Espaço do Diário do Minho

Apanhados 12
26 Fev 2020
Dinis Salgado

A vida nas grandes e médias cidades é um permanente desafio ao bem-estar dos seus habitantes que se coloca a quem tem de gerir o seu dia-a-dia; e mormente no que concerne à sua segurança e qualidade de vida.

Assim, é dificil conviver pacificamente sem engulhos vários, nem protestos veementes entre os responsáveis autárquicos e os respetivos munícipes; embora, o alheamento, comodismo e passividade reinantes entre estes deixem àqueles margem folgada de manobras governativas.

Por isso, só uma democracia mais direta, participativa e responsável entre todos pode dar respostas mais firmes e concludentes aos problemas existentes; e, em proveito óbvio e mais atempado, afastando o espetro das lutas partidárias constantes que geram interesses comezinhos e de grupo, centrar a gestão da coisa pública nas necessidades e anseios dos respetivos munícipes.

Vejamos, então, como vai a nossa cidade de Braga no que a estas problemáticas diz respeito. E a conclusão evidente é que muito há ainda a fazer relativamente aos problemas ambientais, de mobilidade, de conforto, de bem-estar, de equipamentos coletivos e de civismo; e se nos concentrarmos na problemática da segurança de pessoas e bens, muito há ainda para melhorar e fazer, concretamente na segurança rodoviária, pois a convivência harmoniosa do automóvel com o cidadão é cada vez mais obtusa, despoletando frequentes fenómenos de agressividade e irresponsabilidade.

Voltemos, por exemplo, à Avenida 31 de Janeiro, antiga Avenida Salazar, a mais retilínea e longa da cidade e que já aqui trouxe mais do que uma vez, dada a sua permanente utilização indevida por certos fângios do volante; é que, dada a sua extensão e sistema semafórico permite a estes automobilistas dela fazerem treino e prática de Fórmula 1; ainda há dias vi um potente bólide a fazer da Avenida pista de um qualquer autódromo.

Ora, como há zonas de travessia de peões sem semáforos, já observei várias vezes peões a atravessar a Avenida com sérias dificuldade e risco da própria vida; é que muitos aceleras, querendo chegar ao fim da Avenida aproveitando a onda verde semafórica ignoram, pura e simplesmente, os direitos dos peões, dos quais o mais elementar e importante é o direito à vida.

Já, em tempos, aqui sugeri uma fiscalização apertada que passe pela instalação de radares, só eles capazes de frenar os ânimos e a adrenalina destes autênticos paranoicos do volante; só que ou é dificil levar por diante esta ação ou o dinheiro escasseia, dando a parecer que a vida humana já pouco preço e menor apreço tem.

Agora, pensando nós que esta Avenida já batizada foi de autoestrada (A 31), somente por sorte, ainda não se transformou numa Avenida da morte, tais são os desmandos rodoviários que ali acontecem; e talvez porque os peões já não a procuram para atravessar, preferindo dar a volta ao bilhar grande que é, para a maioria, a busca das travessias com semáforo.

Parece caricata a cena, mas já vi peões a atravessar nas passadeiras sem semáforo estendendo o guarda-chuva ou levantando bem alto os braços como chamada de atenção para os tais automobilistas armados em corredores de pista fechada; e mais grave ainda há mesmo quem, ao ver ao longe o bólide a bufar, tenha de acelerar o passo e até correr para não ser feito em pastelão de nata; agora, vejam lá quando isto acontece a mamãs com carrinhos de bebés ou a peões de mobilidade ou visão reduzidas.

Pois é, aqui fica o apelo a quem de direito (Câmara Municipal, ou Polícia de Segurança Pública ou ambas as entidades) para que se discipline, com radares ou uma semaforização apertada, esta Avenida e se puna rigorosa e exemplarmente os prevaricadores, a bem da segurança dos peões e de todos que a têm de usar, mas sem medo e com a devida segurança; e tudo isto nos leva a pensar que se o sapateiro de Braga, o da tirada filosófica de que ou comem todos ou haja moralidade, fosse vivo, perante esta estapafúrdica situação declararia alto e bom som: ou ali se instalam radares ou se fecha a Avenida ao trânsito automóvel.

Já, agora, e em jeito de que vem a propósito, quando é que a zona azul que, frente à Escola Secundária Carlos Amarante, permite a recolha e largada de alunos automobilizados, é novamente pintada? É que aos meses que já está de férias, isto é que desapareceu, ali permite a instalação de uma tremenda barafunda rodoviária, pois a dita operação de recolha e largada de alunos tem de ser feita em segunda fila e, assim, atravancando o tráfego; ademais, mesmo voltando a ser pintada, se não houver fiscalização ao estacionamento indevido, o caos continuará.

Esperemos que haja quem tome medidas urgentes; e até, para deixarmos de praguejar constantemente:

Porra, vai cá uma nortada!

Então até de hoje a oito.

Destaque

Esta Avenida já batizada foi de autoestrada (A 31), somente por sorte, ainda não se transformou numa Avenida da morte, tais são os desmandos rodoviários que ali acontecem.



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