Espaço do Diário do Minho

Os meus pêsames… E os meus parabéns!

24 Mar 2020
José Paulo Abreu

Está hoje posta em causa a teoria segundo a qual o homem descende do macaco. Por várias razões. Primeiro, porque a ciência não deposita aí o crédito todo, ou até investe pouco. Depois – acrescido tormento, porque os macacos não aceitam semelhante coisa. Sentem-se até indignados. É que macaco não é egoísta. Macaco que é macaco partilha território e conquistas. Macaco não agride macaco. Macaco não se aproveita das limitações, fragilidades, fraquezas ou estado de debilidade dos outros macacos. Macaco partilha as bananas que encontra no caminho…

Ora muitos humanos não condizem com esse protótipo. Não descendem certamente desse ramo. Só enxergam lucro. Farejam a miséria alheia para verem onde fossar melhor. São abutres. Vivem da desgraça do vizinho, espezinhando quem já aflito se mostra. Nada mais conhecem senão o próprio umbigo. São sanguessugas que se banqueteiam na debilidade do próximo.

Por isso aqui fica o meu voto de pesar por quantos deslustram a raça humana. Em vez de aprenderem com a desgraça, servem-se dela, em proveito próprio, para maior desgraça do próximo. 

Vender máscaras a 10 € cada; inflacionar o álcool e outros produtos recomendados na atual crise sanitária; fixar preços acima do honesto porque a malta está com medo e compra seja lá ao preço que for… Que grande macacada!…

Felizmente a realidade não se esgota nesses frigoríficos, armários gelados usados para guardar e congelar.  

Há tanta gente boa. E a essa quero agora felicitar e abraçar, reconhecido, penhorado, infinitamente grato. 

Obrigado, médicos, enfermeiros, auxiliares, voluntários, gente com mãos de ouro, portentos de abnegação, generosidade, altruísmo, amor ao próximo. 

Obrigado a todos quantos neste momento, em casa ou em instituições, cuidais do próximo, se calhar com o coração nas mãos e a exaustão por todo o lado. 

Obrigado a todos quantos nos garantis os serviços, quiçá pondo em risco a vida.  É bom termos o pão e outros alimentos. É bom que haja combustíveis. É bom que haja água e luz. É bom que do essencial nada nos falte.

Obrigado a quem dá bom testemunho, fabricando máscaras para oferecer, doando ventiladores, trabalhando sem olhar para o relógio, sacrificando interesses pessoais e até, tantas vezes, familiares. 

Obrigado a todos os que ainda sabem chorar com a miséria alheia, as lágrimas a incentivarem uma caridade generosa e operativa.

Obrigado a quantos tentam levar o país e o mundo para a frente, com esforço, superação, valentia, esperança, amor e fé. 

A tragédia que estamos a viver leve para longe a negativa visão antropológica de Sartre: homo, homini lupus = o homem é lobo para o outro homem. Que horror!

E ao de cima possa vir o melhor que a humanidade consegue ter: solidariedade, respeito, generosidade, amor!

Em tempos tão tristes, irradiem sol os corações bonitos, carregados dos melhores sentimentos. 

Contem comigo. 

Conto contigo.

Que possamos contar com todos, mesmo com aqueles que até agora nem sequer merecem descender do macaco.



Mais de José Paulo Abreu


Scroll Up