Espaço do Diário do Minho

FAMÍLIA UNIDA – INSUBSTITUÍVEL
6 Abr 2020
P. Rui Rosas da Silva

Esta crise da pandemia tem muitos aspectos negativos, sobretudo de carácter económico, para não falarmos já das consequências duras que muitas famílias atravessam. Vêem partir inexoravelmente alguns membros mais idosos, infectados mortalmente pelo maléfico vírus e são obrigadas a um encerramento difícil, que exige de todos os membros uma convivência forçada entre as quatro paredes do seu lar, etc.

No entanto, tais consequências, que podem ser difíceis de encarar e de viver, porque obrigam a uma presença constante das mesmas pessoas numa espécie de prisão domiciliária (como alguém referia), fazem ressaltar a importância da família unida, que naturalmente enfrenta um problema que só tem solução, dentro dos limites que a lei impõe, se as pessoas se conhecem, se estimam e têm umas para com as outras laços habituais de relacionamento afável e compreensivo.

Por isso, a expressão “prisão domiciliária” que se empregou manifesta de forma imediata a sua inadequação. Não porque a situação em que a família unida se encontra seja agradável ou desejável em tempos de convivência normal, mas porque surge, nos dias difíceis que estamos a viver, como a solução mais óbvia, mais conveniente, em virtude da sua configuração ser de facto a mais natural.

Efectivamente, pertencer a uma família exige dos seus membros uma atitude de compreensão e de união que facilita extremamente todo o tipo de convivência que exija uma dedicação excepcional de todos entre si e de cada um para com todos. Entre pais e filhos ou simplesmente entre irmãos, surge uma série de obrigações naturais de estima e de tolerância, de afabilidade e de entendimento, onde cada um desempenha o papel que lhe cabe de acordo com a sua entidade própria e o tipo de relacionamento.

Com certeza que os pais terão uma posição de relevo, nas directrizes que o seu agregado familiar tomar; Encontrarão nos filhos mais velhos excelentes veículos de transmissão das suas indicações; mas também os mais novos, que em matéria de obediência, habitualmente são mais imediatos e não muito críticos, certamente que as receberão com boa vontade e uma aceitação mais dócil.

É previsível que uma convivência “forçada” possa trazer as suas problemáticas. Todos andarão mais nervosos e ansiosos por chegar ao termo da quarentena. Mas esta também nos ensina a ter mais paciência e a compreender que na vida não é possível fazer-se só que se quer, mas aquilo que é possível e, decerto, convém.

Não há muito tempo, recebi um telefonema dum amigo, bom pai de família com vários rebentos, que me perguntava pela saúde, como me sentia e reagia a esta emergência, etc. Lá lhe contei os meus sentimentos e perguntei como se apresentava o ambiente no seu lar nestas alturas.

A sua resposta manifestava uma comoção com que eu não contava, porque se trata de uma pessoa bastante cerebral e pouco emotiva. Confessava, como é óbvio, que havia momentos um pouco complexos, porque os nervos de todos andavam ao de cima, nomeadamente quando souberam, há pouco, que a “prisão domiciliária” se prolongava por mais uns tempos. Contudo, tudo decorria da melhor maneira, superando muito as perspectivas mais optimistas que concebera. E acrescentava: “Não calculas! Os meus adolescentes, que eu tanto temia, parecem adultos. Assumiram da melhor maneira a situação e transformaram-se numa espécie de “paizinhos” compreensivos dos mais novitos. Dizem-lhes que tenham calma, para ter paciência e.. – imagina! – “que é preciso compreender os pais e tomá-los muito a sério!” A minha mulher, há dias, foi para o quarto chorar de satisfação, porque o mais velho, que é habitualmente um chato rezingão e pródigo na desobediência, a obrigou a descansar nesse dia, encarregando-se, com a sua irmã também adolescente, de fazer o almoço de aniversário de um dos pequenitos!” E continuou a tecer uma série de elogios paternais à sua descendência….



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