Espaço do Diário do Minho

Aqui foi enforcado Rudolf Höss, 1.º Comandante de Auschwitz
31 Jan 2020
Gonçalo S. de Mello Bandeira

A pena de morte foi executada várias vezes contra nazis. Rudolf Franz Ferdinand Höss, 25/11/1901-16/4/47, foi o 1.º comandante dos campos de extermínio de Auschwitz, dos quais se comemora os 75 Anos da sua libertação pelo exército soviético, ajudados pelas outras frentes. Já aqui tínhamos publicado em 23/8/19 um artigo com o título de «Varsóvia, Cracóvia e Auschwitz, experiência e Mossad». E já antes, em 6/2/15, publicámos «Auschwitz-Pilecki-Huber-Rosa Branca-Ratzinger-Wojtyla!».

Aí fazemos um resumo de algumas das atrocidades nazis, sem esquecer alguns Heróis da Humanidade. Höss foi um soldado oficial alemão das nazis SS-Shutzstaffel. Ele testou e aplicou de «modo bem sucedido» vários métodos para exterminar os inimigos da Alemanha nazi, em especial os judeus: «solução final».

O mote era matar o maior número de pessoas no menor tempo e espaço possíveis, «poupando o máximo de dinheiro», aproveitando para «reciclagem» as roupas, jóias, dentes de ouro, cabelos e ossos humanos. Sem prejuízo das «experiências médicas» em humanos. I.e., a engenharia da industrialização da morte levada ao cúmulo da (ir)«racionalidade». Antes de ser condenado à morte pelo STJ Polaco e executado, vejamos agora parte da confissão de Höss, a qual contraria os «números oficiais»:

«Permaneci em Auschwitz desde 12 de janeiro de 1943 e estimo que no mínimo 2,5 milhões de vítimas foram executadas e portanto exterminadas lá por envenenamento gasoso e carbonização, e no mínimo outras 500 mil sucumbiram a doenças e à inanição, totalizando assim aproximadamente 3 milhões de mortes. Esta cifra representa mais ou menos 70 ou 80% de todos os prisioneiros que para Auschwitz foram enviados, os demais foram selecionados e usados para o trabalho escravo nas indústrias dos campos de concentração; inclui-se dentre os que foram executados aproximadamente 20.000 russos prisioneiros de guerra que foram entregues em Auschwitz por oficiais da Wehrmacht e nos transportes da mesma. O restante das vítimas inclui mais ou menos 10.000 judeus alemães e um grande número de cidadãos, maioritariamente judeus, da Holanda, França, Bélgica, Polónia, Hungria, Checoslováquia, Grécia e outros países. Nós executamos aproximadamente 400.000 judeus Húngaros em Auschwitz no verão de 1944. Execuções em massa através de envenenamento gasoso tiveram início durante o verão de 1941 e continuaram até 1944. Eu pessoalmente supervisionei tais execuções em Auschwitz até 12 de janeiro de 1943, e sei o porquê de ter continuado em minhas funções, na superintendência dos campos de concentração, W V H A, nos quais tais execuções prosseguiram como declarado acima».

Rudolf Höss era casado, com 5 filhos, e vivia numa vila próxima aos campos de Auschwitz. «Família feliz com um ambiente harmonioso», «Höss era um pai e marido gentil e cuidadoso», segundo a filha Brigitte, que emigrou para Espanha e depois EUA, onde trabalhou com sucesso durante 40 anos na área da moda, com seus segredos escondidos, até ter revelado a sua origem ao mesmo tempo que lhe aparecia um cancro. Portugal orgulha-se do fim da pena de morte há mais de 150 anos.

Em 31/3/17, publicámos no Diário do Minho, «Não matarás?» (ler). Em 9/8/18, o Colega Silva Araújo publicou «Pena de morte é inadmissível», confirmando aquilo que sempre disse: a doutrina da Igreja Católica, Apostólica e Romana, em certos casos aceitou a pena de morte, até à tentativa do Papa Francisco. Todavia – sendo eu contra a pena de morte, mas não contra a legítima defesa como S. Tomás de Aquino -, recordo que ainda está em vigor a afirmação dogmática de S. João Paulo II:

«Na verdade, nos nossos dias, devido às possibilidades de que dispõem os Estados para reprimir eficazmente o crime, tornando inofensivo quem o comete, sem com isso lhe retirar definitivamente a possibilidade de se redimir, os casos em que se torna absolutamente necessário suprimir o réu “são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes” », Enc. Evangelium vitae, 56: AAS 87 (1995) 464.



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