Fotografia: Diario do Minho

Arcebispo de Braga desafia Famílias a construir terços floridos no mês de Maria

Sugestão para o mês de maio

Francisco de Assis
25 Abr 2020

Depois da sugestão, bem sucedida das cruzes pascais floridas, o Arcebispo de Braga desafia agora as famílias a juntarem-se para construírem terços floridos para enfeitar as casas ou para enviar a outras pessoas. A proposta de D. Jorge Ortiga, deixada na missa desta tarde, é que pais, avós e netos se juntem não só para construir os terços, mas também para rezarem em família.

Agora, ao aproximar o mês de Maio, quero pedir que as famílias façam um terço com flores de papel ou de outro material. Existe uma verdadeira arte de fazer flores que os avós poderiam transmitir aos filhos ou netos. O terço também poderá ser feito de balões, colocando no lugar da cruz uma mensagem. Este terço seria enviado como portador de algo positivo, que poderia ser alento e estímulo para quem o recebesse.
Da nossa parte, poderemos publicar alguns exemplares no Diário do Minho. Com esta ideia pretende- se falar da importância do terço, colocando os pais a trabalhar com os filhos. Embora não com o rigor dor período de emergência, continuaremos a vive com algumas restrições. Continuará a haver tempo disponível que pode ser convenientemente aproveitado.
O terço poderá ser colocado num lugar bem visível da casa ou numa janela voltada para a rua. Ao pedir esta iniciativa, e neste tempo em que na nossa vida religiosa estamos a redescobrir a importância da casa, desejo que a recitação do terço volte a entrar nos hábitos familiares.
A família necessita de tempos onde se reúna para rezar. Muita coisa foi invadindo o quotidiano das famílias. Para que a fé seja algo de muito pessoal, precisamos de lhe dar consistência. Parar tudo para rezar o terço pode ser uma das consequências a retirar deste tempo de constrangimentos. Vamos fazer terços floridos para que nos habituemos a rezar o terço em família
A propósito da oração do terço, o Arcebispo de Braga anunciou que todos os dias vai haver transmissão da oração do terço, sempre às 19h00, a partir de quatro santuários: Nossa Senhora do Sameiro, em Braga; Nossa Senhora do Alívio, em Vila Verde; Nossa Senhora da Penha, em Guimarães e Nossa Senhora da Saúde, na Póvoa de Varzim.
O prelado anunciou ainda que no dia 31 de maio, haverá uma celebração mais festiva no Santuário do Sameiro, em Braga.

Homilia

Na homilia do dia o evangelista São Marcos, o Arcebispo de Braga desejou que o Evangelho, seja a «Norma das Normas» para a vida dos cristãos.

Apesar de todas as restrições aos aglomerados de pessoas e dos permanentes apelos ao isolamento social, de modo a não perdermos o que fomos construindo ao longo destas semanas, mesmo assim os nossos políticos quiseram celebrar o 25 de Abril. Não sei se foram um exemplo para quem quer lutar pela erradicação deste vírus. Os discursos estiveram aí e multiplicaram-se as palavras. Recordou-se um momento que alterou os hábitos dos portugueses. Vínhamos de uma longa história e quisemos abrir-nos a novos horizontes.
Ao lado destas celebrações, nós queremos continuar a olhar para o quotidiano da vida da primeira comunidade de Jerusalém.

A palavra de Deus foi-se divulgando, o número dos discípulos aumentou e, inclusive, um grande número de crentes aderiam à nova fé deixando de lado o judaísmo, o que foi suscitando crítica e perseguição. Poderia parecer que era uma comunidade ideal, sem defeitos nem problemas.
Deus permitiu, todavia, que também neste ambiente festivo e de grande consistência da comunidade começassem a surgir questões que nem todos compreendiam. Daí que, a propósito de um assunto muito concreto, surgissem críticas e murmurações. Não seria de esperar que isto acontecesse. Só que a realidade humana também foi impondo as suas leis.
Deveria existir uma caridade pura, como sabemos que era verdade, mas apareceu uma situação concreta a exigir respostas. Era verdade que as viúvas oriundas do mundo helénico não estavam a ter um tratamento igual ao que era tributado às do mundo judaico. A caridade circulava mas não com este sentido de abrangência. Tinham razão. As forças não chegavam para tudo e, nesta impossibilidade, dava-se prioridade a um grupo de pessoas carentes em detrimento doutras.

Não à crítica pela crítica

Talvez aqui tenha existido um pouco de murmuração, como é frequente nas nossas comunidades. Hoje falamos com muita facilidade uns dos outros e não perdoamos nada a ninguém. Só que ficamos na crítica pela crítica. Em Jerusalém, reconheceu-se o problema, falou-se dele e imediatamente se encontrou uma solução com a instituição dos diáconos. Foram escolhidos sete que, de imediato, resolveram o problema.

Muito podemos aprender com este episódio. Mais do que nunca somos convidados a individualizar os defeitos e deficiências das nossas comunidades. Sabemos da suas imperfeições e lacunas. Não ganhamos nada em trazer as coisas para a praça pública. Temos muitos lugares para reflectir sobre a vida da comunidade, sempre com o intuito de encontrar caminhos novos. Não basta o problema.
Queremos a solução e comprometemo-nos com ela. Reflectimos, rezamos e propomos como quem acredita que a solução depende de sei. Se os discípulos se tivessem deixado ficar pela análise e crítica da situação, nunca teriam encontrado uma solução, que não só respondeu ao problema em si como também permitiu que os apóstolos se dedicassem à oração e ao ministério da palavra. A comunidade rejuvenesceu-se e respondeu a uma nova necessidade.

Sugestões são bem-vindas na Arquidiocese e nas paróquias
Falamos muito da renovação inadiável da Igreja e deveríamos assumir estas duas palavras do Papa Francisco como uma ordem. Na solução encontrada, os diáconos ficaram com uma tarefa e os apóstolos com outras. A Igreja tem de ser esta comunidade de responsáveis com tarefas muito precisas. São grandes os desafios e importa discernir o que verdadeiramente é solicitado.

Pessoalmente gosto de ouvir e sinto uma alegria interior quando me chegam críticas que imediatamente vejo que são positivas, ou seja, motivadas não pela crítica pela crítica mas por uma vontade de contribuir para que a Igreja se renove. Como arcebispo, não consigo ver tudo, por muito que pense.

Só quem está em contacto com a realidade se apercebe do que importa mudar e do que importa fazer. Como são bem vindas todas as sugestões ou mesmo denúncias de certas situações de incoerência. Urge mudar e aperfeiçoar. Isto deveria acontecer a nível diocesano mas também a nível paroquial. Ninguém é omnisciente e ninguém deve ser autoritário a ponto de não aceitar ideias diferentes ou esquemas de vida não coincidentes com os seus. Se naquele tempo surgiram os diáconos, quem nos diz que hoje muita coisa nova não terá de ser criada para nos afastarmos dos velhos esquemas sempre rotineiros.

Sabemos que a Igreja tem a promessa de Deus de que não passará. Isto não nos dá a tranquilidade dos braços cruzados. Pede-nos que olhemos para a Igreja e que não tenhamos vergonha de apontar o negativo, mas sempre com o intuito e o desejo de encontrar novas soluções. Ao recitarmos o Credo pensemos no que dizemos. Creio na Igreja una, santa, católica, apostólica. Não é uma simples oração. Compromete-nos. Sabemos que não passará mas que o futuro também está nas nossas mãos.





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