Espaço do Diário do Minho

Divagando pelo desconhecido
22 Mai 2020
Artur Soares

O tempo que ora passamos, é tempo para reflexões, é tempo para cada cidadão se interrogar sobre a sua vivência anterior ao ano em curso e tempo para programar as alterações que têm de se executar num futuro muito próximo. Sobretudo, este tempo, é um tempo que exige silêncio, precisamente para poder haver introspecção. Ninguém tem dúvidas que toda a humanidade sente medo, vive nele, transporta-o. A pandemia que nos assola, deita-se connosco, sonhamos com ela, acordamos com ela e vivemo-la durante as restantes horas do dia, desviando-nos o mais possível daqueles que se cruzam no nosso caminho.
Recebem-se instruções para que a vida volte à normalidade: economia a ressuscitar e as pessoas a serem libertadas dos esconderijos em que se aninhavam. E o medo de o deixar, esta nova sensação que provoca uma vibração interna difícil de explicar, levando a que quem a sente tenha esquecido a virtude da delicadeza, da simpatia, do sorriso que se testemunhava mesmo através do olhar, nada mais é do que autêntica fragilidade, estado de espírito que pode provocar diversos medos e até doenças.
Dir-me-ão da necessidade imperiosa de saber-se que somos milhões de pessoas no mesmo estado de medo e fuga. De sabermos que precisamos de estar atentos à evolução ou morte da pandemia e principalmente atentos ao lixo que entram nas nossas cabeças. Dir-me-ão que temos de chamar os pensamentos que optimizam, chamar o analgésico da fé, da esperança, da solidariedade, etc. e, olvidar tudo que seja “lenha”, para não aumentar a chama que devora.
Não me sinto idiota, anjola ou retrógrado. Já vivi uma guerra no terreno, apanhei pedaços de gente que pereceram, senti a morte a aproximar-se de mim, ri e chorei sem saber verdadeiramente porquê, conheci os tempos da troika e sei muito bem o que é o fascismo e o comunismo. E precisamente porque muito vi e vivi, sei que em qualquer canto do mundo há medo, desespero, impotência, frustração e, que tudo isso são epidemias a combater. Sei que tem de ser assim: combater!
O medo é como que uma injecção; a morte um meio, mas o desespero é a maior das epidemias. Logo, combater, é não vacilar, é descobrir uma forma de estar e de ser que nos conforta sem qualquer dúvida, que liberta. Há que ser ponderado então.
No entanto, ao ser pedido que as pessoas saiam (cautelosamente) para a rua, para os seus trabalhos, uma verdade existe: os profissionais da saúde, professores e responsáveis da industria, do comércio e do turismo, ainda divagam por caminhos desconhecidos. Alunos no Ensino e seus pais, caminham em passos-fantasma para não acordarem o monstro epidémico e, os mais velhos ou os mais fragilizados, entendem que têm o direito de viver a vida como quaisquer outros, porque já trabalharam e muito sabem.
O Mundo deste tempo faz lembrar aquela numerosa família que muito bem vivia, que bem sabia trabalhar e ganhar dinheiro e, de repente, entra a “doença” na empresa e os herdeiros reivindicam a sua parte. Passados meia dúzia de dias a empresa desmorona-se, vai à falência e dificilmente se levanta depois. Cair foi fácil, reerguer-se demorará – com certeza – muito tempo.
Assim estamos: a economia cai em qualquer parte do mundo por paralisação e a sua renovação/força tem de durar mais tempo do que o tempo que foi necessário para cair. Então surge obrigatoriamente a pergunta: que doença entrou na empresa – no mundo – que a atrofiou, que meteu milhões de pessoas nos esconderijos de casa e no ventre da terra? Quem foram os culpados – com ou sem más intenções – que impuseram ao mundo a morte e o medo geral?
Quem perdeu nesta diabólica guerra, sabe-se. Mas quem foi o ganhador? Acredito que o Diabolismo existe. Tudo é muito complicado para se entender agora e neste momento importa derrotar esse “inimigo invisível”, como já se chama ao covid-19. Mas estou plenamente convencido que em menos de dez anos se saberá concretamente quem por distracção ou não, abriu a jaula a esse inimigo invisível. E abatido o inimigo, derrotado o perdedor, há que pô-lo a pagar os estragos cometidos ao mundo por tal guerra iniciada. Não pode importar quem é ou quem são os culpados/perdedores. Tanto podem ser os lideres Americanos, os Chineses, a Rússia ou a Organização Mundial de Saúde ou outros interessados. Uma certeza parece haver já: o capitalismo selvagem/sanguinário, com fortes desejos de mandar no mundo, parece ser o testa-de-ferro de toda esta miséria na humanidade.
Finalmente temos a União Europeia que gravita em torno da resolução e parece haver boas notícias para acalmar a dor económica que nos esmaga. Deus e a Virgem Mãe estarão connosco, embora ainda divaguemos por caminhos desconhecidos.
(O autor não segue o novo Acordo Ortográfico)



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