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Barcelense viveu o sonho em Nova Iorque e agora está no epicentro da epidemia

Nuno Sousa, antigo treinador do Santa Maria FC e Freamunde SC, voou, em 2015, até Nova Iorque. Agora, apesar de estar de boa saúde, vive um pesadelo. O futebol, que foi passado, poderá ser… o futuro.

Pedro Vieira da Silva
7 Abr 2020

Em 2015, Nuno Sousa, antigo treinador do Santa Maria FC e Freamunde SC, voou até Nova Iorque para mudar de rumo e começar outra carreira noutro país. Começou a trabalhar num restaurante e, depois, assumiu o cargo de diretor-geral de uma academia de futebol em Nova Jérsia.

A paixão pela cozinha levou-o, depois, a abraçar outros projetos culinários.
Mas, há semanas, a “cidade que nunca dorme” foi invadida por um vírus que mudou, por completo, a vida de todos.
Nuno Sousa garante que Nova Iorque nunca mais será a mesma. Mas acredita que se vai «reerguer» e «reinventar». NY ainda “sofre” e “chora” com os acontecimentos do fatídico 11 de setembro, vai lutar e vencer.

«Estou a adaptar-me e quero aproveitar as minhas competências e valências no futebol para voltar ao desporto, porque vai existir um abrandamento da economia. As pessoas vão andar mais de bicicleta e vão-se isolar nos próximos tempos. Estou, por isso, aberto mentalmente para abraçar outros projetos»

Diário do Minho – Onde vive e como está a viver o dia-a-dia?
Nuno Sousa – Vivo em Brooklyn, uma zona de Nova Iorque que tem perto de 2,6 milhões de habitantes numa cidade com quase nove milhões. Vivo num dos bairros mais icónicos e dos mais afetados. Nova Iorque, e particularmente Brooklyn, é o epicentro dos EUA e a nível mundial da pandemia do Covid-19. Estou isolado há quase três semanas, vou ao supermercado quando preciso, mas é raro, e faço a minha corridinha, porque é permitido.

DM – A sua rotina foi completamente alterada…
NS – Nova Iorque é uma cidade fantástica e toda a gente quer vir para cá. Em trabalho, em lazer, enfim, para fazer tudo. Eu trabalho na restauração e tenho vários stands na “Street Food”, na Morgasburg, no tradicional no bairro nova-iorquino de Williamsburg, onde existe uma das maiores feiras gastronómicas de rua do Mundo, e representava a Leitäo – Portuguese Street Food. Esses mercados foram logo fechados. São o ex-libris da cidade e uma das principais atrações de NY e fomos dos primeiros a fechar, porque ali se faziam grandes concentrações de pessoas. Eu estava a trabalhar como “chef-executive” e ia abrir o meu primeiro espaço no West Village (n.d.r., carinhosamente chamado de “The Village”), em Manhattan, um cocktail-bar, que é um conceito bastante apreciado cá, e seria o meu primeiro projeto a solo, ainda que com alguns sócios, mas tivemos de parar tudo já após termos feito um grande investimento.

DM – E Broolyn foi das zonas mais afetadas?
NS – Sim, está toda a gente – ou quase – em casa. Esta zona sofreu bastante pela diversidade cultural e variedade étnica que tem. Muitas das pessoas conseguiram ter a informação e lidar com ela rapidamente. Perceberam que tinham de ficar em casa e eu já estou aqui há três semanas, sem fazer nada. A exposição ao vírus é muito forte, porque a densidade populacional é muito grande.

Nova Iorque posta à prova… de novo
Vai sofrer bastante. Já está a sofrer mas será, até pelo caráter intelectual, e porque aqui só sobrevive e vive quem tem uma destreza mental e física forte, das primeiras a reerguer-se. Será, de novo, posta à prova. Em 2001, depois dos atentados terroristas no WTC, e ainda se nota essa carga negativa nas pessoas, a cidade parou. E agora voltou a parar. Mas Nova Iorque é determinada e acredito que sairá muito forte, porque o nova-iorquino é muito forte, determinado e perspicaz. E terá capacidade para se reiventar.

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





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