Espaço do Diário do Minho

Para que servem os milhões

5 Ago 2020
J.Carlos Queiroz

Depois de meses de angústia e de um confinamento forçado, os portugueses aguardam por melhores dias enquanto esperam uma vacina para atacar o Covid–19. Entretanto, a Europa solidária acordou e decidiu combater a crise, impondo algumas limitações. Mesmo assim, diz-se que vamos receber alguns milhões nos próximos anos, seja a fundo perdido ou baixo juro. São formas que permitem ao governo agendar planos e gerir recursos, por certo para atender à economia e ao desemprego, mas também para investir, isto é, semear para colher mais tarde.

E parece que já são muitos os interessados em “receber” ajudas, um mau sinal se o governo entrar em projetos megalomaníacos, que nunca serão do interesse dos cidadãos e do país.

Num passado recente e durante anos, fomos recebendo muitos milhões e fizeram-se grandes obras, investimentos e parcerias, que nalguns casos, ainda hoje nos saem caros, na opinião de economistas e políticos que frequentemente o referem e analisam, como erros do passado a evitar. Foram muitos milhões gastos em estudos, em projetos, em parcerias, que além de despesa, resultaram em obrigações e custos para o país.

Parece dever entender-se, que num primeiro momento continuamos a ter de enfrentar o combate à corrupção e à pobreza, para depois ter um plano de acção, uma estratégia para dar confiança aos investidores e aos cidadãos em geral. Ter um diagnóstico das áreas de risco, assinalando prioridades e diferentes graus de intervenção, tendo por referência um diagnóstico dos meios e recursos existentes, focando no seu desempenho e coordenação e enumerando as reformas necessárias para o seu aperfeiçoamento, definindo objetivos a cumprir e linhas estratégicas a seguir, elaborando ao mesmo tempo uma agenda de trabalho e um caderno de encargos para a prossecução dos objetivos, com calendarização das várias fases do processo e avaliação dos resultados que forem sendo conseguidos.

Estes são apenas alguns passos sugeridos por alguns economistas, preocupados com o futuro. Li algures que em Portugal se tenta regular por lei aquilo que a ética é incapaz de resolver, sendo que as dificuldades apontadas pela classe política são, regra geral, de natureza legislativa, e a solução passa, inevitavelmente, pela adopção de novas e mais leis anticorrupção, sem uma visão integrada do sistema de controlo.

Curiosamente, o tema da corrupção polemizou-se. Todos procuram protagonismo, ocupando o palco moral no sentido de transmitir a ideia de estarem na linha da frente no combate à corrupção.Salvo melhor opinião, os cidadãos  entendem tudo isto como uma violação das expectativas, como parte de um jogo sujo, que condenam e censuram, sempre na esperança, duma justiça que sempre tarda. Para que servem os milhões?

A pergunta só pode ter uma resposta, para combater a situação económica em que nos encontramos e permitir relançar a economia, o bem estar social, atendendo ao momento e à situação das pessoas e das instituições, investindo a pensar no futuro e criação de postos de trabalho. Fica a esperança como sinal para os desafios que vamos ter de enfrentar.



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