Fotografia: Renato Stock/Na Lata

Morreu o escritor António Bivar, nome da “nova dramaturgia” do Brasil, vítima da Covid-19

Por complicações respiratórias resultantes da covid-19.

Redação/Lusa
6 Jul 2020

O dramaturgo brasileiro António Bivar, autor de “Alzira Power”, um dos protagonistas da “nova dramaturgia”, morreu no domingo, em São Paulo, aos 81 anos, por complicações respiratórias resultantes da covid-19, informou o hospital Sancta Maggiore, onde estava internado.

“Neste domingo o Brasil perdeu um de seus grandes escritores”, escreve a imprensa brasileira, recordando títulos de António Bivar, que o ‘site’ G1 da Globo define como “clássicos do teatro nacional”, como “Cordélia Brasil”, de 1967, a sua peça de estreia, e “Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã”, que lhe garantiu o Prémio Molière, no ano seguinte.

Antonio Bivar Battistetti Lima, nascido em Ribeirão Preto, estado de São Paulo, em 1939, faz parte do grupo de jovens dramaturgos, da chamada “geração de 1969”, surgido no final da década de 1960, que opôs o absurdo, ao realismo tradicional, inspirado nos movimentos ‘contra-cultura’ da época.

“Dramaturgo, biógrafo, jornalista, contista, romancista, tradutor, ator, guionista, cronista, diretor e produtor musical”, como o define a Enciclopédia Itaú Cultural, António Bivar frequentou a Fundação Brasileira de Teatro e o Conservatório Nacional, onde se formou como ator, mas de onde saiu feito dramaturgo, em vésperas de estrear a primeira peça, “Cordélia Brasil”.

A ditadura militar (1964-1985) afastou-o do país. Fixou-se no Reino Unido, em 1970, mas continuou a escrever para os palcos do seu país, peças como “Longe Daqui, Aqui Mesmo” e “Alzira Power”, a única obra do escritor até hoje representada em Portugal, por iniciativa da coreógrafa Águeda Sena (1927-2019), no âmbito do trabalho de pesquisa que levou a cabo na década de 1980, com a Associação Cultural Teatro Espaço, centrado num ciclo de farsas brasileiras, contemporâneas.

Os títulos de Bivar estendem-se ao ensaio, em obras como “O que é punk?”, sobre o movimento que viu emergir no Reino Unido, à biografia, em títulos como “Yolanda”, à análise literária, como “Bivar na Corte de Bloomsbury”, sobre a obra da escritora britânica Virginia Woolf, e às memórias ou relatos de viagens, como em “Verdes Vales do Fim do Mundo”, de caráter autobiográfico.

Produziu espetáculos de Maria Bethânia e de Rita Lee, criou a comédia “Gente Fina é Outra Coisa”, com Alcyr Costa, escreveu “Quarteto”, em homenagem ao encenador polaco Zbigniew Ziembinski, e foi um dos organizadores do festival O Começo do Fim do Mundo, marco do movimento punk no Brasil.





Notícias relacionadas


Scroll Up