Espaço do Diário do Minho

O país do Carnaval: desde a Confiança, o referendo à eutanásia, os insultos no futebol e a TAP
26 Fev 2020
Joaquim Barbosa

Há algumas ocasiões em que este país parece que vive esta quadra todo o ano.

1 – Começando pelo nosso burgo, a repetitiva “jogada” dos mesmos contestatários contra a solução municipal para o edifício da antiga fábrica Confiança revela uma incoerência tão grande que – sabendo que as pessoas envolvidas não são destituídas de inteligência – só pode ser justificada pela sede a todo o custo de protagonismo inconsequente e contraditório.

O resultado concreto da providência cautelar interposta pelas senhoras e senhoras adversárias da solução municipal para o edifício da Confiança, foi a de suspender temporariamente as medidas de proteção consignadas pelo PIP: desapareceu temporariamente o Museu da Fábrica, a proteção arquitetónica, patrimonial e história do edifício promovida pelas condições desta hasta pública, aprovada também pelas mais altas instâncias do Ministério da Cultura.

Com esta providência cautelar os seus autores – que se enganaram se pensavam que encurralariam Ricardo Rio Rio – prestaram o pior serviço possível a um imóvel com a dignidade do Edifício da Confiança. Se não fosse o caso da hasta pública ter ficado deserta, teria havido a possibilidade de ter ocorrido sobre a Confiança uma verdadeira catástrofe!

Faz me lembrar o descrito no Antigo Testamento quando duas mulheres reivindicavam a maternidade de uma criança face ao Rei Salomão, tendo a verdadeira mãe preferido prescindir do filho para que ele não fosse cortado pela metade. Só que neste caso, os críticos da Confiança, na sua cegueira inconsequente, foram como a falsa mãe: prefeririam que o filho fosse cortado ao meio.

2 – Não me quero pronunciar aqui sobre a eutanásia, matéria muito complexa, embora seja contra, uma vez que a dignificação da Vida e as dúvidas sobre o assunto não me permitem outra posição. O respeito da vontade do outro, também não me seduz porque esse tipo de posição também permite a aprovação moral do suicídio – e à omissão do dever de auxílio – desde que corresponda a uma vontade sem reservas ou sem nenhuma coação física ou moral.

O que se sabe é que não foi matéria que tivesse constado do programa dos partidos, não foi objeto de campanha eleitoral, porque se o fosse os partidos que defendem a eutanásia teriam tido menos votos. Assim fizeram uma artimanha de aprovar à pressa sem avisar antes o povo.

Então vota-se uma matéria sobre a qual se discute um referendo sobre a mesma, que permitiria um amplo debate na sociedade? E se o resultado do referendo for o contrário do que foi aprovada no Parlamento?

O PSD, partido defensor de referendo desde os tempos de Sá Carneiro para as questões mais importantes da sociedade, tem especiais responsabilidades uma vez que até foi aprovado no seu último Congresso uma moção que defende o referendo sobre a eutanásia.

Já Hugo Soares, então deputado atento, há dois anos defendeu no Congresso do PSD de Lisboa que o partido deveria lutar por um referendo sobre este assunto.

Ninguém sabe onde é que isto vai dar: o que sei é que na Holanda – país onde há muito é permitida a Eutanásia – discute-se agora a possibilidade de venda em farmácias de uma substância, a ministrar a quem tem mais de setenta anos, com o intuito de acabar com a vida voluntariamente.

3 – Que dizer da inacreditável decisão dos tribunais sobre a violência – desta vez verbal – do desporto?: foi decidido, em duas instâncias, não levar a julgamento um treinador e um delgado de jogo, quando este, com extrema violência verbal e com termos impublicáveis, insultou a mãe daquele e o mandou para o que antigamente era um cesto no topo do mastro mais alto das caravelas para se avistar o horizonte…

Assim, a violência do desporto só aumenta!

4 – Por último, mas não em último, os prémios que a TAP quer voltar a dar aos gestores que, contrariamente ao previsto, mais uma vez não conseguiram descolar a transportadora dos prejuízos. A geringonça – que alterou a solução prevista para a TAP do governo de Passos Coelho equivalente a quase todas as transportadoras europeias – reage agora hipocritamente quando tem muitas responsabilidades na atual situação.

Que país é este?

Destaque

O PSD, partido defensor de referendo desde os tempos de Sá Carneiro para as questões mais importantes da sociedade, tem especiais responsabilidades uma vez que até foi aprovado no seu último Congresso uma moção que defende o referendo sobre a eutanásia.



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