Fotografia: Liga Portugal/DR

Conselho de Disciplina abre processo disciplinar ao Vitória de Guimarães

Caso ganhou maior visibilidade porque o maliano, ao contrário de outros que também foram insultados, resolveu abandonar o terreno de jogo.

Lusa
18 Fev 2020

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou hoje a abertura de um processo disciplinar ao Vitória de Guimarães, devido a insultos racistas ao futebolista maliano do FC Porto Moussa Marega.

O avançado do FC Porto recusou-se a permanecer em campo, ao minuto 71 do jogo, após ter sido alvo de cânticos racistas por parte dos adeptos da formação vimaranense, numa altura em que os ‘dragões’ venciam por 2-1, resultado com que terminou o encontro.

Depois de pedir a substituição, Marega, que já alinhou no emblema minhoto e tinha marcado o segundo golo dos ‘azuis e brancos’, dirigiu-se para as bancadas do recinto vimaranense, com os polegares a apontarem para baixo, situação que originou uma interrupção do jogo durante cerca de cinco minutos.

Vários jogadores do FC Porto e do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo, tendo acabado por ser substituído por Manafá.

E, na hora de abandonar o relvado e rumar aos balneários, Marega fez gestos para a bancada.

Fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou à Lusa a identificação de várias pessoas suspeitas de dirigirem cânticos e insultos racistas a Marega, sem adiantar o número de suspeitos, acrescentando que continua a efetuar diligências para identificar outros envolvidos.

O Ministério Público instaurou um inquérito na sequência deste incidente, que já mereceu a condenação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa, entre outros.

Este comportamento configura um crime previsto no Código Penal punido com prisão de seis meses a cinco anos e uma contraordenação sancionada com coima entre 1.000 e 10.000 euros.

 

O presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, afirmou, ontem, que «não há racismo» no concelho, sublinhando que os incidentes de domingo com o futebolista Marega foram um «epifenómeno desportivo» que deve ser avaliado “com justiça”.

Em declarações aos jornalistas à margem da inauguração de um gabinete de psico-oncologia, Domingos Bragança disse que não está a relativizar o que aconteceu no domingo no estádio D. Afonso Henriques e vincou que condena «qualquer tipo de atitude de racismo», seja em Guimarães ou em qualquer outra parte do mundo.

«Quem conhece Guimarães, sabe que é assim: em Guimarães não há racismo, Guimarães é uma cidade inclusiva, multicultural e multirracial. Os episódios que aconteceram não expressam o que é Guimarães, nem os vimaranenses, nem os vitorianos», referiu.

 

 





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