Espaço do Diário do Minho

Eutanásia: há ou não RAMPA DESLIZANTE?
14 Mai 2020
Carlos Aguiar Gomes

Há um ditado espanhol que diz: « Mejor ladrar que rebuznar», sim, é verdade. E no que me toca a mim, qual cão rafeiro, prefiro ladrar, muito, do que zurrar. É próprio de gente que não se assume. Tem medo/vergonha. Não faz parte do meu feitio e educação o zurrar! Ladro, alto. Ladro sempre que uma ameaça me ronda ou ataca o que acredito como fundamental. Apesar de um simples cão rafeiro, gosto de ladrar, sinto que tenho a obrigação de ladrar, mas não mordo, tal como diz um ditado português que todos conhecem: « cão que ladra não morde!» e eu não mordo nem nunca mordi. Ladrei muitas vezes e continuarei a ladrar! Nunca serei, porém, “ um cão mudo”! … Nem as pedras que me possam atirar me calam!

Vem este quase preâmbulo a propósito de uma notícia horrível que correu as redes sociais e fui confirmar: era verdade e deu origem ao título que dei a este artigo, em holandês, língua que desconheço em absoluto mas é de muito fácil, compreensão. O “ KOFFIE – EUTHANASIE” ( Café – Eutanásia) refere-se ao triste e revoltante episódio ocorrido nos Países Baixos, país que está em total descontrolo no concernente á Eutanásia e que partiu de pressupostos legais rigorosamente iguais às propostas que foram aprovadas no nosso Parlamento e que depois foram deslizando sucessivamente no sentido de uma total e descontrolada prática da Eutanásia. Vamos, então à situação que deu o nome ao meu escrito. O episódio « nomeado assim pelo facto de se ter administrado um sedativo, por um médico, numa chávena de café a uma pessoa com demência, para que se pudesse eutanasiar. Esta tinha previamente à sua demência declarado por escrito querer ser eutanasiada, mas “ a seu pedido” e “ quando ela calculasse que tinha chegado o momento”. Apesar destas precisões e a atitude confusa da doente sobre o seu desejo de morrer, o médico não julgou necessário requerer o seu consentimento para proceder à eutanásia. O médico e a família decidiram agarrar pela força a doente debatendo-se esta no momento da injecção da substância letal». O assunto passou aos tribunais e chegou ao Supremo. Todos deram razão ao médico, com o argumento que a senhora doente não tinha que dar o seu assentimento! O médico tinha a liberdade de interpretar e agir de acordo com e como entendesse. Ou seja, chegou o momento de ser o médico/ família a decidir , o que é muito grave e atentatório da liberdade e da nossa dignidade, sobre quando nos devem matar, mesmo que não sejamos convidados a dar a nossa opinião. A nossa liberdade, pelos vistos, esfuma-se e desaparece com a nossa idade e a nossa capacidade de decidir livremente.

Neste caso «Koffie – Euthanasie» foi mais o resultado de uma porta entreaberta em nome da compaixão que se abriu ainda mais e já nada nem ninguém vai poder fechar. Como nos aproximamos, a passos de gigante, da doutrina Nazi e dos campos de concentração onde era dada liberdade aos médicos para agirem como bem entendessem. Peço aos meus leitores que releiam o episódio que descrevi acima e em que é a própria família que agarra pela força a doente, enquanto esta esbracejava para não ser injectada pela droga da morte. Uma demente, ainda que com alguma lucidez, como era o caso, é um “ produto” para ser descartado, já não uma Pessoa Humana, agredida no seu direito primordial: O DIREITO À VIDA! E a situação é tanto mais revoltante quanto se trata de ataque contra pessoas extremamente frágeis. É, sem dúvida, ignóbil que se possa agir deste modo. E é isto que nos espera num futuro próximo e que nos foi imposto pelos eutanasistas do Parlamento português.

Que ninguém acredite na bondade da lei que vier a ser elaborada. Será uma lei com pés de lã. Cheia de compaixão. Plena de controlo e com a “ garantia” que nunca será ultrapassada!

Ladrarei, mesmo que me venham a colocar um açaime, contra todo e qualquer atentado à dignidade da VIDA HUMANA. Ladrarei, com veemência, pelos CUIDADOS PALIATIVOS, acessíveis a todos os cidadãos em fim de vida e a quem se lhes dê o alívio no sofrimento e a Amor que os frágeis necessitam. CUIDADOS PALIATIVOS onde seja permitida a presença de familiares que possam assistir ao último suspiro mão na mão. E para os crentes, que lhes seja permitida a presença de um assistente religioso (talvez, mesmo, perguntar se gostariam de ter a presença destes).

Este caso ocorrido nos Países Baixos é bem relevante do que se prepara entre nós.

Podemos continuar alheados e a só pensar no COVD – 19, tantas vezes funcionando como uma verdadeira alienação colectiva, enquanto nos bastidores já estão a preparar a legalização do homicídio ou do suicídio legal praticado nos hospitais pagos com os nossos impostos?

“ … pedirei a eutanásia no momento que achar que chegou o momento”. Era a opinião da senhora holandesa. Não foi cumprida. E tudo decorreu como o médico quis e a família obrigou. Que nos sirva a lição.



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