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Transporta consigo uma história de 157 anos. Foi associação, grémio (durante o Estado Novo) e novamente associação, com o amanhecer da democracia. Passou por crises e recuperações, sem nunca deixar de ser «a voz das empresas da região». Para 2020 aponta um novo desafio: o alargamento da representatividade ao setor industrial.

Carla Esteves
27 Jan 2020

Ser a “casa-mãe” de todas as empresas da região é a grande meta que a ACB traçou para 2020. Além de angariar novos associados do setor do comércio o objetivo passa essencialmente por reforçar as competências da instituição, aplicando-as às necessidades do setor industrial.

Em entrevista ao Diário do Minho, o presidente da direção da ACB, Domingos Macedo Barbosa, afirma que «é tempo de os empresários terem consciência da importância de agregar numa instituição única a representação institucional de todo o universo empresarial da região, incluindo comércio, indústria e serviços».

«Trata-se de uma condição indispensável para afirmação do nosso território como espaço de produção de economia importante no contexto nacional », defendeu Domingos Macedo Barbosa.

Segundo o dirigente associativo a falência da Associação Industrial do Minho (AIMINHO), abre todo um campo de responsabilidades à ACB, que  assegura que «os empresários da indústria podem contar com a instituição para defender os seus interesses».

Para Domingos Macedo Barbosa o maior desafio que agora se impõe consiste em «integrar a massa crítica empresarial numa instituição que pode ser, no futuro aquilo que os empresários, quiserem que seja». 

«Temos uma instituição com 157 anos de existência, incólume, sem nada que se lhe aponte, muito conceituada e reconhecida na região e em todo o país», argumentou, realçando que «a ACB sempre esteve presente nos órgãos de cúpula e na representação, ao mais alto nível nacional, nas confederações empresariais, presença esta que sairá ainda mais reforçada com a adesão de todo o setor industrial da região».

Uma única instituição na defesa dos empresários

O presidente da ACB defende que «atravessamos um período da história em que não podemos ter qualquer tipo de preconceitos» e em que «uma única instituição empresarial se afigura como a melhor solução na defesa dos interesses das empresas».

«A credibilidade da nossa instituição emana das empresas e dos empresários e ela há-de ser o reflexo do movimento industrial da região», vaticinou o presidente da ACB.

A instituição efetuou uma primeira auscultação junto de algumas das mais representativas indústrias da região, tendo apurado que o sentimento geral do setor é que «esta é uma ideia para agarrar» e foram já em número considerável as empresas dele “bolo” que deram o seu “sim” estando já inscritas na carteira da ACB.

Macedo Barbosa, adianta que o caminho passa agora pela adesão de um número cada vez maior de empresas da região e apela à cooperação  dos industriais, sustentando que «o caminho a trilhar  há-de ser aquele que a massa crítica aderente quiser». 

Aos mais conservadores, o presidente afiança que «a ACB não está, de modo algum, a desvirtuar a sua vocação. Está, sim, a integrar e a reforçar o movimento empresarial associativo, está a crescer e a criar uma cultura de responsabilidade que beneficiará todas as empresas em geral».

Domingos Macedo Barbosa esclareceu que a recente reaquisição da sede, que fora vendida para dar resposta à dívida institucional, faz já parte deste projeto com o objetivo de ser cada vez mais um parceiro ativo na região.

Novo Roteiro Empresarial da ACB vai auscultar necessidades das empresas

A Associação Comercial de Braga (ACB) avançará, ainda durante este primeiro trimestre de 2020, com um “Roteiro Empresarial” destinado a auscultar as principais necessidades das empresas, em em particular as do setor industrial. A direção fará visitas institucionais a empresas de referência (associadas e potenciais associadas), que serão organizadas em roteiros temáticos, que além de permitirem a divulgação do projeto da ACB, darão a conhecer o panorama e as necessidades das empresas da região.

Segundo o diretor-geral da ACB, Rui Marques, serão eleitas três ou quatro empresas de uma área temática, com o objetivo de identificar constrangimentos comuns, e com base nessa sondagem de opinião, promover medidas efetivas que vão ao encontro das expetativas dos empresários.

O projeto contará com a parceria mediática do Diário do Minho e será complementado por outras iniciativas, como sessões de capacitação dirigidas aos empresários industriais.

O ideal será que o movimento seja recíproco, ou seja, que as empresas procedam à sua integração desde logo na ACB, promovendo todo um diálogo sobre as necessidades que o setor enfrenta.

O reforço do espírito associativo da ACB, a qualificação dos recursos humanos, o apoio à digitalização de negócios, a qualificação dos serviços da ACB constituem outras das prioridades estratégicas para 2020.

Mais de uma década de luta para recuperar património e credibilidade

Foi em 2008 que Domingos Macedo Barbosa foi chamado a assumir (primeiro interinamente  e dois anos mais tarde por eleição) os destinos da ACB, numa altura em que as dificuldades eram transversais a toda a sociedade portuguesa, desde as famílias às empresas e instituições.

«A dinâmica era então ir para a frente e quem não o fizesse ficava para trás. Em todos os setores da  sociedade ninguém planeava», contou, explicando que quando a crise caiu em cima da instituição foi chamado para ajudar a ultrapassar as dificuldades.

Surgiu então a necessidade de tomar medidas de gestão inteligentes, mas muito penosas, que obrigaram a grandes sacrifícios e a uma alteração radical na cultura da instituição.

«Quando eu cheguei a dívida total da ACB rondava os cinco milhões e 200 mil euros. Com esse cenário não tínhamos alternativa senão tentar estancar a dívida, pois já não tínhamos receitas que a cobrissem. Optámos, a muito custo, pela alienação de património, e em paralelo, dispensámos funcionários, revelou.

Para Domingos Macedo Barbosa foi esta a medida mais difícil em termos pessoais, mas o peso da estrutura era então incomportável.

«Resta-me a certeza de que ninguém foi prejudicado, pois a instituição conseguiu cumprir com os seus compromissos, num mundo de dificuldades. Cumprimos tudo o que devíamos quer com fornecedores, quer com funcionários, e com o Estado, naturalmente», afirmou.

No que respeita à alienação de património, medida que «tinha que ser tomada», Macedo Barbosa define-a como «um ato de gestão», «uma decisão difícil e simultaneamente corajosa, que permitiu salvar a ACB».

«Quando entregámos a sede a um fundo, fizemo-lo com a intenção de a vir a recuperar, mal surgisse a oportunidade. Salvaguardámos sempre a questão  com o direito de preferência que assiste aos inquilinos, e mal o fundo monetário decidiu vender toda a suas carteira de clientes, avançámos», contou.

Foram anos de luta, de muito trabalho para criar condições para que a aquisição pudesse verificar-se,  até que, no passado dia 16 de janeiro, o sonho concretizou-se e a sede voltou à propriedade da ACB.

Além do edifício, na Rua D. Diogo de Sousa, a ACB alienou o Centro de Dinamização Empresarial (CDE), em Vila Verde, e o CNO, na Rua dos Chãos, medidas que permitiram à instituição ganhar fôlego para prosseguir o seu projeto e alcançar uma vitória «para todos os empresários da região».

Em paralelo foi preciso fazer face a outro desafio financeiro, que consistiu na desvinculação do Centro Lojas, um mecanismo de pagamento que consistia num cartão disponibilizado aos associados, que possibilitava o pagamento de compras em prestações.

«Neste período de pouco mais de uma década credibilizámos a ACB junto das instituições bancárias, de tal modo que todas se mostraram disponíveis para nos apoiar na compra da sede, neste momento. E conseguimos um trabalho de credibilização junto da opinião pública. Somos hoje uma instituição incólume. Foi este o trabalho mais meritório que conseguimos fazer», afirmou, elogiando a sua equipa e o diretor-geral, Rui Marques.

“BOLO-REI GIGANTE” E “AMIGOS DO CAFÉ”

Programas mostram fulgor do comércio  

Da capacidade de intervenção da ACB nasceram programas exemplares como “Amigos do Café”; “Sugestões do Chef”, ou eventos que se tornaram história e tradição, como o muito aguardado “Bolo-Rei Gigante”, que simultaneamente contribuem para alavancar o comércio e refletem a mudança estratégica da instituição, com o foco cada vez mais centrado nas empresas.

«Depois de uma época demasiado voltada para a utilização dos fundos comunitários, recentrámo-nos no importante e optámos por um posicionamento cada vez mais forte e mais profissional junto das nossas empresas, fazendo jus à nossa missão de instituição empresarial», sintetizou.

Os empresários retribuíram com confiança e um aumento de associados, que o presidente da ACB atribui ao facto de se sentirem cada vez mais apoiados.

«Eles sabem que este é o seu fórum de discussão o local onde podem colocar os seus problemas e anseios. E estes programas, projetos e eventos ajudaram os empresários a perceber que são eles a razão da nossa existência. Tem sido esta credibilidade o motor da ACB», concretiza, argumentando que «a dinâmica da ACB é hoje cada vez mais voltada para as empresas em dificuldades».

 Campanhas como estas surgem por isso, no sentido de ajudar os empresários a arcar com as dificuldades de tesouraria em períodos do ano em que há uma maior acalmia no negócio, as chamadas “épocas baixas”.

ACB recoloca foco nas empresas e recupera 50% da base social 

As empresas voltaram a ser, nos últimos anos, o principal foco do trabalho da equipa da ACB, que é hoje cada vez mais coesa. E foi precisamente esta mudança de direção e o “refocar” no que interessa que permitiu à instituição recuperar cerca de 50% dos sócios que tinha perdido em período de crise.

Nos anos críticos a instituição chegou a confrontar-se com uma diminuição da sua base social na ordem dos 50%, motivada pelo encerramento constante de pequenos negócios, em virtude da crise generalizada.

«Passámos então de uma base social de dois mil associados com quotas pagas para menos de mil.   E neste momento atravessamos uma franca recuperação da massa associativa e empresarial, que atribuímos também à credibilização de todo o trabalho que desenvolvemos», contou.

Domingos Macedo Barbosa esclarece que a ACB se dedicou na íntegra às empresas e à resolução das  suas dificuldades, e investiu na criação de um conjunto de serviços direcionados para os seus interesses.

«Isto não passou despercebido aos associados e à sociedade em geral e temos tido uma enorme adesão de novas e antigas empresas», revelou.

Gabinete de Atendimento do Associado

A ACB empenhou-se na criação de um Gabinete de Atendimento do Associado, que disponibiliza apoio a todos os associados que o solicitem e tem realizado protocolos com os que assim o desejarem e vejam que isso é útil para as suas empresas.

A direção da ACB passou a efetuar visitas institucionais regulares às empresas para se inteirar das suas dificuldades,  visitas estas que terão agora novo fôlego com a integração dos associados industriais, e que permitirão continuar a senda de «auscultar os empresários para saber qual é o sentimento que têm da economia e quais as suas reais dificuldades para as transmitir a quem de direito».

Reforçando a importância de os empresários se dirigirem à ACB sempre que necessitem, Domingos Macedo Barbosa realça que a instituição tem também disponíveis programas contratados pelo próprio Estado ao nível da formação de ativos e empresários, da assessoria e gestão das empresas que podem ser uma ajuda fundamental para os empresários que querem reavaliar o seu percurso e que procuram apoio para recuperar ou fazer a sua empresa evoluir.

Academia de Restauração vai acolher 500 formandos em 2020

A ACB tem mais de 30 anos de experiência em gestão de projetos de formação e na qualificação de pessoas e encontra-se credenciada pelo IEFP como Entidade Formadora Externa. São várias as suas vertentes formativas, desde o Centro Qualifica às Formações Modulares Certificadas, passando pelos Cursos EFA e pelos Cursos Vida Ativa, mas a sua mais recente dinâmica neste domínio é a Academia de Restauração, situada na Praça Conde Agrolongo, um novo espaço formativo que, ao longo de 2020, deve acolher cerca 500 pessoas integradas em acções de formação e qualificação. 

A direção da ACB considera esta valência como «o corolário da aposta que a associação tem feito enquanto entidade formadora de qualidade e é demonstrativa da prioridade que a ACB dá à formação dos quadros». 

Atividade turística da cidade levou ACB  a ajustar oferta e apostar na formação  

O estreitamento de relações e a revitalização do protocolo entre a Associação Comercial de Braga (ACB) e a Câmara Municipal de Braga tem permitido, nos últimos anos, o estabelecimento de uma estratégia concertada para a formação e dinamização económica da cidade.

«A ideia de integrar todas as instituições na dinâmica da cidade tem tido resultados que estão à vista de todos, e que são fruto do trabalho do Município de Braga e de todos os agentes económicos e institucionais da cidade. Não podemos deixar de lado grandes instituições como a Igreja, e outras que muito têm contribuído para a afirmação de Braga e da sua região como destino turístico», afirma o presidente da direção da ACB.

Domingos Macedo Barbosa ressalva, porém, que o reposicionamento da cidade, agora «claramente voltada para o turismo», acabou por lançar grandes desafios quer para a ACB quer para os empresários, que tiveram que ajustar a sua oferta à procura que Braga hoje apresenta, o que incluiu um investimento na formação dos seus quadros.

«Há 10 anos as empresas estavam muito mal preparadas para poder efetuar o atendimento que o turista procura. Tivemos que reforçar a formação para esta área e como cidade cosmopolita que somos, tivemos que responder às expetativas. Também a ACB percebeu que tinha que corresponder ao desafio que lhe foi lançado e foi neste contexto que surgiram apostas diversas, incluindo a Academia de Restauração», argumentou.

Em contrapartida, e se o comércio da cidade se tem sabido ajustar à procura dos turistas, o presidente da direção da ACB, Macedo Barbosa, salienta que «é fundamental não deixar que se perca a memória comercial da cidade», também marcada por empresas e por ramos de negócio que, em muitos casos já não fazem parte do panorama empresarial de Braga.

“Lojas com História”

Foi nesse sentido, que oportunamente Braga soube avançar com o projeto “Lojas Com História”, tendo como principal objetivo salvaguardar e dinamizar o comércio histórico e tradicional da cidade e não deixar perder a memória de uma cidade com dois mil anos de comércio.

«Se é certo que foi o próprio turismo que se encarregou de escolher e fazer o ajustamento à procura, sendo cada vez mais os hábitos e os costumes de quem nos visita que ditam o negócio, certo é também que era urgente um programa que permitisse preservar os elementos patrimoniais e culturais do comércio de Braga», sustentou.

 A ACB considera que «o comércio da cidade é hoje «afirmativo, com grande diversidade e qualidade da oferta», o que faz com que o turista leve uma impressão positiva da cidade, e queira regressar.

«Salientamos, porém, que nada disto se faz isoladamente e que tem havido um conjunto de pessoas a trabalhar e a contribuir para a afirmação da cidade», avançou o presidente da direção da ACB.

Feira Semanal e Mercado Municipal vão qualificar oferta

Na perspetiva do responsável as obras de requalificação do Mercado Municipal de Braga contribuem para uma nova perspetiva comercial da cidade, tornando esta estrutura cada vez mais atrativa para bracarenses e visitantes.

 «É uma obra grandiosa que vai permitir que o Mercado Municipal seja um ponto de atração turística à semelhança do que acontece pelo mundo fora, em que os mercados municipais fazem parte da identidade das cidades», aventou», classificando o novo espaço como «centro comercial tradicional de grande qualidade».

Também a Feira Semanal, alvo das críticas da oposição e de muitos bracarenses,  terá em breve uma nova reconfiguração, que segundo Macedo Barbosa «vai ao encontro das expetativas da maioria dos feirantes».

«Pelo que sei a obra estará para breve e permitirá uma feira semanal mais acomodada no sopé do Monte do Picoto. na minha opinião a feira ganha com isso e fica mais integrada com a cidade, assumindo-se na sua continuidade», disse.

 




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