Espaço do Diário do Minho

“Marteladinhas” de S. João

22 Jun 2020

Meu S. João este ano

Te cancelaram a festa,

Máscaras… zaragatoas 

É tudo quanto nos resta.

 

Coronavírus tramou-nos,

Tirou-nos teu arraial,

Ó meu S. João de Braga

Salvai a todos do mal.

       

Ficamos sem foliões,

Rusgas e martelinhos,

Ó meu rico São João,

Sem abraços e beijinhos

 

Tanto tempo confinados

Ao quarto, sala e cozinha,

S. João damos em doidos

Sem essa tua festinha

 

Lá se foi tua noitada,

Lá se foi o pé de dança,

Só meu São João ficou

O manjerico d’esperança

 

Nem estalar de foguetes

Vamos ter no São João,

Nem o balão a subir,

Nem alho-porro na mão

 

Mafarrico veio a Braga,

Bem o sabeis ó São João,

É esta peste chinoca

Que chegou de avião.

 

Ó meu S. João da Ponte

Agora é que vamos ver,

Se a Câmara concretiza

Tudo quanto quer fazer.

 

Com tanta festa parada,

Sem nada p’ra divertir,

Ricardo Rio só espera

Pelo ano que há-de vir

 

S. João nós te pedimos 

Que nos livres desta peste

E da outra que persiste

Nas águas do Rio Este

 

Ó São João cá em Braga

Os painéis serão às resmas

De que adianta o controlo

Se as vias são as mesmas?

 

Qualquer dia vamos ter,

Ó meu São João da Ponte,

Um “cometa” na Falperra,

 E no Bom Jesus do Monte.

 

Daquilo que não foi feito

S. João só tenho pena, 

  Da obra das Sete Fontes

  Que não sai da quarentena.

 

Se há algo cá em Braga

Parado que não avança, 

São João tu bem o sabes

É o processo “Confiança”.

 

Ó meu São João ouvi-nos 

Curai-nos destas feridas

E de todas as maleitas

O prédio das “Convertidas”

 

Meu coração, São João,

Sem festa ficou em cacos

E as estradas de Braga

Todas cheias de buracos.

 

Quem me dera São João

O velhinho carro elétrico,

E em vez das trotinetes

Um moderno teleférico. 

 

Pecados mortais são sete,

Como são as maravilhas,

 E meu S. João são sete

Os vereadores sem pilhas.

 

Se energia vai haver,

S. João e com fartura,

Logo que a crise passe, 

É na área da cultura.

 

E se o Estádio vão vender  

Não vejo por que razão

O apregoar dos defeitos

Meu querido São João.

 

Se há coisa que não entra,

São João na minha tola, 

É que Braga passe a ter

Três estádios só prá bola.

 

São João as passadeiras 

Por que foram adiadas?

Será por falta de zebras?

Ou estarão infetadas?

 

Quantas coisas desejadas,

Meu São João para Braga,

Às vezes eu até penso

Que se trata d’uma praga.

 

São João fui na cantiga

Do “fazer mais e melhor”

P’ra esta linda cidade,

E que vejo em redor?

 

Muita conversa fiada

Meu S. João podes crer,

Tanta coisa anunciada

E muita mais por fazer.

 

S. João sente-se um cheiro,

Em Braga muito aviltante

  E se levássemos a festa

Lá prós lados do Avante?

 

Abrilistas castos, puros

Festejaram “revolução”

E nós em casa trancados,

Não foi justo São João.

 

CGTP encheu a Alameda

Em dia do trabalhador,

  S. João os que morriam 

  Não levaram luto e dor

 

S. João dizem que o vírus

É de origem natural,

Está resolvido o assunto

Livrando a China do mal.

 

Se verdade há S. João,

Neste país esquerdista,

É o devorar de valores,

Pela cartilha marxista.

 

Portugal é um país

A perder sua memória,

A ignorar São João

Os feitos da sua História. 

 

Estas quadras, São João,

Aqui deixo com saudade,

Não são obra de poeta,

São as filhas da verdade.

 

 



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