Fotografia: Sara Sofia Gonçalves

«Apesar da situação extrema, o ambiente aqui em Itália é de calma e união»

Sara Sofia Gonçalves é estudante do mestrado em Informação e Jornalismo da Universidade do Minho e está neste momento em Milão ao abrigo do programa Erasmus.

Ana Marques Pinheiro
15 Mar 2020

Diário do Minho (DM) – Desde quando é que permaneces em casa? 

Sara Gonçalves(SG) – A quarentena obrigatória foi decretada para Lombardia, que é a zona onde vivo, no dia 8 de março. No dia seguinte, foi estendida a todo o país. Desde esse domingo que não saio de casa, ou seja, está agora a fazer uma semana.

DM – Como têm sido dos dias depois de ter sido declarada a quarentena obrigatória?

SG – Estes quase sete dias têm sido ocupados com trabalhos da universidade, muitas séries e filmes e a companhia das pessoas que ainda estão pela residência. Como os exames foram cancelados, as aulas continuaram remotamente pela plataforma digital da universidade e agora os exames foram substituídos por entregas de trabalhos ou relatórios. Vou tentando gerir o meu tempo para entregar esses trabalhos todos na data prevista e, entretanto, conseguir pôr todas as minhas séries e filmes em dia. Nas zonas comuns da residência, como a cozinha ou a sala da televisão, entretemo-nos todos juntos com filmes, conversa e jogos. Apesar de ser difícil estar fechado em casa, ter companhia ajuda. Por aqui o ambiente é de positivismo e união.

DM – Como tens feito a gestão de alimentos e as saídas à rua?

SG – Por sorte, tinha exatamente ido ao supermercado no dia anterior à decretação da quarentena. Assim, ainda tenho comida suficiente para alguns dias. No entanto, sair à rua para ir ao supermercado – sendo uma necessidade – está autorizada. Irei às compras na próxima semana. Fora ir ao supermercado ou à farmácia, caso necessário, as saídas estão proibidas.

DM – Qual é o ambiente que se vive?

SG – Depois do início do fecho total do país tive uns colegas que foram ao supermercado e outro que foi dar uma corrida ao parque, o ambiente que se vive nestes locais é de calma e cumprimento das normas impostas. Nas ruas, andam polícias a pedir às pessoas para que se respeite a distância social de dois metros de distância e pode ver-se que os italianos estão recetivos a estes pedidos e de imediato cumprem o que lhes é pedido. Apesar de ser uma situação extrema, sinto que o ambiente aqui em Itália é de calma, união e esperança. Algo que se pode também ver pelas redes sociais, com movimentos de apoio aos italianos ou “flashmob” organizados nas varandas dos edifícios.

DM – Caso tenhas sintomas, o que tens de fazer?

SG – Caso tenha sintomas, o que me foi indicado pela minha universidade, é que eu informe imediatamente a direção da minha residência e eles irão tratar de arranjar um médico para se deslocar aqui. A primeira ação nunca poderá ser ir ao hospital. Teria aguardar a vinda de um médico à residência e, entretanto, tentar não contactar com os outros colegas que aqui vivem.

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





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