Espaço do Diário do Minho

Em jeito de homenagem a S. João Paulo II, Magno ( 2)
28 Mai 2020
Carlos Aguiar Gomes

Raramente um Papa deixou em herança um património imaterial tão vasto, precioso e que nunca perderá actualidade como S. João Paulo II ,Magno. Contudo, neste tempo, que ele identificou, caracterizou e para o qual apresentou soluções ( cf, por exemplo a “ Ecclesia in Europa” onde se dirige de forma límpida e sem ambiguidades, aos gravíssimos problemas que este velho e decrépito continente, berço de civilizações, presenta há já várias décadas), corremos o rico de DELAPIDAR esse fabuloso património. Perde a humanidade toda. Perde, e muito, a Igreja que cada vez mais se apresenta amnésica e delapidadora do seu património, da sua herança. Em muitos sectores da moda, crê – se e impõe- se que se acredite, que a Igreja começou … há poucos anos, tal é a dimensão da derrocada a que estamos a assistir.

E quando se fala ou ouve falar de Solidariedade, como novidade entre as novidades, para quem deseja ardentemente esquecer a Carta Encíclica “ Sollicitudo Rei Socialis” de 1987…

E fala-se, há muito ( e bem) do papel dos leigos na Igreja, como se só agora se descobriu que estes são tão membros da Igreja como o Papa ou um Sacerdote, mas que se continuam a “ clericalizar”, não se remetendo para a fabulosa Exortação Apostólica “ Christifideles laici”, de 1988…

Adiante, que o espaço é curto…

No dizer de Rémi Brague, ilustre filósofo francês, Professor de Antropologia Cristã, Professor emérito de Filosofia Medieval e Árabe na Sorbonne e galardoado com inúmeros prémios, nomeadamente o prestigiadíssimo “ PRÉMIO RATZINGER” ( 2012), o mérito maior de S. João Paulo II, Magno, “ é o de ter posto o acento na luta entre duas culturas. É curioso que das expressões que mais usou, a primeira, “ cultura da vida”, seja uma tautologia e e segundo , “ cultura da morte” , um oxímoro. Cada cultura protege a vida e ajuda a que floresça.” … Por isso, “ cultura da morte” “, a que vivemos é auto- destrutiva. Assim, não foi por acaso que S. João Paulo II, Magno, deu tanto ênfase à defesa da vida humana ( da concepção até à morte natural), à memória cristã, aos valores do cristianismo, entre outros pilares que definem e constroem a “ cultura da vida” tão ameaçada nos nossos dias.

Em 4 de Maio pp, o Papa Emérito BentoXVI, escreveu uma carta notável ao Arcebispo de Craóvia, a propósito do 1º centenário do nascimento de S. João Paulo II . De forma lapidar e sintética analisa a vida deste grande Papa de sempre. No artigo anterior já abordei e citei um dos aspectos da referida carta.

Quem tem a pachorra de ler e ouvia na Rádio Sim, sabe que usei e uso, referindo-me a S. João Paulo II, o epíteto de Magno. E como primeiro servidor da Militia Sanctae Mariae, cavaleiros de Nossa Senhora, em 15 de Abril pp determinei que se passasse o apelidar S. João Paulo II como Magno. Logicamente que fiquei felicíssimo ao ler este extracto da carta de Bento XVI, depois de se referir ao porquê de haver dois Papas chamados de Magno ( S. Leão Magno e S. Gregório Magno) diz: « É indiscutível que a fé do Papa foi um elemento essencial no desmoronamento do poder comunista. A grandeza evidente em Leão I e Gregório I, portanto, é certamente visível também em João Paulo II.

Deixamos em aberto se o epíteto “magno” prevalecerá ou não. O certo é que o poder e a bondade de Deus se fizeram visíveis para todos nós em João Paulo II. Num momento em que a Igreja sofre mais uma vez a aflição do mal, este é um sinal, para nós, de esperança e confiança.».

Está lançado o desafio. Para mim S. João Paulo II terá de ser apelidado de Magno e tudo farei para que assim seja!



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