Fotografia: DM

Sociedade civil quer manter ligação com o Reino Unido após o Brexit

Projeto europeu com menos um estado-membro.

Luísa Teresa Ribeiro
31 Jan 2020

O presidente do Grupo de Acompanhamento do Brexit, constituído no seio do Comité Económico e Social Europeu (CESE), revelou a determinação em criar uma estrutura que permita manter o diálogo com a sociedade civil do Reino Unido após a saída daquele Estado da União Europeia (UE).

O Brexit vai ser concretizado às 23h00 de hoje (hora de Londres, a que corresponde meia-noite de Bruxelas), na sequência do resultado do referendo de 23 de junho de 2016. O Parlamento Europeu e o Conselho Europeu já deram luz verde ao acordo de saída daquele Estado.

Stefano Mallia referiu, em Bruxelas, num encontro com 30 jornalistas europeus convidados pelo CESE, entre os quais o Diário do Minho, que esta deve ser uma estrutura formal, com regras de funcionamento definidas, que não dependa de vontades individuais.

Esta solução para preservar «relações que duram há décadas» surgiu na sequência da auscultação da sociedade civil do Reino Unido, tendo o grupo de trabalho constatado que a vasta maioria das organizações contactadas gostaria que o país permanecesse na UE.

Este responsável afirmou que «não há aspetos positivos no Brexit». Em seu entender, vai ser o Reino Unido a sentir os efeitos mais negativos, mas a saída também afetará o crescimento da UE e mesmo da economia mundial.

Stefano Mallia sublinhou a importância de salvaguardar os direitos dos cidadãos naquela que é a primeira saída de um estado-membro desde o início do projeto europeu. O período de transição decorre até 31 de dezembro de 2020, sendo que durante este tempo vão decorrer negociações sobre a futura relação entre o Reino Unido e a UE.

A despedida dos 24 representantes do Reino Unido no CESE realizou-se no dia 22 de janeiro, numa cerimónia muito emotiva. Nesse âmbito, o presidente do CESE, Luca Jahier, disse que «não existe outra alternativa para além da manutenção de uma forte relação entre a UE e o Reino Unido», garantindo que o organismo representativo da sociedade civil organizada tudo fará para manter viva essa ligação.

«A partida do Reino Unido vai obrigar-nos a repensar a forma como comunicamos com os nossos cidadãos, para que eles se possam aperceber no seu dia a dia das realizações tangíveis e verificáveis da Europa», advertiu.

Com a saída destes membros do CESE, Estónia, Chipre e Luxemburgo voltam a ficar com mais um elemento, que tinham perdido aquando do último alargamento da UE. Os restantes lugares vão ficar vagos, à espera de futuras configurações do projeto europeu. O CESE tem 350 membros.





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