!

Não fui à missa porque tenho medo de apanhar o vírus”, é uma justificação que socialmente fica bem e é atual, porque enquadra na situação pandémica que atravessamos. Porém não têm medo quando vão às compras, ao café, aos convívios, aos almoços e jantares de família e amigos, às festas de anos, aos ajuntamentos com familiares que vieram de férias, às idas ao shopping ou à praia? Será o vírus tão religioso que apenas está dentro das igrejas, à espera das pessoas, para as infetar?! Podemos tapar bocas e olhares, saber argumentar em nosso favor as ausências na missa e aos compromissos a que nos propusemos, mas não tapamos o olhar de Deus, não fugimos à nossa sentença, ao nosso juízo. A missa é um caminho por etapas, que não deve ser quebrado para não se perder a essência do Evangelho. Pensemos bem no lucro e no prejuízo que cada um obtém em função das suas obras e atitudes. Relembremos que as missas dominicais respeitam rigorosamente as medidas impostas pela DGS, de forma a evitar a propagação do novo coronavírus, desde o distanciamento social, o uso de máscara e a desinfeção das mãos.

Cristão consciente é um ser humano seguro fisicamente e interiormente, para o próximo e para Deus. Neste mundo de justificações e desobrigações tudo passou a ser aceitável, mas perante Deus não haverá vírus ou máscaras, e todas as justificações acompanham as obras.



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