Fotografia: Avelino Lima

Cancelamento de procissões e festas deixa aluguer de fatos para figurinos em desespero

Empresas preveem futuro muito complicado

José Carlos Ferreira
20 Mar 2020

O cancelamento das procissões da Quaresma e da Semana Santa levou ao desespero as lojas que fornecem os fatos para os figurantes.
Esta é a época do ano em que mais trabalho têm, sendo mesmo superior àquele que registam nos meses de Verão, com as festas nas aldeias.
E, por causa do coronavírus, estes empresários viram em alguns dias o trabalho de meses a fugir-lhes das mãos.
Armanda Gonçalves, proprietária da casa bracarense Felicidade Noivas, em declarações ao Diário do Minho, afirma que as procissões da Quaresma e da Semana Santa são os momentos em que mais trabalho têm e que estes cancelamentos prejudicou em muito a sua atividade.
«Eram os os Passos, eram as Vias-sacras, eram as festas de S. José, na Póvoa de Lanhoso. O cancelar disto tudo foi muito mau porque já tínhamos feito algum investimento e foi tudo por água abaixo», disse.
Armanda Gonçalves conta até que, para além deste prejuízo, já foi também obrigada a dispensar colaboradores com quem contava para ajudar nas procissões.
«Eu até ia contratar uma pessoa, já tinha o contrato feito, e tive de cancelar. Em termos familiares, somos quatro pessoas a depender disto. Depois temos várias pessoas envolvidas que vinham aos domingos para estas procissões» e que, desta forma, já não virão, realçou.
Questionada sobre qual a melhor forma de ultrapassar esta situação, Armanda Gonçalves afirma que ainda não avaliou o que está a acontecer. «Eu pensei que isto era só até à Páscoa mas, pelo que eu estou a ver, vai ser mais. São as procissões da Pascoela, as procissões em Maio de Nossa Senhora. Isto vai afetar muito», disse.
Até casamentos Armanda Gonçalves afirma que já foram cancelados. «Em abril, tenho duas ou três noivas que cancelaram. E nas Comunhões, as pessoas estão sem saber o que vai acontecer», acrescentou.
Érica Martins, da casa Fatimar, situada em Braga, também formecedora de fatos para figurinos, fala em prejuízos com o cancelamento das procissões. «Foi péssimo. As procissões da Semana Santa não foram as únicas a serem canceladas. Foram as procissões de toda a Arquidiocese de Braga», disse, realçando que também costuma trabalhar com cortejos litúrgicos do Porto e de Bragança que também não vão acontecer.
«Nós estamos sempre à espera desta altura porque este trabalho é muito sazonal. Só temos trabalho dos Passos e depois dois ou três meses no Verão. Acaba por ser o trabalho todo de uma vez e estávamos à espera desta entrada de dinheiros», salientou.
Por outro lado, realçou ainda Ércia Martins, ao contrário de outros acontecimentos, estas procissões que agora não se realizam não podem ser adiadas. «Por isso, para nós 2020 já está visto», disse.
Questionada sobre se há postos de trabalho em riscos neste espaço comercial da cidade de Braga, Érica Martins garantiu que tudo fará para assegurar todos os funcionários.
Segundo defendeu, é essencial estar atento evoluir da situação para saber quais os próximos passos a dar.





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