Espaço do Diário do Minho

Passos dados
22 Mai 2020
Luís Covas

No meu artigo anterior abordei a temática do que será o futuro do desporto português, face ao contexto atual que vivemos, e as consequências que esta pandemia vai deixar no setor desportivo duma sociedade moderna, atualizada e saudável.

Coloquei alguma apreensão quanto ao futuro, na fidelização de muitos praticantes das diversas modalidades, face à conjuntura sócio económica dos tempos que aí vêm já que hoje em dia esses praticantes eram o maior suporte financeiro e logístico de muitos clubes e respetivas equipas, no que ao desenvolvimento e crescimento das mais diversas modalidades, diz respeito.

Época terminada importa começar a pensar o que teremos que fazer, para o que aí vem, e preparar cenários em contexto de incertezas. E que passos é que já foram dados? Sugeri reunir especialistas que pudessem criar instrumentos, relativos ao impacto de uma paragem desta natureza e pudessem dimanar diretrizes que orientassem o desporto no rumo certo.

Poder-se-ia pensar também nos planos de desenvolvimento desportivo das modalidades, e, particularmente, na perspetiva de ecletismo que emergiu na década de setenta e oitenta, direcionando-me para a ideia de que se queremos vencer os efeitos nefastos desta pandemia e confinamento, teremos de cooperar, fazendo chegar fundamentos de peso, bem argumentados científica e pedagogicamente, de que urge uma mudança de paradigma. E não se pense que tudo possa passar pelo Desporto Federado, tem uma palavra a dizer no sentido de promover a união de forças para que haja um verdadeiro Plano de Desenvolvimento Desportivo Infantojuvenil onde, um conjunto de princípios de natureza pedagógica, possam possibilitar a cada contexto construir o seu projeto desportivo.

Autarquias, Escolas, Clubes e Associações Desportivas e outras instituições públicas e privadas têm de perceber definitivamente que a finalidade do Desporto Jovem é proporcionar uma formação desportiva de qualidade e não servirmo-nos das crianças e jovens para alimentar um projeto desportivo direcionado para um alto rendimento futuro, que em muitas modalidades é alimentado através do mercado de jogadores estrangeiros.

O Desporto poderá efetivamente entrar no contexto escolar, sem prejuízo de se concretizarem os objetivos e aprendizagens essenciais da disciplina de educação física e em perfeita sintonia com os objetivos do Desporto Escolar e mais em sintonia com os benefícios que traz no rendimento escolar. Mas na verdade entrará pela força de uma argumentação capaz de poder fazer influenciar positivamente quem decide politicamente. Uma criança e um jovem não se desenvolvem exclusivamente do pescoço para cima, mas sim da cabeça aos pés e dos pés à cabeça. Numa visão integrada de desenvolvimento, onde o tempo de permanência na escola tem de ser passado vivenciando experiências ricas, nas mais variadas áreas de aprendizagem.

Se assim se fizer creio que estarão dados passos seguros para esta mudança de paradigma e para que possamos ter um futuro desportivo risonho com que sempre ambicionamos!..



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