Espaço do Diário do Minho

Se for assim… então vamos mais longe por «’mor» da Justiça
6 Fev 2020
Carlos Aguiar Gomes

Revisitei, numa destas últimas semanas, Viseu, com minha Mulher. Obviamente que se nos impôs voltar ao Museu Grão Vasco. E reapreciámos, sobretudo, a maravilhosa pintura de Vasco Fernandes (século XVI/XVII), o Grão Vasco. Extasiámo-nos com o “seu” S. Pedro. Não deixámos de nos interpelar sobre a sua localização, bem central e em fundo branco, fazendo realçar todo o esplendor daquele quadro. As expressões, as cores, as sombras ou a perspectiva, tudo é perfeito.

Esta e outras peças pictóricas deste pintor maior de Portugal ali estavam para nos deleitar. Mas estavam todas deslocadas do enquadramento para as quais foram encomendadas e onde estiveram séculos até serem levadas (palavra suave!) para um Museu. Eram peças para igreja. Para o culto. Para ajudar os cristãos a contemplar verdades da sua Fé. É bom termos presente que aquela e outras obras de arte sacra foram e deveriam ser entendidas antes de tudo como objectos de culto e, só depois, como obras de arte. Os nossos museus públicos e, nomeadamente, os Arquivos Distritais e a Torre do Tombo, existem porque grande parte dos documentos foram lá parar “subtraídos” a Conventos, Mosteiros, Paços Episcopais, Paróquias, etc. e etc.. Todos sabemos disso e ninguém, hoje, nem os lesados, querem que de lá saiam. Contudo, usando a lógica da extrema esquerda, a tal do “pensamento único”, deveriam ser devolvidos à procedência e já. Mas falta-lhes a honestidade e a coerência intelectual.

…A deputada que “nasceu para estar no parlamento”(!) e no Parlamento de Portugal, o país colonizador e que a acolheu sem lhe perguntar a qual das etnias da sua terra, a Guiné, pertence ou a cor da sua pele – será por qualquer privilégio hereditário? – com os seus seguidores, desavindos e não desavindos, querem e exigem que os portugueses devolvam o que trouxeram do nosso antigo Ultramar. Acho razoável a ideia desta “iluminada” deputada SE os bens da Igreja Católica que lhe foram roubados, legalmente (nem todos!), tiverem a mesma sorte. Seria interessante pensarmos um pouco no que ficaria nestas casas da cultura, abertos a todos. Também a dita cuja senhora deputada e sequazes que quando visitam o Museu de Arte Antiga (Lisboa) se podem deslumbrar com os painéis de Nuno Gonçalves que vieram do Mosteiro de S. Vicente de Fora e nunca pensaram nem querem pensar em que os ditos painéis voltem para o templo para o qual foram feitos. Não são coerentes, pois não?

De facto, certas manifestações ditas anti-racistas ou anti-xenófobas, não são mais do que um puro, extremista e fanático racismo e xenofobia. De ódio feroz a quem não pertence ao “seu clube”.

António Barreto, no PÚBLICO (2.II.2020) escreveu , a propósito deste delírio que ganha raízes nas seitas bem pensantes, um notabilíssimo artigo – “OS REPARADORES DA HISTÓRIA” – cuja leitura me permito sugerir a leitura a quem não teve a dita de o ter lido. Deste magnífico artigo, transcrevo a parte final:

«É um verdadeiro delírio adolescente que criou raízes nas mentes de tão ilustres europeus de pele branca e alma colorida. Sarar cicatrizes da História é uma actividade que conduzirá certamente ao desastre. Tal empreendimento é impossível, o que já é um bom argumento para não experimentar. Mas, tentando, dá tragédia».

Vale a pena ler este artigo de António Barreto pela sagacidade e bom senso, o que falta à dita deputada que, como disse, “nasceu para estar no Parlamento”, nasceu na Guiné-Bissau, para ser deputada no Parlamento de Portugal! Um espanto.

Tive a sorte de ter lido este belíssimo texto, precisamente depois de me deslumbrar no Museu Grão Vasco de Viseu, com as obras deste vulto maior das artes portuguesas e no meio da agitação esquerdista para a devolução de obras trazidas do Ultramar. Não há acasos.

Termino ousando chamar a atenção dos meus possíveis leitores, que brevemente se irá propor a supressão do escudo dos castelos e quinas, o que nem a república facciosa de 1910 ousou retirar. Mas lá chegaremos.



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