Espaço do Diário do Minho

«EUTANÁSIA, o reverso da medalha – reflexões e experiências dos cuidadores»
13 Fev 2020
Carlos Aguiar Gomes

Como cidadão interventor social (deve ser defeito de nascimento e de educação familiar!) desde há muitas décadas, mandei vir o livro “ EUTHANASIE, l’envers du décor – Réflexions et expériences de soignants”, com a coordenação de Timothy Devos ( hematologista), (Editions MOLS – Autres regards), pois quero estar bem informado para os combates pela vida, pela sua dignidade, pois não há homens mais dignos do que outros, qualquer que seja o seu desenvolvimento, saúde ou outros atributos inatos ou adquiridos. Da concepção à morte natural. Quero estar, como sempre estive, pela direito à vida e combater contra todos os ataques que lhe são desferidos.

Como vivo numa sociedade intoxicada, só e exclusivamente, pelo “politicamente correcto” ou, dito de outro modo, pelo “pensamento único”, dirigido e ampliado pelas forças ocultas ou não que estão apostadas na destruição da nossa civilização e das suas raízes, como sempre me habituei e procurei viver de acordo com determinados valores entre os quais, um dos mais relevantes, é a defesa da vida humana, sobretudo dos mais frágeis entre os frágeis, para este combate quero estar bem e correctamente informado e formado. Procuro, assim, fontes credíveis. Foi esta a razão que me fez mandar o livro a que me referi e que recebi no início deste mês. E porquê este livro? Pela simples razão de que elenquei um conjunto notável de colaboradores de excelência, com prática na área e que não são teóricos ideologizados.

“EUTHANASIE, l’envers du décor” conta com a colaboração de psiquiatras, enfermeiros oncologistas, hematólogos, cancerólogos, psicólogos, especialistas em cuidados paliativos urgentistas, especialistas em Ética, filósofos ou em doenças infecciosas. Todos com experiência em hospitais belgas e que conhecem muito bem a triste realidade da lei que em 2002 legalizou a Eutanásia neste país e o quanto a realidade se modificou drasticamente com a pressão clara ou camuflada sobre os doentes para serem coagidos a pedir que os matem por parte de médicos, enfermeiros ou familiares que se querem livrar de doentes ou frágeis. A chamada “RAMPA DESLIZANTE” aplicada a legalização da Eutanásia é bem confirmada quer na Bélgica quer, também, na Holanda, países onde já se saiu declaradamente da aplicação da lei. É o que nos espera se a lei da legalização da Eutanásia vier a ser aprovada em Portugal. Urge conhecer o “reverso da medalha” “dourada” que vai ser proposta por e com compaixão…

Recomendo vivamente este livro a todos os que se interpelam quer pela “bondade” da Eutanásia quer por aqueles que se lhe opõem. Porque dá “a palava aos cuidadores de terreno a fim de que possam partilhar o que têm vivido, histórias concretas. Elas permitem ao leitor tomar consciência da complexidade das situações e das consequências concretas da lei sobre a Eutanásia.”( cf contra-capa do livro citado).

Este livro não está baseado nem ideologias nem em religiões, mas na experiência de técnicos da saúde e no modo como percepcionam a lei da legalização da Eutanásia num dos países que primeiro deram luz verde para que os médicos e enfermeiros se pudessem, legalmente, tornar em carrascos, muitas vezes contra a sua sensibilidade.

A experiência vivida na Bélgica e na Holanda, nomeadamente, no concernente à Eutanásia, deveria merecer mais atenção dos políticos e, sobretudo aos eleitores que votam neste ou naquele partido “porque sim”, sem se darem ao cuidado de conhecer o programa daquele em que vão votar.

E que dizer da total falta de conhecimento desta opção ideológica contra o direito à vida por parte da maioria dos cristãos? Quantos Bispos, Sacerdotes ou leigos, têm ajudado a esta formação, sem medo nem meias palavras? Estes, têm sido claros e assertivos ou têm medo de “chamar os bois pelos nomes”, assertivamente, sem medo das represálias dos ditadores do pensamento dominante? Tenho para mim, e peço que me esclareçam, que, neste campo, aliás como noutros, o silêncio e a vacuidade têm dominado, com muito raras excepções . Mas, caros leitores, quando, por exemplo, a Conferência Episcopal Portuguesa toma posição, cai sobre ela o silêncio tumular.

A Eutanásia não é só um problema religioso, de Fé. Mas é-o também. E, por isso, não se podem silenciar os crentes nem ter com estes e para estes um discurso que não seja límpido e claro. Também não é legítimo o discurso corrente, de que os cristãos, por exemplo, não deverão invocar as motivações religiosas! Não. Os crentes são, também, eleitores e cidadãos com toda a legitimidade para exprimirem o seu pensamento e propor os seus valores.

Sobre este tema voltarei à carga, se Deus quiser.



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