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«Não deixemos que a pandemia nos prive de um futuro melhor»

Mensagem de Gonçalo Lobo Xavier, membro português do Comité Económico e Social Europeu, no Dia da Europa.

Luísa Teresa Ribeiro
9 Mai 2020

Gonçalo Lobo Xavier, representante português no Comité Económico e Social Europeu (CESE), advoga a defesa de «uma Europa livre e solidária, em liberdade», lembrando que o mercado único traz «liberdade, crescimento, circulação, solidariedade». «Não deixemos que a pandemia nos prive de um futuro melhor», afirma este membro do Grupo dos Empregadores, antigo aluno da Universidade do Minho, numa mensagem veiculada no Dia da Europa, que hoje se assinala.

Este membro português no organismo representativo da sociedade civil organizada começa por dizer que «o inimaginável aconteceu», sendo que, de repente, «tudo se transformou e nada parece que vá ficar como estava». «Estamos de facto a viver um momento único nas nossas vidas e é preciso ser resiliente para reagir e para nos reerguermos», refere.

Numa mensagem com alcance europeu, o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição recorda a frase do Marques de Pombal na sequência do terramoto de Lisboa: “é preciso sepultar os mortos e cuidar dos vivos”. «Esta declaração, revelando demasiada frieza para os padrões de hoje, leva-nos de facto a pensar que temos de seguir com as nossas vidas e enfrentar com coragem, mesmo que o momento nos desespere, este desafio para o qual sentimos que nada contribuímos», escreve.

Nesta linha, Gonçalo Lobo Xavier considera que, «depois de dois meses de luta e confinamento, depois de semanas de incerteza e dor, temos agora um período para “cuidar dos vivos” e tentar reerguer a sociedade, a economia, a Europa, o Mundo».

Em seu entender, a recuperação da sociedade e da economia que a sustenta exige «uma resposta célere de todos e com base nos princípios de solidariedade europeus». «De facto, se pensarmos do que ficámos privados, pensamos no mercado único europeu. Na minha opinião, a comparação faz sentido: de repente, ficámos sem “rede”, sem vida. Privamo-nos da liberdade, da circulação de bens, serviços e pessoas, ficámos todos confinados ao nosso espaço. Ninguém gostou», declara, confessando-se «um europeu convicto». «Rumemos juntos rumo a um futuro melhor, abraçando quem mais amamos e cuidando do próximo», exorta.

Esta mensagem faz parte das iniciativas que o CESE está a levar a cabo para assinalar o Dia da Europa em tempo de pandemia, da qual também faz parte uma declaração do presidente do Comité Económico e Social Europeu, Luca Jahier, e de dez estruturas nacionais, entre as quais o Conselho Económico e Social português, liderado por António Correia de Campos, sobre o 70.º aniversário da Declaração Schuman.

No texto, os responsáveis reconhecem que este é possivelmente «o momento mais crítico para as populações e estados europeus desde o final da Segunda Guerra», advertindo que ou a Europa permanece unida ou todos vão cair no abismo.

Nessa declaração, os dirigentes perspetivam que esta «crise dramática» é uma oportunidade para «construir um novo modelo de desenvolvimento», mas avisam que o futuro da Europa só será possível com «compromisso, imaginação e coragem».

Para saber mais sobre o CESE leia esta reportagem.





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