Espaço do Diário do Minho

O REGRESSO DA OBRIGAÇÃO DA NOSSA PRESENÇA NA SANTA MISSA DOMINICAL

4 Jul 2020
P. Rui Rosas

È natural que os efeitos da pandemia, para além do seu aspecto desagradável para todos nós, esteja a causar, dentro dos fiéis da Igreja, alguns mal entendidos, quanto à prática religiosa habitual.

Ninguém gosta de estar impedido de trabalhar, a não ser no desejado tempo de férias laborais a que todo o profissional tem direito. Mas estancar a vida, meter-se em casa com saídas reservadas e algo temerosas de que o vírus maldito que a China exportou possa tocar-nos sem dó nem piedade, eis uma situação difícil de tolerar. Mas, por ser obrigatória, todos a suportámos como pudemos e, naturalmente, com o desejo inequívoco de que o período de quarentena chegasse ao seu fim.

Nem todo o país, de momento, goza das mesma segurança. Há zonas em que, se a princípio o perigo de contágio não se mostrava tão virulento, parece que agora as circunstâncias se inverteram. Seja como for, existe uma maior abertura à circulação das pessoas, e as cidades e as povoações, a pouco e pouco, voltam a ter o trânsito mais próximo do seu normal.

Por este motivo, também se põe o problema, aos fiéis da Igreja, de cumprirem aquilo que está determinado em relação à prática religiosa. A Conferência Episcopal Portuguesa determinou que, nos tempos de quarentena em que se devia permanecer em casa, os fiéis assim procedessem e respeitassem o que fora indicado.

Não penso que as autoridades civis tenham razões de queixa a respeito do modo como os nossos fiéis aceitaram estas regras. Suponho que com custo, nomeadamente no que diz respeito à Missa dominical e também às festas tradicionais, de carácter religioso, que foram suprimidas ou adiadas, o comportamento foi, em regra geral, exemplar, mesmo em situações mais custosas e difíceis, como as que se relacionaram com os funerais, que tiveram simplificações cultuais e presenciais muito fortes. São ocasiões em que a presença dos amigos e parentes amenizam o sofrimento de quem fica enlutado; todas estas ausências, por obediência ao que as autoridades prescreveram no uso do seu direito, podem ser compreensíveis, mas não poupam quem vê um seu parente próximo ou amigo partir sem que lhe possa dar presencialmente – a ele e aos seus familiares mais próximos – o devido adeus cheio de afabilidade.

Voltando ao parágrafo inicial, consta-me, de acordo com o que alguns sacerdotes me contaram, que a abertura paulatina do estado de confinamento não tem suscitado, duma parte dos fiéis, a correspondência que seria de esperar. Pelo contrário. Perante o esforço que alguns párocos e padres têm efectuado, com os custos físicos que isso acarreta, de celebrarem mais Missas nos dias de preceito, a fim de que as distâncias requeridas entre as pessoas em recintos mais ou menos fechados, como são as igrejas, sejam devidamente respeitadas, parece que o interesse suscitado não tem sido o desejado.

Os fiéis devem ter consciência de que, à medida que as proibições chegam ao seu fim, a exigência do cumprimento da presença na Missa nos dias de preceito, deve ser, para eles, uma questão que não se discute. E não terem uma atitude de indiferença tíbia e de comodismo egoísta, passando por alto uma obrigação de consciência para com o seu melhor amigo, que é Jesus Cristo. Não esquecer que o cerne da Santa Missa é a renovação do Sacrifício do Calvário. Nesse acto dolorosíssimo e injusto, Jesus ofereceu a sua vida em resgate dos nossos pecados. Com a sua Ressurreição real, demonstrou que é Senhor da vida e da morte e que as portas do Céu, fechadas com o pecado de Adão, voltaram a abrir-se para a nossa felicidade. Aliás, foi para ela que Deus nos criou. Cristo não se nos apresenta como um teórico de boas ideias. É exemplar perfeito e concreto do que nos diz, quando afirma: “Não há maior prova de amizade do que dar a sua vida pelos seus amigos (Jo 15, 13)”. E foi exactamente o que Ele fez por todos e cada um de nós.



Mais de P. Rui Rosas

P. Rui Rosas - 26 Set 2020

O Artigo n.º 43 da nossa Constituição apresenta vários parágrafos, que vale a pena assinalar. Assim, o n.º 1 determina: “É garantida a liberdade de ensinar e educar”; O n.º 2 diz: “O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas e religiosas” E ainda se observa […]

P. Rui Rosas - 12 Set 2020

Toda a nossa sociedade vive um momento de insegurança. Não sabemos bem como havemos de nos comportar, perante aquilo que nos espera num futuro próximo, ameaçado como está por uma epidemia que não nos larga, apesar das medidas de precaução que as autoridades sanitárias tomaram há alguns meses. E tememos, por um lado, que cheguem […]

P. Rui Rosas - 15 Ago 2020

Compreendemos que Jesus quisesse que Nossa Senhora fosse para o Céu tal qual a conheceu na terra. Maria é ser humano e, como tal, tem uma alma espiritual imortal e um corpo material. Nem uma nem outro foram tocados pelo pecado, pelo que a santidade da Virgem Santíssima é total, ou seja, estava nas devidas […]


Scroll Up