Espaço do Diário do Minho

A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA, RAINHA DO CÉU E DA TERRA

15 Ago 2020
P. Rui Rosas

Compreendemos que Jesus quisesse que Nossa Senhora fosse para o Céu tal qual a conheceu na terra. Maria é ser humano e, como tal, tem uma alma espiritual imortal e um corpo material. Nem uma nem outro foram tocados pelo pecado, pelo que a santidade da Virgem Santíssima é total, ou seja, estava nas devidas condições para entrar no Reino dos Céus. E assim aconteceu.

 

No entanto, o que move o Senhor não é apenas isso. O seu amor de Filho quer presentear a sua Mãe da melhor forma e a prenda maior que um ser humano pode receber é viver na constante presença de Deus com toda a sua glória e perfeição, na certeza de que nunca a deixará em circunstância alguma. E essa realidade só a pode oferecer o Céu.

 

Por outro lado, a entrada no Céu de Nossa Senhora é um acto de reconhecimento, por parte da Santíssima Trindade, da santidade incomparável de Maria. O lugar próprio de quem é assim santa só pode ser onde a Santidade por Essência, ou seja, Deus, Se encontra.

 

Mas também haverá com certeza outra razão: Jesus, já muito perto da sua morte, estando na Cruz, e sofrendo horrivelmente, depois de pedir perdão ao Pai por aquilo que Lhe fizeram as autoridades religiosas judaicas: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”,  tem outro acto de desprendimento a favor da humanidade: desprende-Se da Sua condição de Filho único de Maria, pedindo-lhe que aceite a maternidade de todos os homens, na pessoa de S. João Evangelista, o único discípulo que teve a coragem de estar presente no Calvário, enquanto o Mestre agonizava.

 

Jesus relembra então todo o carinho e amor com que foi tratado pela Sua Mãe, ao longo da infância, da adolescência e também como ser adulto: a sua presença no lugar do suplício do Filho, é prova objectiva do acompanhamento de Nossa Senhora, em todas as circunstâncias oportunas da passagem de Cristo pela terra .Nosso Senhor, olhando o espectáculo desanimador dos seus discípulos, que O abandonaram, confusos e temerosos, pensa que se a Sua Mãe deles toma conta, o amor maternal nela, tão puro e veemente, há-de levá-los a outros caminhos diferentes, como de facto aconteceu. Maria Santíssima foi ponto de referência fundamental para reunir os discípulos mais próximos do seu Filho, como os Apóstolos. Por isso, no dia de Pentecostes, ela está junto deles e observa a mudança radical na atitude daqueles homens simples, que começam a prègar com coragem desassombrada o reino de Deus.

 

Compreende-se, assim,  que a Mãe de Deus suba aos Céus e, aí, na companhia das três Pessoas Divinas – de quem é Filha, Mãe e Esposa simultaneamente-,  estenda o seu manto maternal a todos os homens, falando, como Mãe que é, bem dos seus filhos, apesar das suas fraquezas, e consiga muitas graças para todos e cada um deles. No Céu, o cristão, desde que Maria Santíssima para aí subiu por vontade divina, em corpo e alma, sente que Deus como que se tornou mais próximo de nós, não só por ter uma Mãe comum com todos os homens, mas por não desconhecer, como Bento XVI observava na festa litúrgica da Virgem Santa Maria Rainha de 2012, que “esta realeza da Mãe de Deus concretiza-se no amor e no serviço a seus filhos, no seu constante velar pelas pessoas e suas necessidades”. E todo este desvelo mariano é, com certeza, um dos mais enternecedores júbilos da contemplação divina.



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