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Dia Mundial de Conscientização do Autismo

3 Abr 2020
Clara Alves Pereira

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado a 2 de abril, instituído pela Organização das Nações Unidas, tem como objetivo de sensibilizar a população para a perturbação do espetro do autismo (PEA). Pretende promover o conhecimento sobre o tema e com isso facilitar a identificação e intervenção precoces e reduzir o preconceito.  

A PEA é uma doença crónica complexa resultante da disfunção cerebral de causa multifatorial. É considerada uma das doenças do neurodesenvolvimento mais frequentes, estimando-se que em Portugal cerca de uma em cada mil crianças em idade escolar apresentem este diagnóstico. Os dados internacionais referem prevalências superiores. 

A PEA caracteriza-se por manifestações persistentes que integram duas categorias 1) alterações na interação social, fala e comunicação não verbal e 2) presença de comportamentos restritos/repetitivos. São disto exemplos as dificuldades em manter uma conversa normal e em entender as pistas sociais, evitar olhar nos olhos, apresentar gestos e brincadeiras repetitivas como rodar objectos ou alinha-los, falar com entoação estranha, necessitar de manter uma rotina previsível, revelar interesses intensos incomuns, reagir de forma estranha a estímulos sensoriais, etc. As manifestações são diferentes de pessoa para pessoa e é certo que nenhuma pessoa com PEA é igual. Os sintomas também variam com o tempo e com a intervenção. O risco de comorbilidades é também maior nesta população, com a associação a deficiência mental, alterações do sono, convulsões etc. 

As manifestações clínicas são precoces mas vão passando muitas vezes despercebidas até cerca dos dois anos de idade. Para conseguir identificar sinais de autismo precocemente é preciso estar atento aos sinais de alerta. Estão identificados alguns sinais nomeadamente não responder ao nome aos 12 meses; não apontar para objetos para demonstrar interesse aos 14 meses, não brinca a imitar aos 18 meses, não formar frases com duas palavras aos 2 anos, evitar o contacto ocular,  preferir ficar sozinho, mostrar-se perturbado com pequenas mudanças de rotina, fazer gestos repetidos, manifestar reações incomuns ao ruido ou aos alimentos. A presença de um destes sinais não significa que a criança tenha PEA mas as preocupações devem ser partilhadas com o médico para se proceder a uma avaliação por uma equipa especializada. A PEA é de diagnóstico clínico não havendo nenhum exame médico específico. O diagnóstico é feito através de uma avaliação realizada por profissionais treinados baseando-se na observação da criança, na sua evolução ao longo do tempo, e nas informações prestadas pelos cuidadores. 

Embora não exista cura para o autismo, existem intervenções e medidas educativas que permitem desenvolver maior autonomia e reduzir os comportamentos mais perturbadores. A intervenção permite que as crianças cresçam, aprendam e se desenvolvam, mesmo que o façam a um ritmo diferente das outras. Apesar da PEA ser uma condição crónica muitos doentes conseguem ter vidas independentes, produtivas e satisfatórias. 

O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para melhorar a qualidade de vida destas famílias. Se houver preocupação de que a criança apresenta sinais de autismo, deve ser procurada insistentemente uma avaliação diagnóstica. O diagnóstico precoce requer uma parceria entre pais e profissionais de saúde e influencia o prognóstico já que o início precoce da intervenção altera a evolução do caso.  



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