Fotografia: Nuno Cerqueira

Presa preventivamente 10 meses por crime que não cometeu vai pedir indemnização

Tribunais.

Nuno Cerqueira
1 Mai 2020

Sofia Fischer Cruz, natural de Braga, esteve presa 10 meses preventivamente por alegado crime que diz não ter cometido. O Tribunal da Relação de Guimarães deu-lhe razão e libertou-a. Agora garante que vai pedir indemnização, poiso crime pela qual foi condenada, de tráfico de droga para consumo, não prevê a prisão preventiva.

Segundo o processo a que este jornal teve acesso, Sofia Fisher Cruz foi detida numa moradia junto ao Conservatório Calouste Gulbenkian em São Victor, em outubro de 2017, juntamente com mais três indivíduos e acusada de tráfico de droga.

A mega-operação, que investigou rede que fornecia Braga de estupefacientes com ligações a Gaia, Porto e ainda a tráfico em cadeias, apreendeu ainda seis caçadeiras e mais 1300 munições, mas que se veio a provar que eram uma herançade do pai de Sofia Fischer Cruz, marido de Hannelore Fischer Cruz recentemente falecido com covid-19.

Apesar de Sofia Fischer Cruz ter-se prestado a colaborar com as autoridades e ter negado qualquer envolvimento no tráfico de droga, alegando que era consumidora –  situação provada, estando agora recuperada – e que nunca lucrou financeiramente com os traficantes com quem se envolveu, esta acabou em prisão preventiva durante quase 10 meses.

O Tribunal da Relação de Guimarães restituiu agora à liberdade, pois no recurso interposto por Sofia Fischer Cruz, a que o Diário do Minho teve acesso, datado de 23 de março de 2020, pode ler-se que não está dado como provado que Sofia lucrava com o negócio de venda de droga, sendo apenas consumidora.

É «de maior e de mais elementar justiça» reduzir a pena pois uma coisa é «aquele que trafica para consumir» e outra é aquele «que trafica para enriquecer e ganhar dinheiro sem ser consumidor». O tribunal da Relação frisa que Sofia foi condenada por ser apenas consumidora.

Por tais factos do tribunal, Sofia Fischer Cruz, que esteve detida numa prisão em Matosinhos, vai apresentar um pedido de indemnização à justiça portuguesa devido aos danos causados sociais, familiares e psicológicos.





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