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Densidade populacional, trabalhadores precários deslocados e imaturidade explicam “picos” em Lisboa/Vale do Tejo

«Eu, que não sou defensor de radicalismo sanitário, [acho que] também não se pode cair no outro extremo que é o facilitismo», defendeu, alertando que seria «pouco inteligente» perder tudo o que foi alcançado «por insensatez ou precipitação».

Redação / Lusa
31 Mai 2020

O Presidente da República reiterou hoje o apelo à população para que não se passe «do 8 para o 80» nas medidas de prevenção da covid-19, alertando para os riscos da imagem do país «cá dentro e lá fora».

Marcelo Rebelo de Sousa voltou a dirigir um apelo especial aos mais jovens para que pensem que “um terço da população portuguesa é de risco”, entre pessoas idosas ou com problemas de saúde.

«Até para pensarem no seguinte: nós precisamos de solidificar a imagem cá dentro e lá fora de que este processo é irreversível, não vai conhecer recuos, não levanta dúvidas e objeções, para querermos ter turismo, investimento, para querermos ter pessoas que possam vir e circular cá dentro e lá fora», salientou.

O chefe de Estado alertou que se Portugal continuar a ter «picos de infetados», apesar de não se traduzirem em aumento de internados ou de pessoas nos cuidados intensivos, fica «uma imagem que não dá segurança cá dentro e permite lá fora formular juízos que não correspondem ao que tem sido conseguido até agora».

«É uma questão de bom senso, de não passar do 8 para o 80. É passar do 8 para 16, depois para 24, depois para 48 e por aí adiante até chegar aos 80», afirmou.

O chefe de Estado considerou que nas próximas semanas – «esperemos que não muitas», disse – «alguma moderação da parte dos mais jovens seria bem-vinda».

«Eu, que não sou defensor de radicalismo sanitário, [acho que] também não se pode cair no outro extremo que é o facilitismo», defendeu, alertando que seria «pouco inteligente» perder tudo o que foi alcançado «por insensatez ou precipitação».

Questionado sobre como se explica o agravamento dos números da pandemia da covid-19 na Grande Lisboa, o Presidente da República atribuiu-os à maior concentração populacional numa zona onde vivem «milhões de pessoas» e fez questão de separar dois tipos de situações.

«Há uma realidade que são as pessoas que trabalham: trabalhadores precários deslocados das suas origens, que trabalham ou se deslocam em condições que propiciam o contágio. Outra é o clima que tenho testemunhado que é o à vontade com que os jovens, achando que não têm risco pessoal, começam a viver esta fase, como se não se tivesse vivido tudo o que se viveu», reforçou.

Em Portugal, morreram 1.410 pessoas das 32.500 confirmadas como infetadas, e há 19.409 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.





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