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Saiba mais sobre bronquiolites

7 Fev 2020
Teodora Machado

A Bronquiolite é uma infeção respiratória aguda viral que ocorre nos dois primeiros anos de vida. Durante a infeção, as pequenas vias que transportam o ar até aos pulmões ficam obstruídas, dificultando a respiração do bebé e, consequentemente, a oxigenação do sangue. O vírus sincicial respiratório (VSR) é o responsável por mais de 75% dos casos. É sazonal, com maior preponderância no período compreendido entre novembro e abril. Na maior parte dos casos, a doença é benigna e cura-se facilmente em casa.

O diagnóstico é clínico, ou seja, baseia-se na história e nos sinais e sintomas apresentados. Os exames complementares de diagnóstico são inúteis na maior parte das vezes e não devem ser realizados sistematicamente. Os bebés mais pequeninos podem ter necessidade de cuidados hospitalares.

Os sintomas iniciais apresentam um quadro semelhante a uma constipação, com secreções e obstrução nasal, por vezes acompanhada de tosse e febre. Alguns dias depois a tosse pode agravar, ficando a respiração mais rápida, com esforço evidente (balanceio da cabeça, gemido, “covinhas no pescoço”, “costelas marcadas”, ”chiadeira ou gatinhos”). É habitual os bebés mais pequeninos tolerarem menos quantidade de leite e com a tosse podem vomitar com facilidade, ficam mais cansados e tornam a alimentação mais difícil. Apresentam um quadro de irritabilidade. Geralmente a criança melhora num período de uma a duas semanas. 

Não há tratamento específico, inclui apenas medidas de suporte como: desobstrução nasal frequente (com soro fisiológico) e aspiração de secreções nasais; elevação da cabeceira do berço/cama a 30o; controlo da febre; fracionamento das refeições (manter o aleitamento materno); contraindicação de antibióticos, pois é uma infeção viral; administração inútil de xaropes para a tosse e é fundamental que o bebé não contacte com fumo de tabaco.

Deve procurar ajuda pediátrica: se a criança tiver respiração muito rápida; se o bebé mamar menos de metade da quantidade habitual em duas ou mais refeições; se vomitar frequentemente; se urinar pouco (fralda seca por um período superior a 12 horas); se a febre for elevada (superior a 39oC); se tiver outros problemas de saúde (cardíacos, pulmonares, imunológicos, neurológicos) e se apresentar sonolência excessiva/prostração (difícil de acordar).

Se estes sinais não reverterem, o bebé poderá ter de ser internado no serviço de Pediatria. No hospital é avaliada a oxigenação do sangue, a qual ajuda a decidir se o bebé necessita de oxigénio suplementar. Nos casos mais graves poderão ser colhidas secreções respiratórias para análise, podem ainda ser pedidas análises ao sangue e radiografia de tórax. 

Durante o internamento, alguns casos beneficiam de Cinesiterapia Respiratória, após indicação do Pediatra e prescrição do Fisiatra. É uma técnica não invasiva e não farmacológica. Consiste num conjunto de técnicas terapêuticas manuais realizadas pelo Enfermeiro Especialista em Reabilitação e tem como objetivo mobilizar e drenar as secreções. Os resultados são imediatos com melhoras significativas da sintomatologia.

O bebé só poderá ter alta quando se conseguir alimentar, não apresentar dificuldade respiratória, estiver apirético (sem febre) e não necessitar de oxigénio suplementar.

A bronquiolite é muito contagiosa. Lave as mãos frequentemente. Evite locais com muita gente. Não fume nem deixe fumar nos locais onde o bebé está. Amamente o seu bebé.



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