Fotografia: Ana Marques Pinheiro

Imobiliárias sentem atividade reduzida e apostam em visitas e reservas online

Setor aposta em alternativas para continuarem com os negócios.

Ana Marques Pinheiro
11 Abr 2020

O setor imobiliário está agora a adaptar-se a uma nova forma de trabalhar e de responder com alternativas rápidas e eficazes à pandemia Covid-19. Como vêm as suas atividades reduzidas, as imobiliárias propõem visitas virtuais, fotografias para que consigam responder e informar os clientes da melhor forma possível.

Mesmo assim, o responsável pela Remax Liberty em Braga, Orlando Silva, em declarações ao Diário do Minho, explica que as pessoas ficam reticentes ao fazer uma compra que envolve muito dinheiro, apenas a ver virtualmente. A Remax disponibiliza visitas virtuais que são compostas por fotografias panorâmicas de 360º e possibilitam a recriação de um espaço real.

«Transportamos virtualmente o utilizador para o espaço, oferecendo-lhe uma visualização realista, sem que este precise de se deslocar fisicamente ao local», pode ler-se no site oficial da imobiliária.

Orlando Silva acrescentou que o trabalho reduziu drasticamente e que há alternativas para os clientes verem os imóveis. O responsável explicou que nos casos em que é preciso visitar as casas habitadas, «hoje em dia não é possível por questões de segurança». O agente referiu ainda provavelmente, só os investidores é vão comprar os imóveis sem o verem presencialmente. O resto das pessoas interessados estão à espera para concretizarem os negócios.

O gerente da imobiliária Lar de Sonho, Manuel Martins, em declarações ao Diário do Minho, deu conta que muitos negócios estão a ser reagendados para mais tarde porque neste momento «está muita coisa fechada».

«Não há desistências mas as escrituras estão a atrasar um a dois meses», contou. O responsável adiantou ainda que quando se tratam de terrenos ou casas devolutas os clientes vão sozinhos e depois dão o seu parecer. 

Outro exemplo de adaptação é a imobiliária zome que acaba de lançar o Zome Now, um serviço de compra e reserva online de imóveis, com processos simples e rápidos. A empresa explica que a solução estava a ser trabalhada há vários meses e chega agora como resposta imediata à pandemia Covid-19 que afeta o planeta, de forma a garantir que os negócios imobiliários vão continuar a realizar-se. 

«Este é um processo que já estava planeado e foi acelerado pela atual conjuntura, para dar resposta às necessidades demonstradas pelos nossos clientes. É uma ferramenta muito útil e intuitiva, que garante que os negócios imobiliários possam continuar a ser concretizados com máxima segurança. A distância é só física, porque o acompanhamento garantido pela Zome será tão próximo como era antes», revelou o chief technology officer da Zome, Carlos Santos. 

O novo projeto Zome Now assenta em duas grandes modalidades: proposta de compra e reserva direta (pelo valor de venda do imóvel). No caso da proposta, esta é submetida e, caso seja aceite pelo proprietário, são recolhidos os dados do potencial comprador. Se for necessário recurso a crédito à habitação é elaborada uma ficha financeira, sempre com acompanhamento remoto de um intermediário de crédito da Zome. Logo que haja “luz verde” para avançar, deverá ser feito um depósito de 2500 euros que garante a realização de contrato-promessa de compra e venda (CPCV) no prazo de um dia útil. O procedimento é exatamente o mesmo, em caso de reserva direta. 

Neste processo, as propostas de compra ou reservas diretas são validadas através do envio de um código SMS para o proponente, de forma a aumentar o nível de segurança da ferramenta. Assim, será sempre solicitado um número de telefone, para onde será enviado um código, que deverá posteriormente ser inserido no Zome Now, para autenticar o processo de proposta/reserva. A empresa recorda que todo este processo está em conformidade com o RGPD.

A nível nacional, a Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal (ASMIP) refere que 85% das empresas de mediação imobiliária estão paradas ou com a atividade reduzida. O inquérito realizado pela ASMIP conclui que, após 56,5% das empresas de mediação terem perdido «todos os negócios contratualizados nas últimas duas a três semanas», cerca de 33% estão atualmente «com a atividade parada», enquanto 52% «se encontram a trabalhar apenas a meio termo».





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