Fotografia: DR

Terras de Bouro quer classificar “vezeira” para preservar tradição pastoril

Tradições seculares.

Redação / NC
26 Mai 2020

A Câmara de Terras de Bouro está a trabalhar para conseguir a inscrição da “vezeira” no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial Português, anunciou hoje o município.

Em comunicado, o município refere que “tem em marcha” a elaboração do dossiê de caracterização daquela prática ancestral, com o objetivo da abertura do processo de classificação.

“Desta forma, espera-se poder ajudar a travar o declínio desta atividade tão importante e tão identitária das nossas populações, assumindo o município as ações de salvaguarda e valorização na edição de 2021”, acrescenta.

Sublinha ainda a necessidade de assumir a dinamização das tradições como “fator essencial” do reforço da entidade cultural do Minho.

A “vezeira” traduz-se numa espécie de ‘emigração’ do gado, que, quando o tempo aquece, sobe até à serra à procura de melhores pastos e ali permanece até ao início do outono, altura em que regressa à base, por o frio começar a apertar.

O gado é guardado à vez pelos vários proprietários, advindo daí a designação de “vezeira”.

Por cada duas cabeças de gado, o dono cumpre um dia de vigilância na serra, guardando os animais de toda a aldeia.

Na serra, os animais andam de curral em curral, sempre à procura dos melhores pastos.

Em cada curral, há um abrigo para o pastor, que lá cozinha à lareira, descansa e pernoita.

Esta prática comunitária pretende aproveitar as pastagens que fluorescem na serra nos meses mais quentes, poupando assim os pastores dinheiro na alimentação dos animais.

Se algum animal se perder na serra ou for vítima dos ataques do lobo, os pastores que fazem parte da “vezeira” contribuem com uma determinada quantia para ressarcir o dono do prejuízo.

A subida do gado é, normalmente, assinalada com uma festa no Gerês que inclui concertinas, cantares ao desafio, folclore e as tradicionais “chegas de bois”.

Mas o ponto alto da “subida da vezeira” é o desfile do gado pelo centro da vila do Gerês, numa espécie de “festa de despedida”.

Este ano, não houve festa, por causa das restrições impostas pela pandemia de covid-19.





Notícias relacionadas


Scroll Up