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UMinho acha “francamente interessante” residência estudantil pública na Confiança

Vieira de Castro.

Redação
24 Fev 2020

O reitor da Universidade do Minho disse hoje ser “francamente interessante” a instituição poder transformar a antiga Fábrica Confiança numa residência universitária pública, possibilidade avançada pela autarquia se o complexo não for vendido na hasta pública marcada para março.

Em declarações aos jornalistas, Rui Vieira de Castro adiantou que já contactou o ministro do Ensino Superior para a possibilidade de inserir a Confiança no Plano Nacional de Alojamento universitário e que Manuel Heitor “manifestou interesse”.

Na reunião do executivo camarários desta manhã, o presidente da Câmara Municipal de Braga, Rui Rio, adiantou a possibilidade de ceder à Universidade do Minho (UMinho) o complexo da antiga saboaria para uma residência universitária pública, caso não apareçam compradores da hasta pública de 11 de março, como aconteceu na anterior.

“Se se vier a concretizar esta solução, que para nós seria francamente interessante (…), mas há um conjunto de passos para tornar realidade o que neste momento é uma hipótese e tão só”, afirmou Rui Vieira de Castro.

O responsável pela UMinho explicou que Rio fez o contacto com a instituição, “procurando explorar possibilidades de colaboração com a universidade que potenciassem o edifício e a sua utilização para fins de interesse coletivo”.

Rui Vieira de Castro lembrou que “a capacidade de resposta de alojamento estudantil que está claramente aquém daquilo que são as necessidades da comunidade universitária”, pelo que aquela possibilidade seria do “interesse” da UMinho.

Para a oposição à maioria PSD/CDS-PP/PPM no executivo, a possibilidade avançada pelo presidente da autarquia foi recebida com “surpresa” e entendida como “um ultimato” a possíveis investidores, lembrando a “obsessão” do autarca por vender o complexo.

“É com alguma surpresa, embora devo dizer que me parece um ultimato aos investidores por parte do presidente da câmara. Quase como quem diz, ou aproveitam agora, ou vamos seguir um outro plano (…) isto manifestamente dá a entender que o presidente pode ter sido iludido, entusiasmado em demasia com todos aqueles que lhe bateram à porta a dizer que queriam comprar a Confiança”, declarou o vereador da CDU, Carlos Almeida.

Para o PS, pela voz do líder Artur Feio, “foi uma surpresa com pezinhos de lã”.

“Do ponto de vista daquilo que é a pressão da própria cidade que colocou um ónus muito grande no edifício que se torna difícil do ponto de vista imobiliário, alguém investir num edifício cuja forma de concretizar o negócio pode demorar muito tempo, é natural que os investidores se sintam mais retraídos”, disse.

“A forma alternativa, passar o edifício para uma parceria com a universidade de forma a que seja estabelecida uma residência universitária com caráter publico, é muito diferente que do ponto de vista privado”, completou.

A antiga saboaria foi comprada pela autarquia em 2011 mas não foi alvo de qualquer ação de recuperação por “falta de verbas próprias e fundos comunitários”, sendo que no início do mandato o executivo anunciou a venda do complexo.

As duas primeiras hastas públicas foram travadas por providências cautelares, tendo o Tribunal Administrativo dado razão à autarquia em ambas. A 14 de fevereiro a autarquia abriu um novo processo de venda por hasta pública, que acabou sem compradores.





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