Espaço do Diário do Minho

Não me cansarei! Não. A eutanásia que ameaça vir aí…
30 Jan 2020
Carlos Aguiar Gomes

Michel Christian Alain Aupetit – médico

Michel Christian Alain Aupetit – Bispo

Michel Christian Alain Aupetit – Arcebispo de Paris

Tem 59 anos e foi ordenado aos 44.

Tem muita coragem e não teme as reacções dos seus muito e muito poderosos inimigos. É claro, preciso e fala sem ambiguidades. Leio com frequência as suas intervenções.

Reli, a propósito da Eutanásia, a homilia que proferiu (4.2.2018) na Catedral de Notre Dame (a propósito do incêndio e das declarações dos políticos a dizerem que era preciso restaurar o edifício rapidamente, por ser um bem cultural, Mons. Aupetit disse alto e bom som, na república híper-laicista que é a França: antes de bem cultural, a Catedral é , acima de tudo e em primeiro lugar desde sempre, um lugar de culto e de adoração a Deus).

Respigo algumas passagens da referida homilia e que hoje, aqui e agora em Portugal, quando no Parlamento se vai discutir a legalização da Eutanásia, têm uma pertinência muito grande, vindo de um Bispo e que é simultaneamente médico. Aqui deixo algumas passagens para que possam contribuir para uma visão outra que não a que todos os dias e a toda a hora nos é impingida pelos media, como « a verdade».

  1. «Onde no mundo se defende a morte como solução para os problemas: por exemplo para a criança por nascer não desejada, o futuro deficiente, o velho incómodo, o próprio Deus defende e propõe o amor.»
  2. «Perante um aumento do sofrimento, a única resposta digna é um aumento do amor»
  3. «Hoje falam-nos de morte digna para justificar a Eutanásia. Servem-se da bela noção de dignidade para matar.»
  4. «A única dignidade do homem, é ser amado até ao fim.»
  5. A única liberdade do homem, é de amar até ao fim.»
  6. «Sejamos, nós os cristãos, os mensageiros do Evangelho do Amor, não somente com a nossa palavra mas sobretudo pelo nosso modo de viver.»

Estas frases são um programa para a acção pelo direito à vida, contra o Aborto e a Eutanásia. Sempre.

Que dignidade há em matar alguém indefeso ou em sofrimento?

Será , sem dúvida, uma indignidade matar os frágeis, abandonados, sozinhos. Será uma prova, que não carece de demonstração, tal a evidência, a marca vincada de uma sociedade decadente e que perdeu as dimensões do Amor (Eros – Agape – Filia) e já não sabe o que é amar. Uma sociedade que reduziu o Amor a uma única dimensão, a do Eros e mesmo esta frágil , redutora, egoísta e egolátrica.

Morte com dignidade, quem a não deseja? Mas morte com dignidade NÃO É SER ASSASSINADO. Morte com dignidade é morrer sentindo-se amado, acompanhado. Com uma mão meiga e amorosa que toca e afaga o moribundo, dando-lhe a sensação de proximidade, de coração no coração. Morte acompanhada é não permitir que se façam tratamentos desnecessários – é o chamado “encarniçamento terapêutico” – mas dar conforto no sofrimento, quando existe. Morte com dignidade é transmitir o sentimento de que, mesmo nessa fase terminal, frágil, se é amado. De facto, na vida, o mais importante é o Amor e a Eutanásia é a prova da grande falta de amor. É causar a morte, mesmo quando é pedida conscientemente, e transmitir a mensagem explicita ou não de que aquela pessoa já é um fardo de que urge “ despechar-se”.

…Por isso, não me cansarei de repetir “n” vezes que a Eutanásia é o falhanço total do Amor . É a vitória do egoísmo. É a derrota da Vida. É o sinal do colapso da nossa Cultura.

Como tão bem escreveu o Arcebispo de Paris: «A única dignidade do homem, é ser amado até ao fim». Do início, da concepção, até à morte natural. O Aborto e a Eutanásia são os mais óbvios sintomas da morte da Civilização do Amor e remetem-nos para a promoção da “pureza da raça” do Nazismo e para a eliminação dos indesejados nos campos de concentração (sejam nazis sejam nos gulagues soviéticos).

NÃO ME CANSAREI. E repetir-me-ei tantas vezes quantas forem necessárias, tal como fazem os defensores da Eutanásia que não inovam, mas repetem-se sem se cansarem.

Não me cansarei!



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