Espaço do Diário do Minho

No 100.º aniversário do nascimento de S. João Paulo II, Magno
15 Mai 2020
Carlos Aguiar Gomes

“Na família reside e da família, mais do que qualquer outra sociedade, instituição ou ambiente, depende o futuro da humanidade.” ( Sameiro, 15V.1982)

Estas foram palavras ditas com determinação e coragem, pelo Papa S. João Paulo II, Magno, no alto do Monte do Sameiro, em 15 de Maio de 1982. Palavras memoráveis. Palavras proféticas. Palavras que já se esqueceram? S. João Paulo II, Magno, foi, sem dúvida, o Papa que ao longo da história da Igreja mais falou e escreveu sobre a Família e a sua mensagem continua viva e actual. Aliás, recordar este gigante do papado, é, de imediato focalizarmo-nos em dois temas fortes do seu longo pontificado: Maria e a Família.
Em 1994, por decisão da Assembleia Geral da ONU, foi declarado o dia 15 de Maio de cada ano como o DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA e aquele ano, como ANO INTERNACIONAL DA FAMÍLIA. Coincidência curiosa, sobretudo para os portugueses: o Papa de Maria e da VIDA HUMANA e da FAMÍLIA no dia 15 de Maio de 1982 veio a Braga para falar da Família num santuário mariano que muito amamos: o Sameiro! Não foi por acaso, em que não acredito. Foi um grito de alerta, uma voz profética a clamar, perante muitos milhares de cristãos, do alto de um sacro monte dedicado a Maria.
Como é actual relermos e reflectirmos sobre o que S. João Paulo II, Magno, disse naquela altura, aos bracarenses, aos portugueses e ao mundo.
Que actualidade gritante têm, por exemplo, estas frases proferidas naquele dia memorável:
1. « O futuro do homem é, antes de tudo, o próprio homem. É o homem nascido do homem: de um pai e de uma mãe, de um homem e de uma mulher.». Como pode um cristão apoiar ideologias que contrariam o que S. João Paulo II, Magno, nos quis transmitir, numa época em que ainda não estávamos intoxicados pela “Teoria do Género”, dos “ casamentos” que vão arrepio da Lei Natural e do que é o conteúdo da nossa Fé? Como se esqueceu esta mensagem, dita aqui, no Sameiro, em Portugal sobre a maternidade e paternidade, pelo Papa que mais se dedicou e se deu ao tema da Família. E que não foi apagada ou ultrapassada como “ guião” para todos os homens!
2. « … Por isso o futuro do homem decide-se na família». É aqui que o futuro se constrói, mas ele se destrói, como estamos vendo à nossa volta, por modas que impõem outras visões e vivências que se divulgam, «a tempo e a contra tempo» nas leis que regulam a vida das sociedades que TODOS OS DIAS nos são impostas por democracias de “pensamento único”, quais ditaduras encarniçadamente vocacionadas para destruir a Família em todos os campos da vida social, económica ou cultural… Basta olhar ao nosso redor!
3. « … Esta é uma verdade evidente e, não obstante, é também uma verdade ameaçada.». Sim, caros amigos leitores, nunca a verdade sobre a Família foi tão ameaçada, atacada e vilipendiada. E até nos “arranjam” categorias de famílias, para baralhar os nossos espíritos e o nosso entendimento. Por exemplo, quantos de nós, referindo-nos à Família, no conceito inscrito na nossa natureza e na vontade do Criador, dizemos «Família tradicional» em oposição a comunidades humanas em moda que ,por exemplo, prescindem do pai (homem) ou dos laços do casamento? A Família não é tradicional, com toda a carga pejorativa que deste modo a carregam, em oposição a «novos modelos de família». A Família é … a Família. E não precisa de qualquer qualificativo.
4. « … Por isso a família, na atmosfera actual do mundo – especialmente do mundo “rico”, do mundo da “ elevada civilização material” – está ameaçada. Ela permanece, contudo, a fonte da esperança do mundo. É nela que, apesar de tudo, se decide o futuro do homem; e – seja-me permitido concretizar – do homem em Portugal, empenhado em consolidar as bases sobre as quais assentam o progresso, a concórdia e a paz».
No ano em que se celebra o primeiro centenário do nascimento de S. João Paulo II, Magno ( 18.V. 2020), o 25.º aniversário da Encíclica « EVANGELIUM VITAE» ( 25 de Março) e o 38.º aniversário sua da vinda a Braga, aqui fica, em jeito de homenagem este insignificante artigo, mas escrito com a memória e a gratidão do coração. Os extraordinários ensinamentos que S. João Paulo II, Magno, nos legou não morrem, não deixaremos! Não contém comigo.



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