Espaço do Diário do Minho

Prender uns e soltar outros

7 Ago 2020
Artur Soares

É noticia em vários países, pelo tempo de calor, o registo de pequenos, médios e grandes incêndios. Portugal não foge a tais desgraças, principalmente de há uns vinte anos para cá. Os portugueses sabem que a partir de Maio de cada ano, ou antes, até fins de Outubro os incêndios acontecem. Sendo assim, é obrigatório perguntar o que é que os Governos têm feito para acabar ou atenuar com tantos quilómetros de terrenos ardidos?

Como se sabe algo se tem feito para reduzir aos incêndios. Aumentaram os efectivos os Bombeiros, organizaram-se melhor, talvez melhor equipamento para o combate e até aviões-tanques passamos a ver, regando as labaredas. Tudo isto, ou só isto, tem resolvido a pandemia de zonas ardidas? Não. Tem havido mortes, feridos, prejuízos materiais elevados, desgraças paisagísticas e profundos traumas psicológicos.

Os fogos em Portugal têm tido várias justificações: uns ateiam o fogo porque são pirómanos e dão-lhes comprimidos; outros são madeireiros ou donos de serrações e têm interesses; outros actuam nos fogos por vingança e exige-se-lhes que não voltem a pecar; outros são os próprios combatentes de fogos que provocam fogos para serem contratados; outros ainda têm aviões-tanques e precisam de voar. E assim se vai combatendo por entre a floresta, se morre na floresta e se destrói a riqueza nacional.

Entendo que Portugal, isto é, os governantes, podiam acabar ou minimizar os incêndios em Portugal. Apanhados os culpados, serem severamente punidos, e os aviões de combate aos fogos deviam ser aviões (pertença) do Estado como são outras coisas. Quanto à madeira queimada, desde que fosse ainda recuperável para dar obra, iria para oficinas do Estado para fazerem móveis, que bem precisavam deles para substituir velharias existentes por todas as repartições do país. Julgo que muito importante seria as forças militarizadas patrulharem a floresta nacional, fazerem exercícios de campo nesses locais, montarem emboscadas, golpes de mão e de assalto, etc., tudo com a intenção de vigiarem o terreno e aproveitavam para se exercitarem militarmente.

Diz-se que nas prisões portuguesas “há centenas de condenados” pelo crime de fogo posto. Talvez assim seja. Mas não será verdade que estes criminosos têm vários benefícios, entre eles as “liberdades especiais”, como penas suspensas, saídas precárias e não voltam tantos, depois, a cometer os mesmos crimes? E aqueles que têm penas de prisão demasiado curtas e os que trabalhando na prisão não têm um ordenado superior a muitos dos bombeiros que combatem o fogo?

Um preso – se houve verdadeira justiça – pressupõe que pague à sociedade o mal que lhe causou. E há cerca de cinco anos, escrevi neste espaço que era sabido que os nossos presos tinham mesa posta e não cozinhavam; mudavam de roupa da cama duas vezes por semana, sem lavarem a roupa; tomavam banhos diários no tempo de Verão e tomavam dois ou três banhos por semana no Inverno; tinham tempos livres, televisão e médico uma vez por semana. Ora isto não é vida de prisioneiros, mas sim vida de clientes de qualquer pensão.

Não sei se esta minha afirmação, quanto aos presos em Portugal, é afirmação fascista ou comunista. Mas se é sabido que um reformado com um mínimo de euros mensal não consegue comer bem diariamente, não muda a roupa da cama, não toma banhos por não ter dinheiro para o gás e não vai ao médico porque não tem dinheiro para gastar na farmácia, como é?

Então porque não se dá a vida económica dos reformados aos presos, e não se dá aos reformados a vida económica dos presos? Os reformados beneficiavam e assim já os presos pagavam melhor à sociedade o mal praticado.

Os incendiários deste país, que sabem que na prisão nada lhes falta, gratuitamente, e ordenados recebem por trabalhos prestados, não deveriam pagar à sociedade com trabalho na reflorestação que incendiaram, gratuitamente, pois era uma forma de reconhecerem o seu erro e de não voltarem à pirologia?

Na verdade, não faz sentido, é horroroso saber-se que tais pirómanos destruíram/destroem em Portugal comunidades, vidas humanas, feridos graves, animais, infra-estruturas indispensáveis ao desenvolvimento local e, se preciso for, o Estado paga-lhes pelo trabalho nas prisões, depois de terem cama, mesa e roupa lavada, pagos, pela sociedade a quem ele prejudicou.

Sendo assim, não sendo eu fascista nem comunista – mas se for alguma dessas más coisas, agradeço uma chamada de atenção construtiva dos meus leitores – era de prender os presos nas casas dos reformados e com os euros destes, e soltar os reformados para as prisões, com as regalias e os euros daqueles.

Se assim fosse, era prender uns e soltar outros, mas tudo seria mais justo.

(O autor não segue o novo Acordo Ortográfico).



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