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Entrevista a Manuel Rodrigues Lopes, presidente da Câmara Municipal de Valença

José Carlos Ferreira
21 Mai 2020

O presidente da Câmara de Valença está convicto que o tecido empresarial do concelho, tal como já aconteceu, vai ser capaz de superar a crise económica.

 

DM – Neste momento de pandemia, que perceção tem do tecido económico empresarial do concelho?
Manuel Rodrigues Lopes – Vivemos tempos únicos nas nossas vidas. A situação é complicada e muito difícil para todos. O tecido económico do concelho era como um comboio em boa velocidade. Agora é um comboio parado e sem passageiros. É minha convicção que a humanidade vai vencer este terrível desafio. O comboio da nossa economia vai levar tempo a ganhar a velocidade anterior, mas vai lá chegar. Como disse há dias o nosso Presidente da República já se vê luz ao fundo do túnel. Sem medos exagerados, mas com cuidado devemos enfrentar a abertura que acontecerá nas próximas semanas.

DM – As medidas implementadas pelo Governo são suficientes para que as empresas se aguentem?
MRL – Em primeiro lugar a nossa preocupação deve ser a de proteger e salvar vidas. Há um trabalho das Juntas de Freguesia, dos Municípios e do Governo. Mas de pouco valerá se cada um não der o seu contributo cumprindo o que é pedido e exigido. O governo fez o que era possível. Em alguns aspetos poderia fazer mais e melhor. Mas ainda não é o tempo do balanço. Os apoios às empresas devem ser os necessários para evitar uma recessão irrecuperável. O balanço que faço até ao momento é muito positivo. O Serviço Nacional de Saúde funcionou. Os profissionais de saúde – médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar – foram e são verdadeiramente extraordinários. Os cidadãos e as famílias em geral foram exemplares em cumprir o que lhes era pedido. Os empresários responderam com prontidão ao que se esperava. O Estado em geral esteve bem.

DM – Verifico que evita criticar o governo. É certo?
MRL – Há tempo para tudo. Este é o tempo de estar juntos e dar as mãos, em nome da saúde e do bem-estar do povo. Este é ainda um tempo de combate à pandemia. Só os radicais, à esquerda e à direita, é que já entraram na fase das críticas mais ou menos demagógicas ou irresponsáveis às autarquias e ao Estado central. Este é ainda um tempo de solidariedade para acudir com prontidão a quem mais precisa. Teremos tempo de analisar com pormenor o que aconteceu e aí sim louvar o que deva ser louvado e criticar o que mereça ser criticado.

DM – Crê que as empresas vão recuperar?
MRL – Claro que sim. No concelho de Valença temos empresários na agricultura, no comércio e na indústria que já deram muitas provas de capacidade de recuperar de situações difíceis. Recuperaram da crise de 2008. Vão recuperar agora. Pode levar algum tempo porque há muitos imprevistos nesta doença. E a nossa recuperação nacional só será plena se também houver recuperação nos outros países. Mas acredito que mais cedo do que muita gente diz teremos aí a recuperação das empresas.

DM – Acha que, mesmo com as medidas, é previsível um crescimento da taxa de desemprego?
MRL – O desemprego nesta fase aumentou. Mas vencida a Covid-19 com certeza que recuperará. Repito, nós temos excelentes empresários e trabalhadores competentes e dedicados. A recuperação económica será rápida.

DM – Tendo em conta que o Turismo é uma grande fonte de receita para a região, que danos poderá esta situação que vivemos trazer para o setor?
MRL – O turismo é o setor mais afetado. Muitas empresas terão de começar do zero. Depois com certeza que recuperarão. O problema maior é que neste momento ninguém nos sabe dizer quando é que a doença fica dominada no mundo. O turismo para voltar ao normal precisa que a doença esteja dominada em todos os países e isso ninguém sabe ao certo quando acontecerá. Muito provavelmente só quando existir uma vacina é o turismo entrará no seu normal. Quando os caminhos de Santiago passarem a ser novamente possíveis, estaremos no caminho da solução para o turismo. Tenho esperança que isso irá acontecer plenamente neste verão.

DM – Sente que anos de trabalho podem estar em causa?
MRL – Impossível de dizer neste momento. Devemos aguardar e depois fazer o balanço e arrancar com determinação e coragem. Penso que será isso que vai acontecer. Nós portugueses somos gente de resiliência, coragem e grande capacidade de trabalho. Perdemos algum tempo. Recuamos um pouco. Estou certo que iremos recuperar mais cedo do que hoje pode ser previsto.

DM – Em temos sociais, acha que pode haver uma maior procura dos instrumentos de proteção social por parte das pessoas?
MRL – Os mais necessitados vão precisar de mais apoios. O País passou recentemente por uma enorme crise económica e a verdade é que conseguimos dar resposta aos mais afetados. Fomos capazes. Vamos voltar a sê-lo. Em Valença a minha convicção é que daremos uma resposta à medida das necessidades. Os Valencianos sabem que poderão contar com a sua Câmara Municipal.

DM – Teme o crescimento da violência e da criminalidade, normalmente associada a este períodos de crise?
MRL – Nós somos um concelho seguro. Vamos continuar a sê-lo. Não é realista uma visão catastrofista do futuro. Há alguns setores onde há mais dificuldades e os crimes de violência doméstica são um exemplo que lamentamos. Mas repito nós somos um concelho seguro. Nós somos um pais seguro, se compararmos, por exemplo, com o que se passa na Europa ou nos EUA.

DM – Com este travão económico, há projetos que vão ter de esperar?
MRL – Veremos. É cedo para pensar em adiar projetos. Como lhe disse no princípio, agora é tempo de salvar vidas e de evitar que muitos fiquem doentes. É tem-
po de tudo fazer para
vencer este terrível vírus. Logo de seguida buscaremos as respostas necessários.

DM – Há verbas que podem ser canalizadas para apoios sociais?
MRL – A Câmara Municipal tem conseguido e vai continuar a responder a todas as necessidades sociais do Concelho. Temos uma situação financeira que nos permite encarar o futuro com tranquilidade. Os valencianos podem contar com a sua Câmara Municipal. Durante estes quase dois meses da pandemia provamos que fomos capazes de encontrar as respostas necessárias. Continuaremos nesse caminho.



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