Fotografia: Nuno Cerqueira

Academia tem vários cenários previstos para o próximo ano letivo

Várias mudanças a serão introduzidas face à Covid-19, cumprindo um plano de contingência especialmente delineado para o efeito e que prevê várias situações possíveis.

Rita Cunha e Ana Marques Pinheiro
9 Ago 2020

Numa altura em que a Universidade do Minho, à semelhança de todas as instituições de ensino superior do país e da sociedade em geral, vive momentos imprevisíveis e nunca antes imaginados, o reitor fala sobre as expetativas e anseios para o próximo ano letivo e as mudanças a serem introduzidas face à Covid-19.

Aqui pode ler um pequeno excerto da entrevista de Rui Vieira de Castro ao jornal Diário do Minho, publicada hoje em edição impressa.

 

 

DM: Perante a atual situação de pandemia, que já provocou várias alterações no ano letivo que agora termina, que mudanças podemos esperar para o próximo?

RVC: Estamos muito preocupados e a sair de um turbilhão, esperando entrar num período de alguma normalidade, que não vai ser igual e que vai ter contornos novos. Mas o nosso grande objetivo é retomar alguns dos aspetos essenciais do funcionamento da universidade e, aqui, é fundamentalmante o regresso à atividade presencial nas atividades letivas porque nas outras dimensões a universidade manteve um funcionamento mais próximo da antiga normalidade. É isso que caracteriza a UMinho e a generalidade das universidades públicas de Portugal, é uma atividade de formação que se materializa sobretudo em atividades presenciais.

E porque é que elas são importantes e porque é que colocamos a tónica quando falamos no presencial? Naturalmente naquilo que é a relação direta e imediata entre professores e estudantes, seja nas salas de aula como nos laboratórios e nas múltiplas atividades que podemos encontrar numa universidade.

Mas eu diria que a presença dos estudantes nos campi tem outra vantagem na medida em que é condição para que aquilo a que nós aspiramos, que é a educação integral das pessoas, possa ser concretizada, sendo que a vida de um estudante universitário não se faz apenas de aulas, de laboratórios e de bibliotecas. Faz-se de tudo isto mas também das múltiplas relações que se tecem numa instituição de ensino superior, com atividades de natureza cultural e desportiva, e é isso que achamos essencial para o projeto de formação da universidade possa ser concretizado no próximo ano letivo.

Sabemos, no entanto, que há restrições. A situação pandémica mantém-se e percebemos que há nuvens no horizonte e que são um fator de preocupação. Não sabemos como é que a pandemia vai evoluir.
As nossas entidades de saúde produziram recentemente um conjunto de orientações para as instituições de ensino superior que visam sobretudo acautelar a segurança sanitária e é esse acautelar que introduz um elemento de completa novidade no funcionamento das instituições, seja em termos de ocupação das salas de aulas como na forma como as pessoas se relacionam nos espaços livres. Tudo isto vai fazer parte de uma nova forma de organização e de funcionamento da universidade.

Agora, o que nós esperamos é garantir o essencial e o essencial é a criação de condições que proporcionem um crescimento do ponto de vista pessoal, social e intelectual dos nossos estudantes,

 

 

DM: Falou de “nuvens” que assustam. Na possibilidade de uma segunda vaga de Covid-19, a UMinho tem uma espécie de plano B?

RVC: Na verdade existe até mais do que um plano B. Nós aprendemos bastante com a nossa experiência anterior. Recordo-me que nós apresentamos,, nos órgãos da universidade, um plano de contingência para a pandemia logo no início de março e, quando o fizemos, estávamos muito longe de pensar que menos de oito dias passados nós tínhamos a atividade letiva suspensa.

Portanto, percebemos nessa ocasião, ainda de forma mais viva, a importância de ter esse plano de contingência, isto é, o que é que a universidade deve fazer se verificada uma determinada situação. Esse plano de contingência foi alvo de sucessivas revisões e especificações porque uma das dificuldades da universidade é que é composta por muitas realidades e são muitas as experiências que lá se vivem. É diferente trabalhar num laboratório ou estar numa sala de aula, estar num anfiteatro ou numa sala a desenvolver trabalhos práticos, estar na cantina ou na biblioteca, estar na residência ou num espaço exterior. As situações são múltiplas e, por isso, requerem uma especificação. Foi isso que fomos realizando ao longo do tempo.

Neste final de ano começamos a planear o próximo ano letivo e isso começou com uma nova versão do plano de contingência que prevê vários cenários, desde os mais dramáticos, que seriam aqueles em que teríamos de regressar a um total confinamento próximo do que aconteceu entre março e maio, até um cenário em que os impactos da doença estão menorizados. Esperemos que o primeiro destes cenários não ocorra e temos dúvidas que o segundo também possa ocorrer. Portanto, vamos estar numa situação de constrangimento.

Temos neste momento um planeamento que nos permite dizer às nossas unidades orgânicas o que deve ser feito se a situação se agravar ou se se tornar mais favorável. Temos um documento que estrutura toda a nossa resposta em função da evolução da própria pandemia e isto é o que pode ser feito porque não temos capacidade de adivinhar o futuro. Cabe-nos desenhar estes cenários e depois, em função daquilo que forem as orientações das autoridades de saúde, ajustar os nossos procedimentos.

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





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