Espaço do Diário do Minho

“Algodão doce” polvilhado de ardor…
6 Abr 2020
Albino Gonçalves

Gostava que este texto fosse fictício ou resultante de uma daquelas noites mal passadas, repleta de sonhos fóbicos e aliados a insónias negras e chocantes. Infelizmente parece que despertei para conviver submisso à realidade ensombrada pelo surto pandémico invasor e mortífero em todos os cantos do planeta.

Previsivelmente, viver-se-á outra “pandemia”, não patológica mas económica, que tende progressivamente, a causar um infindável conjunto problemático de efeitos secundários e colaterais na estrutura harmoniosa das pessoas, das famílias, das empresas do sector público e privado, no Estado, etc.

O cataclismo expectável, alocado à sustentabilidade económica num país praticamente em “blackout”, vai causar muitas incertezas perturbadoras nas legítimas perspectivas das economias organizadas e disciplinadas dos países desenvolvidos, tendo um forte impacto negativo na sustentabilidade de cada um.

Portugal tem gerido, dentro do possível nas suas capacidades orçamentais, um conjunto de medidas que inicialmente aliviam o cenário de desastre de quebra de rendimentos ou o espectro do desemprego dos seus cidadãos, aplicando cuidadosamente o processo “lay-off” que define regras bem claras sobre a redução temporária da carga horária de trabalho ou a suspensão temporária de contrato laboral efectuado por iniciativa das empresas, que só pode ocorrer em momentos de catástrofe que afecte gravemente a actividade normal da empresa, entre outros.

Calcula-se que desde o início de Março tenham dado entrada cerca de 4.100 pedidos de pequenas, médias e grandes empresas em regime de “lay-off” no Ministério do Trabalho e da Segurança Social, significando que dezenas de milhares de trabalhadores vão ficar inactivos por um tempo mínimo de 30 a 60 dias e abrangidos por uma compensação retributiva mensal igual a dois terços do seu salário normal ilíquido, com garantia dos seus direitos e regalias sociais e prestações de segurança social, podendo exercer outra actividade remunerada fora da empresa sem perder o subsídio de férias e de natal na íntegra.

Perante a modéstia rendida aos hábitos dos portugueses, é melhor do que nada, dizem uns contracenando a ousadia de outros, que preferem não digerir o paladar deste “algodão doce” institucional amargo e desnatural para dar corpo à luta contra uma epidemiologia agressiva e estonteante.

Parece alucinante esta ataraxia da vivência humana, quase como se admitíssemos um mundo amaldiçoado ou talvez um alerta vermelho para mudança de comportamento em todos os segmentos da humanidade que vai atropelando impiedosamente o cultivo da naturalidade.

Não nos iludamos neste grasso período de pandemia do novo coronavírus “Covid-19”. Literalmente, os sacrifícios vão ser muitos e com dureza. Vai desgastar a nossa auto-estima e motivação; vai por à prova a nossa capacidade de resistência em gerir a resiliência da adversidade emocional e física, o apoio incondicional junto da família ou das nossas relações sociais; vai desafiar-nos a cometer pecados de violação dos nossos deveres cívicos explanados pela legislação do confinamento provocado pelo Estado de Emergência. O perigo demolidor do desânimo emocional ou mental é consistente se não conseguirmos estar na linha da frente para ultrapassar corajosamente este infortúnio “apocalíptico”.

Acredito que em obediência às “directrizes do comando”, todos com uma veia de vencedores, marchando como soldados heróicos contra um inimigo invisível e jamais invencível, o dia chegará triunfante e o retorno à nossa fantástica vida de paz, de felicidade, de alegria com beijinhos e abraços.



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