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Póvoa de Lanhoso quer estratégia comum na CIM do Ave para ajudar empresas
22 Mai 2020
José Carlos Ferreira

O presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso defende que deve haver uma estratégia comum ao nível da CIM do Ave para ajudar as empresas.

Diario do Minho (DM): Neste momento de pandemia, que percepção tem do tecido económico empresarial do concelho?
Avelino Silva (AS): Constituímos um grupo de trabalho para a economia local, para refletir sobre a melhor estratégia a seguir, de forma a minimizar os impactos da pandemia na economia povoense. Temos de ter presente que a principal responsabilidade cabe ao Governo, mas a autarquia também está disponível para assumir uma parte, dentro das suas capacidades.
Defendemos que os municípios devem estar articulados e, no âmbito da Comunidade Intermunicipal (CIM)
do Ave, deverá ser definida uma estratégia comum. O território deve atuar como um todo, pois só assim poderemos melhor representar as nossas empresas junto do Governo.
O têxtil e o calçado são muito fortes neste território. Terá de haver uma resposta efetiva aos problemas que teremos pela frente.
DM: A autarquia está preocupada com o pequeno comércio que foi obrigado, pela força da lei, a estar de portas fechadas?
AS: Claro que sim. Neste momento, a nossa prioridade ainda é tratar da saúde dos povoenses e fazer todos os esforços para que não haja transmissão do vírus. Essa é a prioridade, mas não podemos deixar de antecipar o outro problema desta pandemia, que será o seu impacto na indústria, no comércio e nos serviços. O pequeno comércio é essencial para a estabilidade social e é dele que provém o único rendimento para muitas famílias. Mas vamos continuar atentos.

DM: Que medidas a autarquia determinou para ajudar estes comerciantes e empresários da restauração?
Em primeiro lugar, deixe-me referir que criámos quase de imediato uma linha telefónica à qual podem e devem recorrer empresas e comércio, para obterem informações e esclarecimentos sobre as linhas financeiras de apoio existentes. Este apoio é prestado através do Gabinete de Promoção do Desenvolvimento económico da autarquia. Em segundo lugar é de referir que decidimos isentar todas as empresas e serviços do pagamento de água, saneamento e resíduos. É um contributo da autarquia, para que ultrapassem mais rapidamente esta fase atual.

DM: As medidas implementadas pelo Governo são suficientes para que as empresas se aguentem?
AS: As medidas do Governo ajudam certamente. Mas acho que falta algo mais objectivo para o comércio, porque vamos recebendo várias queixas da complexidade das linhas de crédito disponibilizadas. Ou há respostas ao nível da tesouraria, que permita injectar liquidez nestas micro empresas ou teremos sérios problemas.

DM: Acha que, mesmo com as medidas, é previsível um crescimento da taxa de desemprego?
AS: A Póvoa de Lanhoso estava a atravessar uma fase francamente positiva, com o retomar da economia e com a redução do desemprego, antes de toda esta situação de incerteza provocada por uma crise sanitária com impactos profundos a escala mundial. Ainda é cedo para termos a noção exata das consequências no emprego, mas haverá consequências e como autarquia faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para as minimizar.

DM: Tendo em conta que o Turismo é uma grande fonte de receita para a região, que danos poderá trazer esta situação que vivemos para o setor?
AS: As consequências são claras. Os hotéis estão fechados e o receio de contaminação vai criar desconfiança nos turistas. Não vale a pena achar que tudo vai ser igual no curto prazo. O sector enfrentará um período muito difícil, sendo necessária uma estratégia que os ajude e que adapte o turismo às condicionantes enquanto não tivermos uma vacina.

DM: Sente que anos de trabalho podem estar em causa?
AS: Eu sou por natureza optimista. Mas nada ficará como antes. Há sectores que perderão e haverá certamente outros que ao adaptar-se criaram novas áreas de negócio.
Ainda é cedo para termos uma noção mais objectiva.

DM: Em termos sociais, acha que pode haver uma maior procura dos instrumentos de proteção social por parte das pessoas?
AS: Em momentos de dificuldades, como os que se anteveem, queremos assegurar às populações que vão poder continuar a contar com a autarquia, quer através dos apoios que já existem, quer através de novas respostas que possamos vir a criar. Conseguimos, por exemplo, rapidamente apoiar com equipamento informático e outro todos os estudantes do nosso concelho que não tinham recursos para acompanhar o ensino à distância determinado pelo Governo.
DM: Teme o crescimento da violência e da criminalidade, normalmente associada a crises?
AS: É nos momentos de mais dificuldade que também assistimos a movimentos de maior solidariedade entre as pessoas e certamente isso vai continuar a acontecer. Dito isto, deixe-me referir que temos total confiança nas forças de segurança e aproveito para deixar uma palavra de agradecimento a todos os agentes de proteção civil, GNR, Bombeiros, profissionais de saúde, porque têm feito um trabalho a todos os níveis essencial e notável. Outro agradecimento a diversas entidades ligadas à indústria e ao turismo, por exemplo, que têm sido importantes parceiros da autarquia, assim como as IPSS’s e os colaboradores do município. Todos têm sido incansáveis.

DM: Com este travão económico, há projetos que vão ter de esperar?
AS: A prioridade das nossas decisões tem sido dar resposta às necessidades dos povoenses que resultam desta alteração provocada pelo Covid -19.Mas não podemos deixar de cumprir os projectos que temos definidos para este ano. Se é verdade que ao nível dos eventos culturais e desportivos teremos de rever a sua realização, o mesmo já não acontece ao nível do plano de investimentos nas freguesias.
Por isso estamos a manter a realização das obras previstas, mas agora com a preocupação de cumprir todas as orientações das autoridades de saúde. Temos duas preocupações fundamentais para os próximos dias: continuar a combater esta pandemia, não facilitando achan-
do que já passou; e assegurar que o desenvolvimento do concelho siga o rumo que todos queremos.

 

 

Câmara traça linha estratégica para apoiar atividade económica

 

Na sequência da auscultação aos empresários de vários setores, a Câmara da Póvoa de Lanhoso traçou uma «linha estratégica» nas componentes sanitárias e económicas para enfrentar as consequências da pandemia de forma a «relançar a economia», anunciou ontem a autarquia.
Por despacho do presidente da Câmara, Avelino Silva, a autarquia decidiu pela «isenção das taxas municipais devidas por ocupação de espaço público (e pelo respetivo requerimento), para a prática de desporto através da lecionação de aulas por empresas do setor, bem como a isenção das taxas municipais devidas por ocupação de espaço público (e pelo respetivo requerimento), para a instalação de esplanadas, e outro mobiliário urbano adstrito ao funcionamento destas».
Como segunda medida é apontada a reabertura, de forma gradual, da feira semanal, com início a 21 de maio próximo, apenas com os setores de produtos alimentares, sendo que «e apenas para aqueles setores, a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso decidiu isentar de taxas os produtores diretos, no período de maio a dezembro de 2020, bem como reduzir em 50% as taxas para os restantes espaços de venda, de junho a dezembro de 2020».
A terceira medida que vai ser implementada pela Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso determina a «devolução dos respetivos valores nos casos em que os sujeitos passivos já tenham procedido ao pagamento das taxas municipais relativas ao período abrangido nas isenções previstas».



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