Vídeo: Passagem do Estandarte Nacional do Regimento de Cavalaria Nº6 e a sua Escolta

RC6.

RC6
23 Jul 2020

Está há 41 anos em Braga e é uma das forças vivas. O Regimento de Cavalaria Nº6 (RC6) não vai comemorar de forma convencional o aniversário face ao momento de Estado de Alerta face à pandemia covid-19, mas a este jornal, numa nota assinada pelo Coronel de Cavalaria Miguel Freire, Comandante do RC6, e o Alferes Ricardo Barbosa, Capelão do RC6, o Regimento preparou um documento onde dá conta da história, do presente e o futuro.

 

Na semana do 21 de julho, o Regimento de Cavalaria nº 6 (RC6), por ocasião das comemorações do seu dia festivo, tem o bom hábito de trazer ao centro da cidade de Braga algumas atividades de divulgação do Exército, sempre extraordinariamente bem acolhidas pela população. Não são só atividades “radicais” para os mais jovens, são também eventos para um público mais vasto, como o caso da Gala Equestre ou das atuações da Orquestra Ligeira do Exército. Infelizmente este ano não o poderemos fazer devido à situação pandémica que a todos preocupa. Mesmo assim não queríamos deixar de nos dirigir aos nossos conterrâneos dando conta do que foi este ano passado e reiterar o nosso profundo compromisso em continuar, orgulhosamente, a sermos uma força viva da região.

O RC6 foi fundado em 1709, recebeu várias denominações e esteve aquartelado em vários locais, mas está há 41 anos na cidade de Braga. Esteve aquartelado quase sempre a norte: Chaves, Bragança, Santarém, Miranda do Douro e Porto.

Em 1975 passou a denominar-se Regimento de Cavalaria do Porto. Transferido para Braga em agosto de 1979, adotou o nome de Regimento de Cavalaria de Braga. Em 1993 voltou, até hoje, a designar-se Regimento de Cavalaria nº 6.

Os 311 anos de história do Regimento confundem-se com a história do Portugal moderno, desde as invasões francesas, passando pela guerra civil e todo o turbilhão dos finais do Século XIX e do século XX. Desde 1998 tem sido parte do esforço nacional em contexto de missões lideradas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte ou das Nações Unidas em diferentes partes do mundo: Bósnia, Kosovo, Timor, Afeganistão, Lituânia, Iraque e, mais recentemente, República Centro Africana. Esta nota histórica permite-nos tomar consciência não só da presença geográfica como da dimensão dinâmica do RC6, adaptando-se ao tempo, às circunstâncias e necessidades, mas sobretudo a prontidão para o serviço que o caracteriza ao longo dos tempos.

O RC6 tem hoje como missão principal garantir a prontidão de um Grupo de Reconhecimento: uma unidade de cavalaria blindada que é um dos elementos da Componente Operacional do Sistema de Forças Nacional. Esta primeira obrigação é materializada pela projeção de Forças Nacionais Destacadas para os diferentes Teatros de Operações. Mas a sua dinâmica diária estende-se e tem um caráter muito mais abrangente e integrador na sociedade em que estamos inseridos, e que pode ser sistematizado em dois pilares estruturantes.

O apoio ao desenvolvimento e bem-estar das populações constitui-se no primeiro desses pilares, orientado, prioritariamente, para o espaço geográfico cuja responsabilidade de Apoio de Área é do RC6. A situação pandémica impôs grandes desafios a todos e o nosso Regimento, uma vez mais, integrou o esforço coletivo nacional. Tivemos de aprender e treinar procedimentos que desconhecíamos para depois os ensinar nas escolas, estabelecimentos prisionais e outras instituições, para além de termos apoiado na distribuição de material de proteção e conduzido ações de desinfeção em diversas instituições. O Regimento constituiu um Centro de Acolhimento para contaminados com Covid-19, que felizmente não chegou a ser ocupado. Nesta matéria, queremos afirmar que ficámos com conhecimento e experiência que nos permitem encarar com confiança a incerteza do futuro próximo.

Nesta mesma linha de compromisso com o desenvolvimento e bem-estar das populações, a que chamamos também de Apoio Civil, conduzimos em 2019, e retomámos já neste mês de julho, operações de apoio militar de emergência traduzidas em patrulhamentos em apoio à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, seguir-se-ão outras em apoio ao Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, e estamos a ultimar o protocolo de vigilância com a Câmara Municipal de Braga. Mantemos em prontidão Módulos de Intervenção e Vigilância Pós-incêndio para intervenção em qualquer ponto do país. O apoio militar de emergência é a missão, que no período de julho a outubro, exige grande comprometimento de todos os militares do Regimento num esforço coletivo de salvaguarda das nossas florestas e das nossas gentes.

O segundo pilar é o cumprimento das nossas responsabilidades na divulgação do serviço militar. Somos o Centro de Divulgação da Defesa Nacional onde os jovens de entre o Douro e Minho cumprem a sua obrigação militar de frequentarem o Dia da Defesa Nacional. Todos os anos cerca de 11.000 a 12.000 jovens contactam com as Forças Armadas e outras Forças e Serviços de Segurança, aqui no RC6. No final de 2019 o Regimento voltou a constituir-se como Polo de Formação para o Curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército, ou seja, a formar soldados recrutas.

Esta situação fez-nos ser a única unidade do Exército que reunia as três fases estruturantes no percurso profissional de quem decide servir no Exército: os primeiros contactos, enquanto mancebos, no cumprimento das obrigações militares que se materializa na participação no Dia da Defesa Nacional; o processo formativo que inclui a instrução básica e complementar com o momento central que é o Juramento de Bandeira; e, finalmente, a integração numa unidade operacional que se constitui na razão última do Exército e que naturalmente pode evoluir para o cumprimento de missões fora do território nacional integrando Forças Nacionais Destacadas. Fruto da situação pandémica, e agora juntamente com quase todos os regimentos do Exército, prosseguimos na formação de soldados recrutas uma vez que estes foram dispersos territorialmente para evitar aglomerados.

Gostaríamos de terminar dando conta dos jovens homens e mulheres que servem no Regimento de Cavalaria nº 6. Fruto da forte tradição de serviço militar voluntário das gentes do Norte, temos a situação muito particular de todos os nossos militares estarem colocados no Regimento em que desejam servir, quase na totalidade por este lhes permitir proximidade física à sua residência e ao seu agregado familiar. São, pois, jovens da terra. Generosidade e flexibilidade são as grandes qualidades que os caracterizam. Generosidade porque num contexto de severa falta de efetivos, nomeadamente na categoria das praças, só esta garante a contínua e incondicional disponibilidade para fazer face às inúmeras e diversificadas solicitações. Flexibilidade porque no contexto de incerteza dos nossos dias – em que a atual pandemia é um bom exemplo – só esta garante a possibilidade de ajustar conhecimento, experiência e abertura de espírito na procura de soluções para dar resposta aos múltiplos desafios que surgem.

Num espaço de um ano e meio um jovem militar pode ter cumprido missões puramente militares no Afeganistão ou na Republica Centro Africana; de patrulhamento ou vigilância pós-incêndio em Portugal; de distribuição de equipamentos de proteção individual; de formação ou ações de desinfeção no âmbito da crise pandémica na região do seu Regimento. Tudo isto enquanto cuida e garante a segurança do seu quartel; mantém e estima os seus equipamentos militares; desenvolve ações de informação sobre o serviço militar em feiras de profissões, escolas, universidades, institutos de formação e escolas profissionais; realiza ações de apoio a iniciativas de carácter institucional, associativo e pessoal – escolas, agrupamentos de escuteiros, formação de liderança a empresas, parecerias com autarquias e locais, apoio ao banco alimentar e instituições de solidariedade social, associações desportivas ou culturais, ou de beneficência e cuidado aos deficientes.

Servir no Exército, mais do que uma profissão, é uma paixão e uma aventura, na missão de serviço à Pátria, aos portugueses e ao bem-estar e desenvolvimento das populações num esforço de conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar.

Com 41 anos de presença em Braga, a população do Minho pode estar certa do apoio do seu Regimento de Cavalaria, do seu empenho e dedicação, da sua proficiência e da sua perseverança para servir, em todas as circunstâncias, todos os portugueses e portuguesas, com compromisso, com lealdade, com honra, com amor à Pátria. Dela apenas esperamos que possa acreditar e apostar, numa conjunta missão de divulgação, no encorajamento ao alistamento dos nossos jovens.




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