Fotografia: Sérgio Freitas

Assembleia Municipal de Braga aprova venda da Confiança sob críticas da oposição

Em Braga.

Redação
25 Jan 2020

A Assembleia Municipal de Braga aprovou, na sexta-feira, a venda da antiga saboaria e perfumaria Confiança, mas com os votos contra do PS, CDU e Bloco de Esquerda, que defendem que o edifício devia continuar na esfera pública.

A proposta de venda, em hasta pública, mereceu 42 votos a favor, 25 contra e quatro abstenções.

Na sessão, marcaram presença elementos da Plataforma Salvar a Fábrica Confiança, que, após conhecidos os resultados da votação, exibiram cartazes com as caras dos vereadores da maioria PSD/CDS/PPM, com a palavra “vendido” em cada um deles.

Segundo o presidente da Câmara, Ricardo Rio, a hasta pública terá lugar em meados de fevereiro, tendo como valor base 3,6 milhões de euros.

O comprador terá, obrigatoriamente, de transformar o edifício numa residência universitária, que poderá albergar cerca de 300 quartos.

A volumetria do edifício principal terá de ser mantida.

Hoje, na Assembleia Municipal, o deputado do PS Pedro Sousa chegou a desafiar a Câmara para promover um referendo sobre o futuro a dar ao edifício, mas Ricardo Rio respondeu que esse escrutínio já foi feito nas últimas eleições autárquicas, em que o seu programa já previa a alienação da Confiança.

Para o PS, a venda configura “um excelente negócio” para o privado que comprar, já que pagará, em 2020, o mesmo valor que a Câmara pagou em 2012 quando adquiriu a Confiança.

Lembrando que Ricardo Rio, em 2012, quando estava na oposição, votou a favor da compra da Confiança pelo município, o PS usou também um vídeo em que o autarca, em 2013, defendia a utilização do edifício para fins culturais.

Os socialistas disseram ainda que o argumento da residência universitária é um “embuste”, sublinhando que, “quando muito”, o que poderá ali nascer será “uma residência para universitários”, a preços proibitivos.

Questionou também como é que uma cidade que se quer afirmar como Capital Europeia da Cultura em 2027 “pode desperdiçar um espaço como a Confiança”.

Pelo mesmo diapasão afinou a CDU que, pela voz da deputada Bárbara Barros, criticou a alienação “do último reduto da memória industrial” da cidade.

“O que hoje aqui ficará claro, com esta votação, mais do que a venda da fábrica Confiança, é quem se vende e quem não se deixa comprar”, referiu a deputada comunista.

O Bloco de Esquerda, pelos deputados Alexandra Vieira e António Lima, aludiu a um “negócio da China” para o comprador e garantiu que irá até “onde for necessário” para manter a Confiança na esfera pública.

O PSD, através de Joaquim Barbosa, lembrou que a alienação do edifício estava prevista no programa eleitoral de Ricardo Rio, em 2017, e vincou que a requalificação do imóvel tem a “aprovação total” do Ministério da Cultura.

O edifício está em processo de classificação.

Joaquim Barbosa aludiu ainda à importância da residência universitária para combater o défice de alojamento estudantil na cidade e defendeu que “a concorrência faz baixar os custos”.

O presidente da Câmara disse que a alienação do imóvel para a construção de uma residência universitária vai permitir, desde logo, a reabilitação do edifício, um desiderato que o município não está em condições de assegurar, por falta de financiamento.

“Não é preciso salvar o que este projeto já salva”, referiu, lembrando que haverá um espaço com cerca de 500 metros quadrados para um museu evocativo da memória da fábrica..

O autarca aludiu ainda ao objetivo de regeneração urbana daquela área da cidade e à “necessidade premente” de mais alojamento para estudantes na cidade.

“Em 2017, com a alienação da Confiança no nosso programa, conseguimos mais 5.000 votos do que nas eleições anteriores, somámos quase 50 mil votos”, sublinhou Rio.

Cláudia Sil, da Plataforma Salvar a Fábrica Confiança, disse que a venda do edifício será “um erro histórico” e garantiu que a luta pela manutenção do edifício na esfera pública irá continuar.

Segundo aquela ativista, o que está previsto para o local não são residências universitárias mas sim “apartamentos de luxo”.

A fábrica Confiança foi desenhada por José da Costa Vilaça e inaugurado em 1921, tendo produzido perfumes e sabonetes até 2005.

Em 2012, foi adquirida pela Câmara, então presidida pelo socialista Mesquita Machado.

Chegou a ser aberto um concurso de ideias para o edifício, mas entretanto em 2013 a Câmara mudou de mãos e em setembro de 2018 a nova maioria PSD/CDS-PP/PPM votou pela venda, alegando que, por falta de fundos disponíveis para a reabilitação, o edifício se apresenta em “estado de degradação visível e progressiva”.





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