Espaço do Diário do Minho

Em tempo de coronavírus
5 Mar 2020
Carlos Aguiar Gomes

Em tempo de epidemia que tende para pandemia, as notícias são constantes e… alarmam-nos.

São-nos dados inúmeros conselhos práticos para reduzir os riscos reais.

Lavar muitas vezes por dia as nossas mãos com sabão é uma daquelas medidas profilácticas, simples, ao alcance de todos em casa ou no lugar de trabalho.

Outra medida simples, é de não nos aproximarmos muito das outras pessoas e evitar as grandes aglomerações.

Em Portugal, para frustração de muitos meios de comunicação social, ainda só agora apareceram alguns casos (pelo menos até ao momento em que escrevo estas linhas), o que, para já nos pode deixar mais ou menos tranquilos. Contudo, sabemos que os vírus não conhecem fronteiras, nem estatuto social. E, como todos os vírus, apresentam uma característica muito peculiar: são altamente mutantes. A sua estrutura genética muda muito fácil e rapidamente.

Como cidadão católico praticante, constato, nos nossos templos duas atitudes que, em meu entender são perigosas e, do ponto de vista sanitário condenáveis e, por isso deveriam evitar-se totalmente.

Exemplo um: a senhora A. Está com tosse e espirra com frequência. Está no meio de um banco da sua igreja. Quando tosse ou espirra, o lugar onde coloca as sua mãos no genuflexório, vai ficar carregado de pequenas partículas, pouco visíveis, de saliva, mas com milhões de vírus invisíveis. Na hora da comunhão, os seus vizinhos, ao deslocarem-se para a fila da comunhão, amparam-se na parte superior do dito genuflexório e, sem saber nem dar conta, vão carregar as sua mãos de milhões de vírus. Depois, quando se aproximam para receber a sagrada comunhão, estendem a mão e na palma desta é-lhe colocada a Hóstia que, com a outra mão colocam na boca (e já não refiro, o que tenho visto muitas e muitas vezes, de o fiel, depois de pôr a Hóstia na boca, olhar para a palma da mão onde foi colocada a Hóstia consagrada, e lamber a mão para que não fiquem pedacinhos que poderiam cair ao chão!). E os vírus, ficam quietos? O comungante , antes de esticar a mão para comungar, lavou, como é recomendado, as suas mãos com sabão, sobretudo depois de ter deslizado as suas mãos pelo suporte do genuflexório?

Exemplo dois: chegou-se a altura do “abraço da paz”. Então começa o desatino total! Beijinhos à direita, à esquerda, na fila da frente e na de trás, duas à frente e três a trás, quando não se passeiam pela igreja a dar muitos beijinhos, “ palavrinhas simpáticas de votos de boa saúde”, palmadinhas nas costas e, imagine-se, sacudidelas nos mais freneticamente entusiasmados com tanto gesto “marcelino” (já me aconteceu inúmeras vezes ser sacudido com alguma violência, sobretudo por piedosas mulheres!). E o que acontece aos vírus? A este da moda e aos outros tão frequentes no Inverno e que causam as gripes? Espalham-se descontroladamente, não é? E os cristãos “cumprimentadores” lavaram imediatamente antes e depois as suas mãos com sabão?

Exemplo três: ao dirigir-se à igreja, o fiel que vai de autocarro, quando entra, se senta, se levanta para sair e sai, agarra – se aos suportes para não cair, tem o cuidado de respeitar os outros e evitar a transmissão dos vírus lavando as suas mãos com sabão? Ali e logo?

E aqui ficam três reflexões incómodas para quem cheio de boas intenções e de muita modernidade, ainda não pensou nos perigos que corre e faz correr no âmbito da saúde pública? Ah! Esquecia-me de dizer que a Organização Mundial de Saúde recomenda vivamente que se lavem muitas vezes e bem as mãos . Que eu saiba, ainda não há sabão azul água e toalhas descartáveis em cada igreja para que os fiéis lavem as mãos antes da comunhão na mão!

Bem sei, tenho a certeza absoluta, que me vão chamar de integrista. Não me importo nada. Para a comunhão, sigo os exemplos pedidos e desejados de S. João Paulo II e do sábio Bento XVI. Respeito e procuro cumprir a Instrução “O Sacramento da Redenção”. Para o chamado “abraço da paz” esforço-me por cumprir o espírito deste gesto fraterno e bem gostaria que, como tantas vezes sugeriu Bento XVI, fosse deslocado para outra ocasião que não dispersasse os fiéis com tanta “azáfama” “cumprimentadeira”.



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