Espaço do Diário do Minho

Ponto por ponto

29 Jun 2020
Armindo Oliveira

“Quem se livra das dívidas, enriquece” – George Helbert, poeta britânico (1593-1633)

Ponto um – Perguntar não ofende – diz o povo – o que é bem verdade e pertinente numa democracia moderna e civicamente responsável. É pelas perguntas e obviamente com as respostas competentes que o regime se apura, se torna mais transparente e capaz de resolver os seus problemas. E são muitos e graves neste momento. Nesta perspectiva, é legítimo questionar os poderes e criticá-los, sem papas na língua, para reflectirem no percurso encetado. Para afinarem estratégias e clarificar objectivos. Para lhes chamar à atenção pelas decisões que tomam. Sim, é legítimo e recomendável questionar estes políticos que vivem num mundo à parte. Por isso, é preciso colocar, a todo o momento, questões e questões difíceis para os decisores do país responderem com verdade e com responsabilidade. Sem isso, continuaremos a ter políticos anódinos que se manobram à vontade nos corredores do poder sem prestar contas a ninguém. E eles não gostam de ser questionados, nem de prestar contas. Escondem-nas, porque continuamos a ser uma sociedade amorfa e uma democracia que vende ilusões e embustes. A massa crítica nacional desapareceu. Ou acomodou-se. Melhor, acovardou-se.

Ponto dois – Qual a razão dos governos não governarem como as famílias governam as suas próprias casas? Qual a razão dos governos não assumirem e se responsabilizarem, por inteiro, pelos seus actos de gestão e pelas suas decisões como fazem as famílias no quotidiano? Qual a razão dos governos, câmaras municipais, juntas de freguesia, institutos e entidades públicas se endividarem, sem jeito, nos seus mandatos e não responderem criminalmente pelo descalabro que provocam? Não é assim que acontece com qualquer família nacional ou com qualquer empresa que cometam erros de gestão ou se metam em sarilhos financeiros para os quais não têm “pernas para andar? Porque, é que, a “coisa pública” está falida e existe tanta pobreza?

Ponto três – Governar não é só usar a demagogia a propósito, os sorrisos e as artimanhas para se vencerem eleições ou fazer-se boa figura nos debates entre os pares. Governar não é dar tudo ao eleitor para lhe apanhar o voto. Governar não é só ter o poder na sua mão e fazer dele centrais de emprego para os amigos e correligionários. Governar é muito mais do que isso. Governar é proporcionar aos seus governados uma vida decente e tranquila. É preparar o futuro, de modo a que as gerações vindouras possam aspirar a sonhos e a construir esses sonhos. É um acto de consciência, de abnegação e de responsabilidade. É, enfim, estar ao serviço dos outros.

Ponto quatro – A velha política caseira do deve/haver (despesas/receitas), muito usada, empiricamente, pelas famílias, dá bons resultados, quando gerida com cautela e acerto. Tudo assenta numa estratégia muito simples. Ou seja, uma família responsável gasta conforme os rendimentos que tem e não vai além disso. Isto é, há limites para as decisões a tomar. Se uma família entra na gestão irresponsável, de débitos em excesso em relação aos ganhos, ja se sabe o que lhe vai acontecer: falência (pobreza, miséria) ou pedir socorro à DECO para lhe ajudar a resolver o imbróglio que lhe traçará um plano de forte contenção nas despesas. E depois…

Ponto cinco – Os governos nacionais habituaram-se a gastar à fartazana. Daí, o país ter uma dívida pública a ultrapassar os 270 milhões de euros, o que representa um autêntico disparate e uma ofensa a todos aqueles cidadãos que se esforçam, que poupam, que lutam pela qualidade de vida das suas famílias. É uma tristeza esta constatação. Como se chegou ao abismo? Quem foram os culpados? Quantos estão a prestar contas à justiça pelos desmandos? A conclusão a tirar desta história toda é que todos aqueles que exerceram cargos políticos e contribuíram para o descalabro financeiro só podem estar inocentes (?). Essa gente não deveria sair da cena política ilibados de responsabilidades. Teria que colocar o rabo no mocho. Seria justo.

Ponto seis – Como ponto final e para reflectir, pensemos na nossa cidade com os mais de 200 milhões de euros esbanjados no Estádio da Pedreira, na Piscina Olímpica e nos campos sintéticos. Pensemos só nestes três “equipamentos” e obviamente no dinheiro gasto. No dinheiro não investido. Dinheiro sem retorno. Sem culpados. E sem responsabilizações. Só resta às gerações vindouras pagarem o desconcerto de políticos irresponsáveis. Uma vergonha!



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