Espaço do Diário do Minho

O que lemos muda-nos…

9 Fev 2020
Maria Caetano Conceição

No passado dia 26 de Janeiro, celebrámos, pela primeira vez, o domingo dedicado à Palavra de Deus. Segundo o Papa Francisco, a relação entre Deus, os crentes e a Sagrada Escritura é vital para a identidade cristã – que parece que em alguns ambientes poderá estar mais esquecida, quero acreditar que não está perdida: “Sem a Sagrada Escritura, permanecem indecifráveis os acontecimentos da missão de Jesus e da Sua Igreja no Mundo.” Ainda citou São Jerónimo: “A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo.”

Realmente parece-me fundamental que se melhore dois pontos da prática cristã, que poderão estar a cair em desuso, especialmente entre os mais jovens, o que provocará cada vez mais o afastamento de Deus por desconhecimento e conduzirá a erros graves e até ao desespero do vazio e do sem sentido: ir à Missa, pelo menos, aos domingos e dias santos, e ler um trecho do evangelho todos os dias. 

Embora nem todos os livros marquem um antes e um depois tão evidente na nossa vida, o que lemos muda-nos… quanto mais a leitura assídua do evangelho, pois É o próprio Deus que nos afina a alma. Apesar de ter sido escrito há mais de 2000 anos está tudo muito actual. É-nos possível transpor os seus ensinamentos mais profundos para o nosso dia a dia, apesar da realidade ser diferente – nem todos somos pescadores ou percebemos de agricultura, mas o principal das parábolas nem sequer se resume a essas profissões, é muitíssimo mais assertivo. Portanto a leitura do evangelho abre-nos horizontes, pois “descobrimos que Deus está perto de nós, que ilumina as nossas pequenas mas também grandes trevas, que com Amor conduz a nossa vida”, como nos explica o Papa Francisco. Já nem temos a desculpa de estar indisponível ou ser complicado encontrar… é possível “manter o evangelho aberto na cómoda de casa, trazê-lo connosco no bolso, visualizá-lo no telemóvel.”

Falando sobre a encarnação do Verbo de Deus que “dá forma e sentido à relação entre a Palavra de Deus e a linguagem humana, com as suas condições históricas e culturais”, o Papa ressalta que “muitas vezes corre-se o risco de separar Sagrada Escritura e Tradição, sem compreender que elas, juntas, constituem a única fonte da Revelação (…). A fé bíblica funda-se sobre a Palavra viva, não sobre um livro. Quando a Sagrada Escritura é lida com o mesmo Espírito com que foi escrita, permanece sempre nova”. Assim, “quem se alimenta dia a dia da Palavra de Deus torna-se, como Jesus, contemporâneo das pessoas que encontra, não se sente tentado a cair em nostalgias estéreis do passado, nem em utopias desencarnadas relativas ao futuro”. “Por isso, é necessário que nunca nos abeiremos da Palavra de Deus por mero hábito, mas nos alimentemos dela para descobrir e viver em profundidade a nossa relação com Deus e com as outras pessoas. A Palavra de Deus apela constantemente para o amor misericordioso do Pai, que pede a seus filhos para viverem na caridade. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade, enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade.”

A minha experiência ensinou-me que a leitura assídua do evangelho ajuda a nunca deixar de acreditar que “Deus está próximo, remove as barreiras, elimina as distâncias e deseja dar a cada pessoa o encanto de viver, a paz do coração, a alegria de ser perdoada – sejam quais forem as asneiras que fizemos, só temos de querer e lutar por nos arrependermos e tentar convictamente não voltar a cometer – e acima de tudo de se sentir verdadeira e profundamente amada.” 

Tentemos todos melhorar com a leitura diária de um trecho do evangelho e assim poremos em prática o ditado que aprendi por estes dias: “Ajuda-te e Deus te ajudará!”



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