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Casa de Saúde do Bom Jesus reorganiza serviços e compartimenta unidades face ao Covid-19

A instituição não hesitou mal o surto chegou a Portugal e, logo no dia 6 de março, decidiu implementar um plano de contingência que, até à data, tem sido concretizado em diversas fases.

Rita Cunha
24 Mar 2020

Serviços reorganizados, unidades de internamento e estruturas residenciais compartimentadas e com acesso através de circuitos individuais e a constituição de três grupos de colaboradores – um em regime de volutariado, outro em regime normal e outro em isolamento profilático. Este é o plano de contingência que a Casa de Saúde do Bom Jesus, a funcionar em Braga, tem vindo a implementar para fazer face ao surto de Covid-19 que assola o país.

Trata-se de um conjunto de medidas «rigorosas» que «implicam uma grande logística», envolvendo os gabinetes de crise e de controlo de infeções em prol da defesa da saúde de todos os que estabelecem contacto com a instituição, sejam utentes como funcionários e os seus familiares.

A Casa de Saúde do Bom Jesus é um dos 12 estabelecimentos de saúde geridos pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, constituindo-se uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que tem vindo a desenvolver a sua missão em favor da pessoa com doença mental. Lida, por isso, com um grupo de risco que, por si só, necessita de cuidados redobrados.
Por isso, a instituição nem hesitou mal o surto chegou a Portugal e, logo no dia 6 de março, decidiu implementar um plano de contingência que, até à data, tem sido concretizado em diversas fases, «consoante as necessidades e o evoluir da situação», tal como explicou ao DM Ana Oliveira, psicóloga e responsável pelo gabinete de informação e comunicação daquela Casa de Saúde.

«Começamos por adotar medidas preventivas e cancelamos, já nessa altura, todas as atividades que implicassem a entrada de pessoas externas. Até ao dia 6 as visitas permitidas eram apenas de uma hora por dia uma só pessoa, mas a partir do dia 7 suspendemo-las completamente. No dia 15 entramos na segunda fase do nosso plano de contenção, que consistiu numa reorganização interna muito significativa dos serviços tendo em vista a proteção de colaboradores e utentes (temos 371 a ser assistidas em internamento», referiu.

A par desta reorganização dos serviços, a instituição decidiu compartimentar as unidades de internamento e as estruturas residenciais. «Todos os serviços estão compartimentados com circuitos internos individuais», vincou Ana Oliveira.

Foram, igualmente, constituídos três grupos. Um deles encontra-e em regime de volutariado no modelo residencial, completamente protegido de contacto com o exterior até ao dia 30 deste mês, altura em que será revezado por um outro grupo, a partir do dia 31, e que, por estar presentemente no exterior, será todo ele submetido a um teste de despiste de Covid-19. Todos os elementos usam e usarão fatos de proteção individual composto por máscara cirúrgica.
Um outro grupo de colaboradores trabalha em regime normal, dando apoio em áreas que não po dem parar como a farmácia, cozinha e limpeza. E, por fim, existe um grupo de funcionários em isolamento profilático, trabalhando à distância, a partir dos seus domicílios.
O plano é de tal forma pormenorizado que, mesmo durante a troca de turnos, o contacto entre os colaboradores é inexistente. «Não há contacto social para garantirmos a proteção máxima», explicou.

Por uma questão de lógica, também os utentes não estão autorizados a sair para visitar a família. Como atualmente não existem vagas para internamento, também não entram novos utentes.

«É um plano muito rigoroso mas assim conseguimos salvaguardar as pessoas», frisou a responsável, dando nota de que, na instituição de Braga, não existe qualquer caso suspeito ou confirmado de Covid-19.





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