Espaço do Diário do Minho

Manter a chama
22 Mai 2020
Carlos Dias

Nestes tempos de confinamento, o Desporto ficou parado, mas muitos dos seus protagonistas continuaram a manter alguma condição de preparação, eventualmente, muito básica, mas decisiva para continuar a perspetivar a abertura do cenário futuro.

As equipas continuaram com trabalho conjunto, mas apenas online. Muito limitadas, porque faltam algumas áreas de grande importância para os desportos coletivos, como são os fatores táticos, mas também falta a partilha, a comunhão do suor e o esforço conjunto.

No entanto, ligados, mantiveram-se planos de trabalho físico, mais que não seja para não perder o vínculo com a equipa, para se manterem em contacto, até que seja possível voltar a partilhar alegrias e abraços. Os atletas das modalidades individuais têm, em alguns aspetos, mais facilidade em cumprir planos de preparação, mas ainda assim sem as condições que os clubes habitualmente facultam. Muitos treinam nos parques, na garagem, em condições pouco condignas, mas são as possíveis, até onde a imaginação deixa ir.

O adiamento dos Jogos Olímpicos, também fizeram adiar o sonho da glória, mas os atletas e treinadores, continuaram o processo de preparação, adaptados e muito mais restritivos, mas existe um esforço diário em manter os índices de condição física e técnicos.

Os que já confirmaram a presença neste grande evento, viram a sua vida andar para trás, e tiveram que reajustar os planos de preparação. Não há muitas dúvidas que cada atleta, cada treinador, cada dirigente, tem lidado com esta situação à sua maneira, para continuar a manter a chama dos valores e da importância que o desporto tem na vida de todos nós. Pé ante pé, devagar, as portas abrem-se e os atletas procuram as soluções possíveis para voltar ao normal. Apesar de eu achar que nada vai voltar a ser como dantes, pelo menos por uns anos. Alguns campeonatos de futebol retomaram, mas como vimos, não tem o mesmo impacto, pois é muito vazio de emoção. Falta-lhe alegria, entusiasmo, partilha.

É o mesmo que me acontece, quando converso com a minha família ou participo numa conferência, falo para um vazio, para um bicho que nos comanda a vida, chamado computador, com a perspetiva que do outro lado me ouçam, me sintam, me acolham, mas fico com a clara sensação de que falta qualquer coisa. É, no mínimo, estranho.

Ainda assim, muitas organizações têm feito de tudo para aproveitar estes tempos, utilizando os meios possíveis, nomeadamente, vejam lá como as coisas são, aquele que era o principal “inimigo” da prática de atividade física é, agora, um aliado que facilita a comunicação entre as pessoas.

Por exemplo, a ANTV (Associação Nacional de Treinadores de Voleibol) está a realizar um excelente Ciclo de Formação Online, com mais de 500 treinadores inscritos (essencialmente portugueses e brasileiros), com um conjunto de mais de 20 ações, num espaço de 2 meses. Nós que criticamos as nossas crianças e jovens por estarem tanto tempo à frente das tecnologias, vemo-nos obrigados a cumprir e a obriga-los, desta mesma forma, a cumprir as tarefas profissionais ou escolares.

Muitas organizações têm feito adaptações ao seu plano de atividades, e encontraram nas plataformas online de comunicação, formatos muito positivos de formação dos seus quadros e de dar continuidade a alguns objetivos definidos, ainda esta pandemia não tinha modificado as nossas vidas. Formatos possíveis, mas excelentes, para manter a chama das relações profissionais, também, para aproveitar o tempo, fazer acreditar que esta fase vai passar e o Desporto voltará.



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